quinta-feira, junho 05, 2014

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Salar de Uyuni, Bolívia: onde as maravilhas são a dobrar

Quando o mote é Bolívia, “natureza intocada” é uma das principais associações que nos vêm de imediato à mente. E, se fôssemos a elaborar um top dos fenómenos naturais mais espectaculares e invulgares deste país, o Salar de Uyuni ocuparia sem dúvida a primeira posição. É que este não só é o maior deserto de sal do mundo, com mais de 12 mil km2, como também se transforma, por acção da precipitação, num imenso espelho que reflecte o céu, as nuvens e tudo quanto passe na sua superfície branca e cristalina, pondo termo à “prescindível” linha do horizonte.
O Salar de Uyuni é descendente de um lago salgado pré-histórico designado Lago Minchín, que durante aproximadamente 15 mil anos cobriu a grande parte do sudoeste boliviano. Quando este secou, restaram apenas dois lagos menores (o Poopó e o Uru Uru) e duas vastas concentrações de sal, uma delas Uyuni. O sal outorga a Uyuni aquele incrível aspecto dicromático tão difundido pelos guias turísticos, que dá ao visitante a sensação de que só existe azul e branco, céu e chão, ele e esses dois elementos. Mas a verdadeira magia acontece quando chove: como a água não tem possibilidade de ser escoada, permanece à superfície e reflecte tudo à sua volta, duplicando jipes, pores-do-sol e bandos de flamingos.

A 3653 metros de altitude, o Salar de Uyuni contempla das mais diversificadas paisagens, entre elas áreas de interessantes formações rochosas, lagoas pintadas de verde, vermelho e outros tons, que advêm da tipologia de mineral em que são ricas, e campos de géiseres e nascentes termais. A certa altura, encontramos até o primeiro hotel do mundo a ser inteiramente construído em sal, o chamado Palacio de Sal.

Tal como seria de esperar, Uyuni é um ponto privilegiado do planeta no que toca à extracção e ao processamento de sal. Só a povoação de Colchani gera anualmente cerca de 20 mil toneladas, 18 mil das quais se destinam ao consumo humano. Mas a grande riqueza de Uyuni não é visível a olho nu: sob esta camada salina, encontra-se uma quantidade abissal de depósitos de lítio, que correspondem a uma percentagem situada entre os 50 e os 70% das reservas mundiais. Se fossem devidamente explorados e comercializados, proporcionariam com toda a certeza “o” boom da economia boliviana.

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