quinta-feira, maio 15, 2014

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Museu do Vasa, Estocolmo, Suécia: a história de um navio que morreu à nascença

Na capital sueca, existe um museu dedicado a um episódio que não é propriamente o orgulho da nação. Lá encontramos, quase completamente restaurado, o famoso Vasa, o navio de guerra do século XVII que naufragou logo na sua viagem inaugural, levando aproximadamente 50 dos seus tripulantes à morte. O acidente deu-se contra todas as expectativas, uma vez que, mesmo antes de lhe ser dado uso, o Vasa já era considerado a preciosidade da marinha sueca e quiçá mundial. Talvez seja esse o motivo de o seu museu ser hoje o mais popular da cidade.
 
Quando se ultimou a sua construção, em 1628, o Vasa era um navio imponente com capacidade para 450 indivíduos e 64 canhões. E, no dia 10 de Agosto, teria atingido a lotação caso a viagem inaugural tivesse sido bem-sucedida. O Vasa partiu com cerca de 150 pessoas em direcção à base de Älvsnabben, onde iria buscar mais 300 soldados, mas percorreu só 1300 metros até se afundar ao largo do porto de Estocolmo. O local preciso do incidente localiza-se a menos de uma milha náutica do actual museu.

Não é de admirar que, no século XVII, as doenças fossem causa de um maior número de mortes do que a guerra, tendo em conta que mergulhadores e soldados deveriam comer e dormir entre os canhões no convés do navio. É provável que o facto de alguns destes canhões pesarem mais do que barcos da mesma dimensão do Vasa, mais antigos, tenha sido um dos factores que propiciou o seu naufrágio. Mais de 50 dos 64 que se encontravam a bordo foram recuperados logo nos anos seguintes, mas apenas três, de bronze e com 11 kg cada, estão hoje em exibição no museu.

Foi o arqueólogo marinho Anders Franzén que, no ano de 1956, descobriu o primeiro indício do paradeiro do Vasa – um pedaço de carvalho escurecido –, dando assim início a uma intrincada expedição para encontrar o navio e o trazer de novo à tona em toda a sua plenitude. “Intrincada” porque, embora o casco se encontrasse intacto, a restante estrutura estava reduzida a uns 13500 fragmentos que não vinham com instruções de montagem nem uma fotografia que mostrasse qual devia ser o produto final, como nos puzzles. Por esse motivo é que o museu só foi aberto em 1990, ainda que o derradeiro içamento do navio tenha sido executado em 1961.

As propriedades das águas do mar Báltico, pobres em sal, permitiram que a madeira do Vasa se conservasse durante esses mais de três séculos, longe da acção dos vermes. Para além do navio propriamente dito, Franzén e o seu companheiro de busca Per Edvin Fälting encontraram não só objectos do dia-a-dia dos marinheiros, como também alimentos e bebidas. Conta-se até que Fälting provou uma porção de manteiga, que se estima que tivesse 333 anos, e que o resultado foi, no mínimo, lastimável: o mergulhador ficou com a boca cheíssima de feridas.

Sabia que…

… porque o rei que mandou construir o Vasa, Gustav II Adolf, era apelidado de Leão do Norte, a proa do navio foi esculpida com a forma de um leão?

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