terça-feira, junho 16, 2015

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Guia de boas práticas na cultura japonesa

Gueixa

O Japão é dos países que mais marcam aqueles que o visitam e que permanece na memória como um dos lugares a voltar a visitar. É impossível ver tudo numa só viagem mas não é impossível ser contagiado por toda a magia que envolve este distinto país. A forma de ser, de estar, de encarar a vida dos japoneses é incomparável.

Apesar de ser agora mais fácil alcançar lugares como o Japão, ainda não é clara a forma como conseguiremos adaptar-nos ao país. O comportamento do povo japonês é muito diferente do português e há que ter em conta determinados costumes e atitudes para facilitar a comunicação e a nossa integração no país.

Portanto… como é que nos devemos comportar?

Em casa, em estabelecimentos e nos transportes públicos

O QUE NÃO FAZER
  • Regra nº1: Nunca entrar numa casa com sapatos! Esta é uma das poucas regras que os japoneses não toleram que seja quebrada só por se ser estrangeiro(a). Esta regra também é válida para alguns estabelecimentos, como escolas e ryokans (hotéis e pousadas estilo tradicional), na entrada dos quais estão normalmente disponíveis chinelos. Se estiverem à disposição na entrada da casa de banho chinelos diferentes, estes devem ser usados ao invés daqueles que são usados no resto da casa.
  • Não se deve falar ao telefone nos transportes públicos, a não ser que isso seja claramente permitido. Pode-se, contudo, enviar SMS ou e-mails.
  • Os táxis no Japão possuem portas automáticas, portanto, não se deve colocar a mão na maçaneta. O próprio taxista irá accionar a abertura na entrada e na saída. Assim em como em todos os outros estabelecimentos, o dinheiro não deve ser entregue directamente na mão de quem vai recebê-lo; deve ser sim colocado na bandeja, onde será também colocado o troco.
O QUE FAZER
  • Quando se é convidado para ir à casa de uma família japonesa, é de bom tom levar uma lembrança ou um omiyage (um presente, normalmente comida). Se se estiver a vir directamente do país de origem, é preferível trazer algumas especialidades culinárias típicas.
  • Fica muito bem dizer o-jama shimasu (com licença, desculpe incomodar) ao entrar na casa de alguém.
  • Algumas lojas ou cafés fornecem sacos plásticos próprios para guardar os guarda-chuvas em dias chuvosos e evitar molhar o chão.
  • As tatuagens são proibidas nos banhos públicos. Se se tiver uma, deve-se perguntar na recepção, antes de entrar, se não há problema, para evitar confusão.
  • Os japoneses tomam banho ANTES de entrar na banheira, uma vez que têm o hábito de partilhar a água – bem quente – do banho com outras pessoas. Isso aplica-se em sentōs (banhos públicos), onsens (termas) e nos banhos em casa. Não se deve sujar a água do banho nem esvaziar a banheira depois de sair.

