terça-feira, julho 29, 2014

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Castelo de Cochem, Vale do Mosela, Alemanha

Quando se avista o Castelo de Cochem, a imponente coroa de uma colina vinhateira do Vale do Mosela, é interessante ter em mente que os responsáveis pela sua decadência e pela recuperação da sua glória tinham exactamente o mesmo nome. O primeiro era um rei absolutista e com ânsia de vitória. O segundo não deixava de ser um homem rico, mas estava mais interessado em dar à sua família uma bela casa de veraneio.

sexta-feira, julho 25, 2014

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Castelo de Malbork, Polónia

Fazer uma viagem à Polónia e não ver o Castelo da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, Património da Humanidade pela UNESCO, é quase como ir a Roma e não ver o papa. Situado em Malbork, na margem do Rio Nogat, é o maior castelo medieval de tijolo em toda a Europa e encontra-se protegido por pontes levadiças, fossos e elevações. É composto por três partes: o castelo alto, médio e baixo.

A edificação do Castelo de Malbork teve início no século XIII, quando em 1270 os Cavaleiros Teutónicos se instalaram na Polónia. Inicialmente, queriam construir um convento, mas em 1309, depois de terem conquistado Gdansk (Dantzig), decidiram transferir a sede principal da Ordem de Veneza para Malbork. Assim, construiu-se o castelo-sede do Grão-Mestre da Ordem Teutónica no Estado da Prússia Oriental. O mestre da Ordem Teutónica decidiu criar uma fortaleza. A óptima localização do castelo fez que este se tornasse uma importante sede de cada vez mais poderosos Cavaleiros Teutónicos.

quinta-feira, julho 24, 2014

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Jahangir Mahal, : a lealdade por detrás da arquitectura



Do século XVII, Jahangir Mahal é a pérola arquitectónica de Orcha, na Índia, e um dos melhores exemplos da arte indo-islâmica. É um palácio construído em arenito vermelho, com três andares (um deles subterrâneo) e quase três centenas de divisões. Mas o que é realmente impressionante neste edifício é a história que lhe deu origem, uma história trágica de desavenças familiares e de guerra, mas também de profunda amizade.

Posteriormente conhecido como Jahangir, o príncipe Salem era o filho mais velho do imperador mongol Akbar, com quem não mantinha uma boa relação. Consciente disso, Abu'l-Fazl, uma das nove jóias (ou navaratnas) da corte de Akbar, aconselhou e convenceu o imperador a renunciar a Salem como filho e a retirar-lhe qualquer possibilidade de ascender ao trono. Evidentemente, Salem descobriu-o e decidiu declarar guerra ao pai.

Estávamos no ano de 1602. Akbar enviou Abu’l-Fazl e os seus restantes homens a Agra, com o objectivo de acalmarem a rebelião. O problema é que o caminho se fazia através do império de Vir Singh Deo, rei Bundela e destemido aliado do príncipe. Fiel ao seu amigo, Vir Singh reuniu o exército, derrotou rapidamente os mongóis e ainda decapitou Abu'l-Fazl, entregando a cabeça a Salem como prova de amizade.

Três anos mais tarde, Akbar morreu e o príncipe Salem tornou-se imperador, adoptando o nome de Jahangir. Nessa mesma altura, decidiu ceder toda a região de Bundelkhand a Vir Singh, numa tentativa de agradecer o grande risco corrido pelos seus homens. A troca de favores parecia não ter fim, uma vez que, como consequência, Vir Singh mandou erigir Jahangir Mahal, destinando-o a acolher o imperador Jahangir sempre que este o visitasse. Tal aconteceu somente uma vez, mas o palácio perpetuou-se como um dos mais elogiados monumentos indianos.


Sabia que…

… os sinos pendurados nos dois elefantes de pedra à entrada do palácio costumavam assinalar a entrada do rei?

quarta-feira, julho 23, 2014

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Ilha Kampa, Praga, República Checa: Veneza, Lennon e o Diabo, juntos num só lugar

Escapar à agitação da vibrante Praga é possível… e fácil. Basta seguir o Vltava até à Ilha Kampa, um lugar encantador, calmo e romântico, considerado pelo Virtual Tourist a segunda mais bela ilha urbana de todo o mundo e apenas ultrapassado, nesta categoria, pela ilha de Saint-Louis em Paris. Kampa é a “Veneza de Praga”, mas os seus habitantes não são gôndolas. São, sim, canoas e crianças que vêem no parque da ilha o melhor sítio da cidade para a brincadeira.

