terça-feira, abril 08, 2014

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Igreja Temppeliaukio, Helsínquia, Finlândia: um templo luterano dentro de uma rocha


Temppeliaukio é mais do que um nome complexo escolhido ao acaso: é a palavra finlandesa para “igreja de pedra”. E, no entanto, o edifício a que se refere nem sequer é feito de pedra. Foi, pelo contrário, construído no interior desta, que apenas deixa antever a vasta cúpula de 24 metros de diâmetro àqueles que passeiam pelo coração de Helsínquia. A igreja Temppeliaukio, de 1969, é um dos mais notáveis e originais exemplares da arquitectura moderna na Finlândia e atrai, muito possivelmente, tantos visitantes quanto a própria catedral.


O fervor turístico que envolve a igreja é, de facto, surpreendente, mas o seu papel no panorama religioso também o é. As cerimónias em Temppeliaukio estão invariavelmente repletas de gente e é lá que reúne a Igreja Internacional, com membros de dezenas de nacionalidades diferentes, que debatem em inglês sob a moderação de um pastor luterano. Por sua vez, o órgão da igreja, com mais de três mil tubos, favorece a acústica do local e permite a realização de concertos de uma qualidade irrepreensível, semana sim, semana sim.

O projecto arquitectural de Temppeliaukio, da autoria dos irmãos Timo e Tuomo Suomalainen, apresentava um edifício de cariz religioso em plena comunhão com a natureza, por se encontrar literalmente inserido na rocha. E foi executado com sucesso. A cúpula, o único elemento visível do exterior, é uma estrutura quase plana que integra uns impressionantes 23 km de fio de cobre, dispostos em espiral. Uma vez no interior, o visitante depara-se com uma planta circular e com a singela decoração das paredes, à base de frisos de granito. Os bancos dos crentes foram, por seu turno, produzidos em madeira de bétula, a árvore mais característica da Finlândia.

Vandalização a favor do Biafra

Antes de estar finalizada, a igreja Temppeliaukio gerou um aceso debate público sobre o timing e préstimo da sua construção, com algumas intervenções mais agressivas. A imprensa apelidava-a de “igreja do milhão de marcos”, enfatizando a inconveniência que era erigi-la num período em que o mundo enfrentava problemas tão graves como a crise do Biafra, e a população em geral também não via a utilidade de mais uma no centro de Helsínquia, onde já existiam tantas. Mas nem a atitude da Associação Cristã de Estudantes, que em Julho de 1968 pintou 11 vezes o termo “Biafra” na fundação de cimento da igreja e nas rochas que a cercavam, demoveu os construtores de Temppeliaukio. O edifício ficaria pronto em 1969 e, anos mais tarde, face à sua menção em mais de 200 revistas de arquitectura e aos elogios provenientes de museus um pouco de todo o mundo, nunca mais se ouviu uma palavra que se lhe opusesse.

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