domingo, abril 20, 2014

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Crónicas da Coreia - A história de uma divisão


Evidentemente, não é possível compreender o contexto social e cultural de um determinado país sem que nos debrucemos também um pouco sobre a sua história e o caminho que percorreu até chegar à actualidade. Essa necessidade é especialmente flagrante no caso da Coreia (ou, devemos dizer, Coreias?), uma vez que esta nem sempre foi constituída por duas facções de realidades e convicções tão distintas, sendo até lícito afirmar que, até 1945, formavam desde há milhares de anos uma nação homogénea. Afinal, o que esteve na origem e como se desenrolou o processo de divisão da Coreia? E – mais importante – quem foi o responsável?


O famoso paralelo 38, enquanto marcador da fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, foi uma invenção de Dean Rusk e Charles Bonesteel, que, na aproximação do final da Segunda Guerra Mundial, pertenciam à comissão de coordenação das forças terrestres norte-americanas. O objectivo da reunião, agendada para o dia 10 de Agosto de 1945, era o de discutir a aceitação da rendição do Japão e, paralelamente, o de estabelecer uma linha orientadora da operação de desarme do exército japonês na Coreia. Mas os dois oficiais supracitados (que, anos mais tarde, assumiriam o cargo de secretário de Estado norte-americano e comandante das forças das Nações Unidas, respectivamente) foram claramente mais longe.

O Japão já tinha procedido à dissolução do exército que mantinha em território coreano, unindo as tropas estacionadas a norte do paralelo 38 ao exército de Kwantung e as estacionadas a sul ao denominado exército da rota 17. Estes, com o projecto então arquitectado pelos Estados Unidos, viriam a ser desarmados pelo exército soviético e pelo exército norte-americano, numa divisão eficaz de papéis. A derrota japonesa na guerra abriu portas à fractura da Coreia, que não deixou de ser cuidadosamente estudada pelo Estado-Maior Conjunto dos EUA antes de ratificada pelo presidente Truman.

Com o conhecimento destes factos, conclui-se que a divisão da Coreia (que, é importante frisar, se deu totalmente contra a vontade do seu povo, reivindicador fervoroso da independência) foi decidida unilateralmente pelo Governo norte-americano, em consonância com os seus interesses particulares. Mas a verdade é que, se não fosse a ligação da Coreia ao Japão, a cujo imperialismo se encontrava subjugada, os Estados Unidos nunca teriam tido a oportunidade de, na recta final da Segunda Guerra Mundial, fazer prevalecer a sua vontade naquele território.

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