Kampa é uma ilha artificial desenhada pelo ribeiro do Diabo (Čertovka), um afluente do Vltava cujo sugestivo nome provém do suposto muito mau humor de uma senhora que vivia, no século XIX, junto à Praça Maltesa. Durante muito tempo, esse ribeiro foi utilizado como um açude que fornecia água e energia à cidade, daí que, da ilha, se avistem as ruínas de três moinhos antigos, em processo de restauro.

terça-feira, julho 22, 2014

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A Torre do Relógio de Banská Bystrica, Eslováquia: inclinada, mas firme em história

Há uma figura que se destaca no centro histórico da cidade eslovaca de Banská Bystrica, não só pela sua considerável dimensão, como também pela sua “ligeira” inclinação de 68 centímetros, que nem aos mais distraídos passa despercebida. A Torre do Relógio de Banská Bystrica, situada na praça principal desta cidade, foi construída em 1552 e, desde então, foi alvo de remodelações diversas, derivadas principalmente de incêndios. A inclinação só existe desde o início do século passado, mas reza uma lenda antiga que foi causada por um grupo de anjos que, ao sobrevoarem a torre à noite, embatiam nela e contribuíam assim para o seu desvio.

domingo, julho 20, 2014

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A Mesquita e a Torre de Hassan, Rabat, Marrocos


Sabia que a Giralda de Sevilha, a Mesquita de Koutoubia e a Torre de Hassan foram, todas elas, construídas pela mesma pessoa? É verdade. Foram obra do califa almóada Ya'qub al-Mansur, que terminou as duas primeiras e tinha grandes planos para a Torre de Hassan, em Rabat. Segundo as previsões, este deveria ser o maior minarete do mundo e integrar a também maior mesquita do mundo, mas, infelizmente, o califa faleceu antes de alcançar o seu objectivo e o seu sucessor não se preocupou em dar continuidade à obra.

Ainda que inacabada (ou talvez por isso mesmo), a Torre de Hassan é, com os seus 44 metros de altura, um dos grandes símbolos da cidade marroquina de Rabat. A par da mesquita de que fazia parte, foi principiada em 1195, mas a sua construção foi interrompida quatro anos depois, com a morte de Ya'qub al-Mansur, e nunca mais retomada. Em 1755, um violento terramoto reduziu o que existia da Mesquita de Hassan a ruínas, mas a Torre manteve-se, apesar de alguns estragos, firme para eternizar o legado do califa.

Hoje, a Torre de Hassan continua a ser o orgulho de Rabat, erguendo-se por entre cerca de 200 colunas numa esplanada sobre o rio Bou Regreg. As vistas da torre são altamente elogiadas.

sábado, julho 19, 2014

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Fortaleza de Pedro e Paulo, São Petersburgo, Rússia

Ao meio-dia em ponto, ressoa o disparo de um canhão do bastião Naryshkin. A tradição, apenas interrompida entre a Revolução e o ano de 1957, é cumprida religiosamente na famosa Fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo. Mas comecemos pelo início, por 1703, ano em que Pedro o Grande fundava a fortaleza e, com esta, a própria cidade. O monumento, feito originalmente em madeira, só foi reconstruído em pedra alguns anos mais tarde, por Domenico Trezzini.

A criação de Pedro que desgraçou o seu filho

A Fortaleza de Pedro e Paulo está inevitavelmente ligada a histórias de sofrimento, por um par principal de motivos: em primeiro lugar, porque, durante a sua construção, morreram centenas de homens; e, em segundo, porque a fortaleza funcionou durante quase 200 anos (entre 1720 e 1917) como uma prisão política, onde ficaram encarceradas inúmeras personalidades, tais como Alexis, filho de Pedro. A Casa do Comandante, belo exemplar barroco que é, hoje, um museu de história local, serviu neste período para interrogar e julgar os prisioneiros.

quarta-feira, julho 16, 2014

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Catedral de S. João “O Divino”, Nova Iorque, EUA: futuramente, a maior do mundo

Ao que parece, as obras inacabadas têm tendência para se tornarem autênticos ícones das cidades em que estão instaladas: vejamos o caso da Sagrada Família, em Barcelona, ou da nova-iorquina Catedral de S. João “O Divino”, que, depois de mais algumas décadas de trabalho e de recolha de fundos, será a maior catedral do mundo. Sim, o seu interior possui 180 metros de comprimento (por 45 metros de largura), ultrapassando até a Catedral de Liverpool, com “apenas” 150.