Em sociedade

Tóquio

O QUE NÃO FAZER
  • Algo que é estritamente proibido é assoar o nariz em frente de outras pessoas; os japoneses não detestam – abominam isso. Pior ainda é fazê-lo com um lenço de pano e guardá-lo no bolso. Nota: Utilizar um lenço de papel e deitar o papel no chão dá multa.
  • No Japão não se come em pé ou enquanto se passeia pela rua. Até mesmo dentro de casa, o correcto é sentar-se para comer. A única excepção é quando se compra algo num ponto-de-venda ambulante.
  • Não se deve apontar os dedos, os pés ou os hashis (palitos de comer) para as outras pessoas. Sempre que for necessário indicar um objecto ou a direcção para alguém, o correto a fazer é movimentar os dedos com a palma para baixo ou usar a mão com os dedos juntos e o polegar dobrado sobre a palma da mão.
  • Interromper um japonês enquanto fala ou pensa numa resposta é considerado falta de educação. Os japoneses não gostam de ser interrompidos e não se importam com curtos períodos de silêncio no meio de uma conversa ou discussão. 
  • Deve-se evitar fixar os olhos noutra pessoa pois isso é considerado um comportamento hostil.
  • Os japoneses não apreciam uma pessoa que se vanglorie e que goste de se autopromover; valorizam sim a discrição e a modéstia. No entanto, deve-se falar muito bem da empresa onde se trabalha.
  • Não se deve nunca dar gorjeta a um japonês, uma vez que ele se sentirá ofendido pois está simplesmente a fazer o seu trabalho. No caso de passeios com guias, em que as gorjetas são mais comuns, podem ser entregues mas devem estar dentro de um envelope.
O QUE FAZER
  • Os japoneses fazem uso de algo chamado Honne e Tatemae. A Honne corresponde aos nossos verdadeiros sentimentos e pensamentos e a Tatemae é a fachada ou a máscara que usamos em público (aquilo que dizemos, que pode não corresponder à nossa Honne). Assim, usar a Honne e a Tatemae significa manter a harmonia numa situação, não expressando directamente e em primeiro lugar a nossa opinião e concordando com o que os outros forem dizendo.
  • Certamente se questionam: então os japoneses são falsos? Não; muito pelo contrário! Apesar de serem acusados disso. Na verdade, usar a Honne e a Tatemae é muito normal e não é visto de uma forma negativa no Japão; é, até, considerado como etiqueta social adequada.
  • Respeitar a pontualidade é muito importante para os japoneses uma vez que demonstra consideração pela outra pessoa.
  • No Japão, a idade é indissociável da dignidade e do respeito, daí que seja muito importante tratar os mais velhos com a consideração correspondente. Além disso, um grupo com maior número de elementos mais velhos conseguirá mais facilmente alcançar melhores resultados na tomada de decisões.
  • Fazer favores às outras pessoas é algo muito bem visto e que se deve fazer. Todos os favores são retribuídos.

À mesa

Sushi

O QUE NÃO FAZER
  • Não se deve colocar os palitos verticalmente numa tigela de arroz nem se deve passar comida para outra pessoa com os palitos, pois isso só é usado em cerimónias fúnebres budistas.
  • Se já não se pretender comer mais, não se deve esvaziar o prato pois isso é visto como um sinal de que não se está cheio e de que queremos ser servidos novamente.
O QUE FAZER
  • É educado dizer itadakimasu antes das refeições, que significa “receber humildemente”; ou seja, é um agradecimento pela comida, dito individualmente e em voz baixa ou em silêncio e acompanhado por um gesto de mãos unidas como uma oração e uma leve vénia (cabeça ligeiramente abaixada).
  • É também educado dizer gochisou sama deshita após a refeição, que pode ser traduzido como “Obrigado por esta refeição” e é acompanhado pelos mesmos gestos.
  • Quando se está à mesa com um grupo de pessoas, todos devem encher (ou reencher) os copos dos outros. Se quisermos encher o nosso próprio copo, devemos servir os outros em primeiro lugar e a nós próprios em último lugar. Se não quisermos beber mais, não devemos esvaziar o nosso copo.
  • As sopas e o macarrão podem e devem ser comidos directamente das tigelas. Aliás, pratos e tigelas devem ser trazidos à boca, ao invés de se deixar pender a cabeça sobre eles na mesa.
  • Deve utilizar-se o oshibori, uma toalhinha de mão oferecido em praticamente todos os restaurantes no Japão, para limpar as mãos antes de comer (e não depois). No inverno, esta pequena toalha costuma vir quente e no verão vem gelada.

Cartões de visita
  • Deve ter-se sempre meishi (cartões de visita) para oferecer a quem conhecemos, uma vez que são informativos acerca da posição, do status e do grupo hierárquico da pessoa dentro da empresa, e, por isso, desempenham um papel importantíssimo numa sociedade em que o grau hierárquico é muito valorizado.
  • Os cartões devem ter um lado escrito em japonês e devem ser oferecidos e recebidos com ambas as mãos. Quando se oferecer, deve-se virar o lado japonês para cima. Ao receber um cartão, deve-se lê-lo bem e memorizar o nome da pessoa.
  • Devemos tratar o cartão que recebemos com respeito – afinal, o cartão é representativo da outra pessoa. Assim, se se estiver sentado a uma mesa quando se recebe o cartão, deve-se colocá-lo sobre a mesa, com a face para cima de frente para nós próprios, ou guardá-lo na carteira. Guardar o cartão no bolso, dobrá-lo, escrever nele ou perdê-lo é falta de respeito.

