quarta-feira, abril 02, 2014

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Os mosteiros suspensos de Meteora, Grécia

Em grego, “meteora” significa “suspenso no ar”. Por isso, se tem medo de alturas, o melhor será parar a leitura por aqui.
À medida que nos aproximamos do extremo noroeste da planície grega de Tessália, começamos a avistar uma paisagem quase irreal: mosteiros alcandorados no topo de formações rochosas com centenas e centenas de metros de altura. Datam do período medieval e, muito embora restem só seis mosteiros dos 24 originais, continuam a servir de refúgio a monges e freiras que prezam e não abdicam do isolamento, dos momentos de calma e das vistas infindáveis proporcionadas por aquela localização.

Desde logo no ano de 985, um eremita chamado Barnabé teve a ideia de se refugiar numa gruta da região. Mas só no século XIV, quando os sérvios invadiram a Tessália e bandos de salteadores tomaram conta das terras, é que os monges ocuparam Meteora em massa. Neílos, do Convento de Stagai, construiu a primeira igreja e, em 1382, Atanásio fundava o primeiro mosteiro, que, até hoje, é também o mais alto de todos, elevando-se a 623 metros do solo. Adoptou o nome Mégalo Metéoro (Grande Meteoro) e abriga as relíquias de Atanásio na igreja principal.
Entre os séculos XV e XVI, foram erguidos outros 23 mosteiros, sempre decorados com frescos e ícones dos artistas mais ilustres de cada época. Um deles era Theophanes, um monge da escola de Creta, que foi responsável pelos magníficos frescos da Igreja de Metamórfosis do Mosteiro de Rousánou. A forma como os monges alcançavam o cume de tais torres de arenito permanece um mistério até hoje, mas existem pelo menos duas teorias: a primeira é a de que inseriam cavilhas em aberturas da rocha para içar os materiais de construção e a segunda envolve até papagaios de papel, que, em conjunto com cordas, constituíam as primeiras escadas de corda.

Vidas colocadas em perigo

O Mosteiro de Varlaám, homónimo do primeiro eremita que ali se instalou, por volta de 1350, possui precisamente uma Torre Ascensora, a partir da qual pessoas e alimentos eram içados num cesto ou numa rede. O mais assustador é que, segundo os relatos dos viajantes mais antigos, as cordas daquele sistema só eram substituídas quando rompiam.

Devido quer à rivalidade que começou a surgir entre as diversas comunidades monásticas, quer ao decréscimo do número de indivíduos vocacionados para esse estilo de vida, os mosteiros de Meteora entraram em decadência no século XIX. De modo a facilitar o acesso à meia dúzia que sobreviveu (cinco dos quais são actualmente habitados), foram construídas nos anos 20 escadas modernas e a zona conta também com uma estrada que conduz aos mosteiros principais.

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