quarta-feira, março 26, 2014

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Gruta de Camões, Macau

A obra-prima da poesia portuguesa nasceu numa gruta em Macau

Que português com o mínimo de espírito patriótico não gostaria de pisar o chão da gruta em que Camões escreveu Os Lusíadas? Ela está longe, em terras macaenses, mas carregada de histórias e lendas profundamente lusitanas. E a sua atmosfera é pesada e saudosa, tal como o poeta exilado injustamente a deixou há 500 anos atrás.


Segundo a tradição popular, Luís de Camões terá vivido ali durante dois anos, depois de expulso de Portugal em virtude de desavenças com a corte. E ali terá também nascido o maior dos seus muitos amores, inspiração de alguns dos mais célebres sonetos do poeta. Quem não se recorda de versos dedicados a uma tal de Dinamene?

Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Dinamene era uma nativa de Patane de (verdadeiro) nome Tin-Nam-Men, que, na sua língua, significava Portas das Terras do Sul – a Porta do Paraíso. Camões conheceu-a quando, mais uma vez, era obrigado a abandonar a terra que tinha escolhido como lar, embarcando na famosa Nau de Prata. Despedia-se da gruta que lhe tinha servido de casa, na amurada, quando a avistou. Mas Dinamene conhecia-o há mais tempo. Tinha-o observado discretamente e durante meses a fio na gruta, acabando por se apaixonar pelo poeta e por se sentir tentada a segui-lo até ao barco. Os dois prosseguiriam viagem juntos, vivenciando uma grande história de amor a bordo da nau, em finais do ano de 1557.

Conta a lenda que, antes de entrar na Nau de Prata, Camões foi interrogado sobre o conjunto de papéis que levava na mão. Eram Os Lusíadas. O português descreveu-os então como sendo tudo o que possuía e que deixaria, de herança, ao povo português.

O resto da história, todos conhecemos: no dia em que uma violentíssima tempestade perturbou os Mares do Sul, não tendo a Nau de Prata salvação possível, Camões e Dinamene tiveram de se separar. Ele, conseguiu chegar a terra por si só, nadando com um braço e segurando Os Lusíadas no outro; ela, teve inicialmente a sorte de ser transportada com as restantes mulheres num batel, mas acabou por desaparecer nas altas ondas.

Lenda ou não… eis a questão.

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