domingo, abril 06, 2014

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Rua do Ouro, morada temporária de Kafka em Praga

Reza a lenda que numa pequena rua de Praga, precisamente encostada às muralhas do Castelo, se concentravam os alquimistas da corte, trabalhando dia e noite nas suas poções para produzir ouro para o imperador Rodolfo II. Daí teria nascido não apenas a denominação “Rua do Ouro”, como também todo o misticismo que gira em torno da capital checa. Na verdade, os laboratórios alquímicos situavam-se na travessa de Vikárská, a alguns metros de distância, e a Rua do Ouro parece ter tido mais sucesso no que toca a inspirar génios da literatura. O nome e fama, contudo, esses já ninguém lhe tira.

Esta sucessão de casas modestas e cheias de cor começou por ser, na transição do século XV para o século XVI, o refúgio de 24 guardas arqueiros do Castelo. Foi um incêndio que, destruindo-os em boa parte, implicou a substituição gradual dos abrigos por casinhas, consentida por Rodolfo II. Ao longo do século XVII e até finais do século XVIII, foram chegando à Rua do Ouro novos habitantes, que, por serem principalmente artesãos ou ourives, reforçaram a sua designação. O problema é que a conduziram igualmente a um estado de degradação em que somente pobres e criminosos coexistiam.
Era este o panorama quando escritores que se viriam a tornar célebres decidiram instalar-se na Rua do Ouro: o primeiro foi Franz Kafka, que passou o Inverno de 1916/1917 no n.º 22, e, mais tarde, também Jaroslav Seifert, poeta vencedor do Prémio Nobel, buscou inspiração neste bairro problemático. Este deixaria de o ser nos anos 50, quando se transferiram os residentes de então para outras localizações e o local foi restaurado segundo a sua aparência original. As casas foram convertidas em lojas de recordações para turistas, cerâmica checa, vidraria boémia e todo o tipo de livros, passando a atrair um sem-fim de viajantes.

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