quinta-feira, março 20, 2014

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Chenonceau e as suas sete mulheres

Flaubert costumava descrevê-lo como algo que “flutuava no ar e na água”. É uma expressão que assenta perfeitamente na bela visão de um castelo com cinco arcos sobre o rio Cher, reflectidos nas suas águas, e extensos jardins de estilo francês em que uma pessoa “se perde” durante horas. Um monumento deixado aos cuidados de sete mulheres, que se revezaram ao longo dos séculos, não podia ser senão isto: elegante, requintado, feminino. Numa palavra, sublime.

O Castelo de Chenonceau (ou o “Castelo das Sete Damas”) foi testemunha de traições reais, teve reunidos alguns dos mais influentes escritores e filósofos do século XVIII e escapou à violência de guerras e conflitos, simbolizando sempre uma espécie de uma paz imperturbável. A história teve início em 1513, quando Thomas Bohier adquiriu o castelo, que, nessa altura, não passava de uma ruína medieval. Foi a sua esposa, Catarina Briçonnet, que o restaurou e lhe outorgou um estilo renascentista, construindo o pavilhão com torreões no lugar de um antigo moinho e uma das primeiras escadarias com lanços em França.
Vinte anos mais tarde, o Castelo de Chenonceau adquire estatuto real com a união de Henrique II e Catarina de Médicis. Mas Henrique não era homem de uma mulher só e, em 1547, entregou Chenonceau à sua amante, Diana de Poitiers, a quem se ficaram a dever os jardins e os arcos de pedra sobre o rio. A morte do rei significou uma reviravolta, exigindo Catarina a devolução do palácio e a transferência de Diana para o Castelo de Chaumont. A esposa do rei decidiu então construir, sobre os arcos, uma longa galeria italiana (a Grande Galerie) e dava bailes de máscaras e festas inesquecivelmente luxuosas no jardim que viria a ter o seu nome.
Em finais do século XVI, Chenonceau continuava a ser decorado por mãos femininas. Luísa de Lorena, ao ver-se viúva de Henrique III, mandou pintar os tectos dos aposentos reais em preto e branco, como sinal do seu luto. E em 1601, quando foi a sua vez, deixou-o de herança à sobrinha Francisca de Lorena, na altura com seis anos apenas. Francisca viria a tornar-se duquesa pelo seu casamento com o Duque de Vendôme e, como já vinha sendo apanágio das esposas, ficou sempre encarregue da boa manutenção do castelo.
Foi sob a alçada de Mme. Dupin, castelã do século XVIII, que Chenonceau se rendeu à cultura. Por aqueles corredores passaram dos mais ilustres escritores e filósofos da época e, aquando da eclosão da Revolução Francesa, o castelo foi salvo graças à sagacidade de Mme. Dupin. Por fim, já no século XIX (1863), foi a vez de Mme. Pelouze encetar uma renovação profunda do castelo, de acordo com o seu aspecto original.

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