terça-feira, setembro 16, 2014

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Café Tortoni, Buenos Aires, Argentina



“A pesar de la lluvia yo he salido
a tomar un café. Estoy sentado
bajo el toldo tirante y empapado
de este viejo Tortoni conocido.”

          Viejo Café Tortoni, de Baldomero Fernández Moreno (1925)

Em Buenos Aires, é possível regressar ao século XIX, bastando, para tal, transpor a porta do n.º 826 da Rivadaria. O seu nome é Tortoni e é o mais antigo café do país, um verdadeiro símbolo porteño, onde se reuniam, outrora, os mais célebres pintores, músicos, escritores e políticos da capital argentina, tanto para confraternizarem como para trocarem ideias sobre as suas artes.

O Tortoni foi fundado em 1858 por um imigrante francês que pretendia reproduzir, em Buenos Aires, um café do Boulevard des Italiens parisiense, conhecido por ali terem lugar as mais acesas discussões sobre arte e cultura entre figuras proeminentes nessas áreas. O novo estabelecimento recebeu até o mesmo nome daquele, Tortoni, e depressa seguiu os seus passos ao fascinar e atrair a elite cultural porteña.

Os seus frequentadores formavam a Agrupación de Gente de Artes y Letras, mas, em meados de 1926, decidiram alterar o nome do grupo para La Peña. Em simultâneo, pediram ao então dono do Café Tortoni, Dom Celestino Curutchet, um homem franzino mas extremamente sábio, para se começarem a reunir na adega subterrânea. Este aceitou-o de bom grado, com o argumento de que “os artistas gastam pouco, mas dão brilho e fama ao café”.

Ouça aqui o consagrado tango de Eladia Blázquez dedicado ao Café Tortoni, Viejo Tortoni.


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