sábado, março 29, 2014

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Paraty, uma cidade “de ouro” no comércio colonial


Com os seus incríveis 1600 quilómetros de extensão, o Caminho do Ouro unia Minas Gerais ao Rio de Janeiro e a São Paulo entre os séculos XVII e XIX, destinando-se ao transporte de ouro e de outras mercadorias valiosas. É, como se pode calcular, um testemunho simultâneo da riqueza que estes produtos trouxeram aos senhores coloniais e do sofrimento que causaram a índios e a escravos, forçados a trabalhar nas minas, a carregar o ouro e a construir, com as próprias mãos, estradas para esse efeito.


Em Paraty, um passeio no Caminho do Ouro permite que tomemos consciência do passado de glória desta cidade, enquanto relevante porto brasileiro do século XVIII. A actividade comercial florescia em Paraty, que, graças à sua localização estratégica, era perfeita para escoar a produção de ouro de Minas Gerais para Portugal. Era através da trilha do Facão, antigo caminho dos índios guaianás para a sua aldeia, que o transporte do ouro era feito até Paraty e, mais tarde, no século XIX, também o do café oriundo do vale do Paraíba.

De forma a fazer face ao enorme movimento de mulas que subiam e desciam a trilha indígena, o Caminho do Ouro foi, logo no princípio do século XVIII, calcetado com pedras trazidas dos rios mais próximos. Hoje em dia, é impressionante como a calçada se mantém praticamente intacta, mas está, de qualquer modo, em curso um processo de restauro que a associação responsável por aquele local iniciou em 1999. Intocáveis são, no entanto, a fauna e a flora que compõem a Mata Atlântica, em redor do caminho. Quem passa raramente não ouve ou avista um tucano, um pica-pau ou até mesmo um guaxinim.

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