domingo, julho 13, 2014

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Nestinarstvo, a dança do fogo búlgara

Esta é uma tradição meia búlgara, meia grega, que permanece viva na sua forma mais autêntica numa aldeia dos montes Strandzha, de seu nome Balgari. É aparentemente inconcebível que um grupo de dançarinos consiga andar sobre uma plataforma de carvão a arder sem sair magoado, queimado ou, pelo menos, um pouco dorido. Mas é isso mesmo que acontece, não se sabe se por magia, ou se pelo fervor com que esta dança é executada, que se sobrepõe à dor.

Esta é, também, uma das maiores provas da profunda riqueza do folclore búlgaro, com uma forte componente religiosa. Na região de Strandzha, são realizadas actuações Nestinarstvo sobretudo na noite de São Constantino e no dia de Santa Helena. Três adolescentes carregam os respectivos ícones até uma nascente de água que supostamente os santifica e a procissão que os acompanha, liderada pelos dançarinos de fogo, percorre depois a aldeia. Sozinhos, os dançarinos dirigem-se para uma capela, onde permanecem até anoitecer e são expostos ao ritmo acertado de tambores que os deixa num estado de transe. Enquanto isso, é aceso o fogo na praça.

Quando chega a hora de dançar, devem entrar primeiramente na plataforma os mais velhos, que executam movimentos pré-definidos em direcções, também elas, pré-definidas. Só de seguida se misturam todos os dançarinos, segurando estátuas de São Constantino e Santa Helena decoradas com flores. Os gemidos de dor iniciais são esquecidos perante a grande beleza do ritual.

quinta-feira, julho 10, 2014

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Grande Mesquita de Bursa ou Ulu Camii, Turquia


Em Bursa, na Turquia, encontramos uma mesquita com uma arquitectura muito sui generis, que lhe valeu fama a nível mundial. Igualmente conhecida como Ulu Camii, a Grande Mesquita de Bursa não possui uma, nem duas, nem mesmo três, mas um total de vinte cúpulas, que cobrem os quase 4 mil m2 da sua sala de orações. Estas cúpulas são suportadas por 12 colunas apenas.

A Grande Mesquita de Bursa foi edificada entre os anos de 1379 e 1421 e, apesar dos numerosos danos e restauros de que viria a ser alvo ao longo dos anos, conseguiu manter, até à actualidade, uma significativa parte dos seus traços originais. Da sua fisionomia destaca-se, além das faustosas cúpulas, um minbar (púlpito) produzido no ano 802 da era muçulmana, que corresponde mais ou menos à viragem do século XIV para o século XV. Sobre o minbar, ergue-se um baldaquino profusamente decorado.

sexta-feira, julho 04, 2014

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As Minas de Sal de Wieliczka, Polónia

Depois de ter visitado Cracóvia – uma das mais lindas cidades polacas – vale a pena ir um pouco para sul até à cidade de Wieliczka, onde se encontram as minas de sal mais antigas da Europa.Pouca gente sabe que as minas de sal de Wieliczka (junto às de Bochnia, também situadas na Polónia) são os únicos objectos mineiros que funcionam sem interrupção desde a Idade Média até aos tempos modernos.

A exploração do sal nas minas de Wieliczka foi só interrompida no dia 30 de Junho de 1996. As minas de sal de Wieliczka foram inscritas no registo nacional dos monumentos da Polónia. Dois anos mais tarde (em 1976), foram consideradas pela UNESCO Património da Humanidade. Passear pelo mágico mundo dos túneis, lagos e capelas com esculturas de sal é uma coisa fantástica. As minas de sal de Wieliczka têm nove níveis.

O primeiro desce até 64 metros sob a terra, o mais baixo desce até 327 metros. Habitualmente, os visitantes descem sempre até 135 metros. Durante o percurso têm que percorrer 800 escadas e quase três quilómetros a pé pelos corredores estreitos.

A visita às minas de sal faz-se sempre com guia, que, durante o percurso, contará a história das minas e revelará alguns segredos do sítio. Os visitantes poderão também conhecer a lenda da Santa Kinga, que trouxe a riqueza do sal para a Polónia. De resto, os visitantes poderão admirar a beleza das esculturas de sal feitas manualmente pelos homens. A visita às minas de sal de Wieliczka é uma daquelas que não se pode perder…
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