quinta-feira, dezembro 18, 2014

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O lémure indri do Parque Nacional de Andasibe, Madagáscar



Já não é a primeira vez que esta criatura é descrita como “uma criança de cerca de quatro anos com uma fatiota de panda”. O lémure indri, o maior de Madagáscar e o mais caricato habitante do Parque Nacional de Andasibe, na parte este da ilha, tem a simpatia de nos cumprimentar com um uivo estridente logo pelas primeiras horas da manhã. Mas a verdade é que muitos viajantes se aventuram em Madagáscar, incitados ou não pelo filme, só pelo prazer de o ver a vegetar na copa de uma qualquer árvore.

Em malgaxe, o nome indri quer dizer “olha aí em frente” e é fruto do engano de um explorador europeu, que confundiu a indicação que lhe davam para olhar em frente com o nome do animal que lhe tentavam mostrar. Como é óbvio, esse não é o nome que o lémure adopta na língua dos locais, que preferem chamá-lo de babakoto ou “pai de Koto”. Existem duas explicações para esta designação que, apesar de inverosímeis, apaixonam todos os adeptos de uma boa lenda.

Na primeira versão, um rapaz chamado Koto subiu a uma árvore em busca de mel e foi atacado por um enxame, que lhe ferroou o corpo todo. Sem forças, o rapaz caiu abaixo da árvore e foi um lémure que o salvou, tomando-o nos seus braços e levando-o para um lugar seguro. A designação babakoto estará, então, relacionada com esta atitude “paternal” do lémure”?

Já a segunda versão é um pouco mais rebuscada. Segundo esta, o jovem e ingénuo Koto entrou na floresta à procura de comida para a família e nunca mais regressou. Preocupado, o pai decidiu ir à sua procura, mas acabaria por lhe suceder exactamente o mesmo. Os aldeões, grandes amigos da família, montaram então uma equipa de busca – usando os bons termos de hoje – e passaram a densa floresta a pente fino. Tudo o que encontraram foi um par de tristíssimos lémures numa árvore, que, devido à sua estranha aparência humana, ficariam para sempre associados aos dois desaparecidos. O porquê de pai e filho terem sido transformados em lémures… esse permanece um mistério até para os contadores da história.

Só na Reserva Especial de Analamazoatra, uma das zonas que constituem o Parque Nacional de Andasibe, vivem aproximadamente 60 famílias de lémures indri, com um mínimo de dois e um máximo de cinco elementos. Ainda que cada um destes animais não “uive” mais do que quatro ou cinco minutos por dia, os seus sons tornam a selva uma animação constante, sendo ouvidos a três quilómetros de distância. Têm, na sua maioria, o objectivo de delimitar o território de um determinado grupo, mas também podem assinalar, com as suas várias nuances, períodos de cio e muitos tipos de perigo.

Para além dos indri e de outras espécies de lémures, o Parque de Andasibe abriga 11 diferentes espécies de tenrecídeos, oito de camaleões (incluindo o de Parson), mais de cem tipos de aves, 20 espécies de anfíbios e ainda palmeiras endémicas Ravenea louvelii, exclusivas desta parte da ilha. É, com os seus 12.810 hectares, uma das maiores atracções de Madagáscar.

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