Oferecer presentes
  • É importante ter presentes para oferecer a novos e a actuais contactos. Esses presentes não devem ser demasiado extravagantes mas devem ser de boa qualidade e devem estar sempre embrulhados.
  • Oferecer um presente que seja afiado (como um conjunto de facas) simboliza o desejo de terminar uma relação. O álcool, especialmente whiskey, é um presente muito apreciado.
  • Algo que os japoneses usam como presente em várias ocasiões é dinheiro e a regra diz que deve ser presenteado num envelope adequado. Além disso, nunca se deve oferecer uma quantia num valor par pois os mais supersticiosos acreditam que o casal se pode separar se o número puder ser dividido em dois.
  • Devem evitar-se presentes em quantidades de quatro ou nove uma vez que são os números do azar. No Japão, na China e na Coreia, a palavra “quatro” tem o mesmo som da palavra “morte”.

Espírito de grupo
  • Os japoneses são, por natureza e ao contrário do que se pensa, orientados ao grupo. Ou seja, o tipo de grupo a que se pertence (família, amigos e emprego) tem muito valor e determina a vida da pessoa.
  • Além disso, os japoneses estimulam a socialização após as reuniões ou fora do local de trabalho e os nomikai (uma saída com colegas de trabalho ou amigos num izakaya, um tipo de bar japonês que também serve alimentos para acompanhar as bebidas) são muito comuns.

Comunicação
  • O desenvolvimento das relações no Japão ou com japoneses depende, em grande parte, da habilidade do não-japonês para entender as verdadeiras intenções e os verdadeiros pensamentos do seu interlocutor (relembrar a questão da Honne e Tatemae).
  • A combinação das expressões vagas dos japoneses com a falta de compreensão de uma pessoa de outra nacionalidade pode resultar num verdadeiro obstáculo que inviabilize a resolução de problemas e a tomada de decisões. Assim, é aconselhável questionar tudo o que suscite a mínima dúvida, para que se atinja um entendimento claro.
  • Durante uma situação de stress numa reunião de trabalho, os japoneses têm tendência para permanecer em silêncio a fim de aliviar a tensão que se gerou e permitir que as pessoas se distanciem do problema. Ou seja, tendem a evitar o problema para manter a harmonia ou tantamount, como lhe chamam.
  • Nunca se deve colocar um japonês numa situação em que ele possa perder o controlo e enervar-se e nunca se deve tentar apressar a tomada de decisões ou antecipar prazos.
  • Deve ser-se sempre bem educado e diplomático em todas as situações e deve-se evitar demonstrar irritação, aborrecimento ou impaciência pois são emoções negativas que impossibilitam ou dificultam o desenvolvimento de uma relação.
  • O humor, o sarcasmo e a ironia são algo que os japoneses não compreendem muito bem, não valorizam nem esperam, por isso torna-se dispensável uma vez que é desnecessário. Isto não significa que os japoneses desvalorizem as relações humanas, muito pelo contrário; de facto, eles apreciam a solidificação de relações e a preocupação em fazê-lo. Além disso, no Japão não se ‘chega a lado nenhum’ sem os contactos certos.

Linguagem corporal
  • A linguagem corporal dos japoneses é mínima e torna muito difícil compreender as suas intenções, principalmente para aqueles que não souberem ler expressões e gestos. Um japonês tem tendência para permanecer bastante quieto numa reunião, para se sentar numa postura muito direita e reprimir as emoções.

Famílias tradicionais

Ao visitar famílias com estilos de vida mais tradicionais, pode ser necessário observar os seguintes costumes:
  • Sentar na posição seiza, algo que pode ser difícil e desconfortável até para os japoneses. Esta posição implica sentar no chão, sobre tatami (tapete japonês que serve para a prática de artes marciais) ou uma almofada e dobrar as pernas sob o corpo, apoiando-se nos pés.

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