segunda-feira, junho 15, 2015

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Mar Morto


No meio da poeira típica dos desertos do Meio Oriente, em contraste com o amarelo torrado da areia e das montanhas circundantes, descobrimos um oásis de um tom azul claro que encanta aqueles que o observam.

Esse oásis é real e tem o nome de Mar Morto, que é, na realidade, um grande lago de água extremamente salgada que se encontra no Médio Oriente, mais precisamente entre os territórios de Israel, Palestina e Jordânia. Localizado a 427 metros abaixo do nível do mar, é o ponto mais baixo do planeta.

O seu nome é intimidante mas este lago apenas recebeu esse nome por não apresentar condições para a conservação de vida devido ao seu elevado grau de salinidade (cerca de 33%, 10 vezes superior ao normal, o que significa que cada litro de água possui 300 gramas de sais, ao passo que a quantidade considerada normal para os oceanos é de 30 gramas para cada litro).

Em contrapartida, esta alta quantidade de sal proporciona alívio imediato para muitos visitantes com doenças dermatológicas ou com dores, que regularmente se deslocam ao local para usufruírem das suas características de cura. Isto acontece devido ao facto de nas águas do Mar Morto, consideradas terapêuticas, estarem presentes 21 minerais, nomeadamente potássio, magnésio, cálcio, enxofre, sódio e iodo.

Esta composição química única confere às águas do Mar Morto propriedades medicinais únicas e reconhecidas internacionalmente como benéficas para o tratamento de doenças de pele (como psoríase) e reumatismo.

Além dos sais, existe uma grande quantidade de lama negra do fundo do mar que é também utilizada em tratamentos dermatológicos e estéticos graças às suas propriedades medicinais.

Após a aplicação da lama, é fácil notar que a pele fica mais lisa e com um aspecto mais saudável, como se tivesse sido feita uma esfoliação. É como se a argila sugasse as toxinas que estão na pele, acelerando um processo que o corpo naturalmente já faria. 


O excesso de sal ocorre porque este mar é um mar fechado, ou seja, cercado de terra por todos os lados, e a sua única fonte de abastecimento é o Rio Jordão, rico em minerais. Considerando que a região é muito quente, a água evapora-se muito rapidamente mas os minerais não, o que resulta numa elevada quantidade de sal.

O Mar Morto é conhecido por ser o mar onde não é possível afundar. Novamente devido aos altos níveis de sal presentes nas suas águas (que as tornam mais densas do que o corpo humano), é possível nadar neste mar e nunca ir ao fundo.

Algo assim é apelativo, mas é necessário ter alguns cuidados. Por exemplo, não se deve nunca mergulhar o rosto na água, assim como é recomendado ter em atenção a existência de quaisquer cortes, uma vez que o sal provoca uma sensação insuportável de ardência.

Devido à exploração descontrolada e exagerada do Rio Jordão, o Mar Morto está verdadeiramente a morrer – o que pode parecer ironia, mas de facto não é. Nos últimos 60 anos, já perdeu cerca de 35% do seu tamanho original. Para salvar este mar tão precioso, em dezembro de 2013, Israel, a Jordânia e a Autoridade Palestina assinaram um acordo com o apoio do Banco Mundial para construir um sistema de canos que levaria água do Mar Vermelho para o Mar Morto. Vários especialistas apontam para a possibilidade de a mistura das águas poder originar uma camada de gesso que cobrirá o Mar Morto, alterará a sua cor para branco e destruirá as suas propriedades minerais especiais. Contudo, apesar de a gravidade da situação continuar a aumentar, o projeto ainda não foi implantado devido a “problemas ecológicos”, de acordo com o ministro israelita Silvan Shalom, responsável pela pasta da Cooperação Regional.

Há ainda que contar um acontecimento histórico ligado a este mar. À data de 1947, foram encontrados manuscritos bíblicos dentro de jarras, guardados em cavernas em Qumran (próximo do Mar Morto) e, nos anos seguintes, foram descobertos na região cerca de 800 outros manuscritos, dos quais aproximadamente 200 são bíblicos. Com exceção dos livros de Ester e Neemias, os manuscritos do Mar Morto contêm uma parte considerável do Antigo Testamento e estão em exposição no Museu Israel. O Pergaminho de Isaías é o maior e o mais bem preservado de todos os pergaminhos bíblicos, e o único descoberto estando completo: são 54 colunas que contêm todos os 66 capítulos da Bíblia.

Uma parceria entre o Museu de Israel e o Instituto Cultural do Google permitiu o desenvolvimento de uma plataforma onde estão disponibilizados os manuscritos para consulta pública, algo nunca realizado até então. Assim, a consulta pode ser feita através do seguinte link http://dss.collections.imj.org.il/. As brumas do Mar Morto, um local dos mais belos, mais invulgares e mais repletos de História e mistérios e do Mundo, reservam ainda muitos enigmas por desvendar e prometem conquistar aqueles que por lá se aventuram.


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