quarta-feira, maio 07, 2014

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Parque Güell, Barcelona, Espanha: o fiasco que foi um sucesso


Parque Güell, Barcelona, Espanha

Quando o grande projecto de Gaudí para o mecenas Eusebi Güell não cumpriu o seu objectivo, incorporando apenas duas das 60 casas inicialmente planeadas, ninguém adivinharia que ele se viria a converter num dos mais originais e emblemáticos espaços públicos de sempre. O Parque Güell, na capital catalã, acabou por não ser uma urbanização, mas é um total de 17,18 hectares ajardinados ao estilo inglês, com pequenos segredos e grandiosas obras de arte para descobrir em cada recanto.

Deste complexo, o símbolo mais difundido parece ser o dragão do centro da escadaria dupla, de cuja boca brota água, em virtude talvez do revestimento em trencadís que faz dele um colorido e divertido objecto. Também decorado em trencadís e muito representativo do Parque Güell é o extenso banco ondulado em torno da Gran Plaça Circular, simultaneamente a primeira colagem do mundo e a primeira grande obra da arte abstracta. A partir desta praça, que acolhe mercados e é frequentemente palco de eventos, o visitante tem deslumbrantes vistas sobre a cidade.

Parque Güell, Barcelona, Espanha

Numa outra praça, deparamo-nos com um cenário quase demasiado convencional para se poder associar à mente de Gaudí. O seu nome, Sala das Cem Colunas, é enganador: na verdade, só lá existem 86, de estilo dórico. O facto é que, com a ajuda de Güell, o arquitecto catalão inspirou-se no Santuário de Apolo, em Delfos, para produzir muita da simbologia do Parque Güell, que, até considerado na totalidade, se assemelha muito ao primeiro em termos de design.

Ainda que o Parque Güell não seja tão apetrechado como originalmente previsto, a construção durou 14 anos, entre 1900 e 1914, e o complexo só foi aberto ao público em 1922. Pelo carácter vanguardista, patente de uma forma geral em todas as obras de Gaudí do início do século XX, foi entretanto incluído na lista de Património da Humanidade da UNESCO. O próprio arquitecto escolheu lá viver, numa das únicas duas casas construídas, entre 1906 e 1926, antes de se mudar para junto da sua derradeira obra: a Sagrada Família

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