sábado, março 01, 2014

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Os segredos de Riga, a rainha do Báltico

Dizem que os gatos pretos são sinal de má sorte… que o diga o construtor da Casa dos Gatos, em Riga, que teve uma queda mortal quando fixava as esculturas de dois no topo do edifício. Nesta cidade, os monumentos parecem ter vida própria: são mentores de novos estilos arquitectónicos, estão na origem de escândalos, acolhem sociedades emblemáticas, são berço de génios de áreas como a arquitectura e o cinema e sabem zelar pela sua existência e pelo seu bom estado. Saiba de todas as curiosidades por detrás destes expoentes da chamada Art Nouveau.


1. Casa dos Gatos

Os dois gatos de metal que encabeçam as torres deste edifício, símbolos não oficiais da cidade de Riga, já causaram mais estragos ao longo dos anos do que seria de desejar. Logo em 1909, ano em que a casa foi presumivelmente construída, foram responsáveis pela morte do seu criador, que caiu ao tentar colocá-los no lugar. E, não muito mais tarde, provocaram o maior escândalo que Riga já viu. O seu proprietário, ao ser expulso do Grande Grémio, do outro lado da rua, decidiu voltar a traseira dos gatos para este, numa tentativa de ofender os seus membros. Funcionou. E, como tal, só no final de um longo julgamento é que os gatos regressaram à posição original.


2. Grémio dos Cabeças Negras

A imagem de marca da capital letã, a fachada do Grémio dos Cabeças Negras, data de 1334. Mas foi no século XVII que este edifício atingiu o zénite, com a ocupação por parte de um popular grupo de comerciantes estrangeiros, sobretudo alemães: a Sociedade dos Cabeças Negras. Entre os grandes ídolos da sociedade, estava São Maurício, líder da Legião Tebana que fora decapitado. Não é, portanto, de admirar, que o seu símbolo fosse uma cabeça negra e que esta constasse do seu brasão de armas.
O Grémio dos Cabeças Negras não teve um percurso fácil no último século, sendo parcialmente destruído em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, e arrasado em 1948 pelos soviéticos, que o julgavam um exemplar de arquitectura germânica. Mas, em finais dos anos 90, foi totalmente restaurado e a sua antiga glória recuperada, como que por respeito ao dito medieval gravado na entrada: “Se cair, construam-me outra vez”.

3. Mikhail Osipovich Eisenstein

Mikhail Eisenstein é um nome conhecido de todos aqueles que já visitaram Riga. O arquitecto, nascido em 1867 e vindo de São Petersburgo, parece tê-la escolhido para depositar toda a sua criatividade e fazer o novo estilo modernista florescer. O resultado está à vista no denominado Bairro “Art Nouveau”, mais concretamente nas ruas Alberta, Elizabetes e Strelnieku. Mas o que nem todos devem saber é que existe uma relação entre Mikhail e Serguei Eisenstein, realizador de “Couraçado Potemkin”. O aclamado cineasta era filho do arquitecto e nasceu precisamente no n.º 6 da rua Valdemara, em Riga.

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