terça-feira, fevereiro 11, 2014

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A Páscoa em Antigua, Guatemala: das mais peculiares versões da tradição católica

É na cidade de Antigua Guatemala, vulgarmente conhecida como Antigua e testemunho vivo da era colonial espanhola e das suas tradições, que tem lugar uma das comemorações religiosas mais belas e cativantes de toda a América. Este ano, a Semana Santa celebra-se de 11 a 20 de Abril e, mais uma vez, promete ser uma fusão de cor, música, incenso… e penitência.
Durante esta festividade, cujo ponto alto se atinge na Sexta-feira Santa, milhares de locais e de turistas enchem as ruas calcetadas de Antigua para assistir às longas procissões protagonizadas por homens num invulgar traje maia roxo. Os cucuruchos, como são denominados localmente, carregam andores com gigantescas estátuas de Cristo crucificado, que chegam a pesar toneladas. Trata-se de uma tarefa árdua ao ponto de estes homens necessitarem de ser substituídos a cada 10 ou 15 minutos, mas a verdade é que nunca faltaram voluntários, tal é para os habitantes de Antigua a honra de participar no evento.
Logo a seguir aos dos cucuruchos, surgem andores com esculturas da Virgem Maria bem mais leves, transportados por mulheres vestidas de negro. Da procissão fazem também parte grupos que tocam música religiosa horas e horas a fio, sem nunca serem substituídos. E, um pouco por toda a parte, são queimadas doses de incenso que envolvem estas personagens numa nuvem de aroma intenso e inebriante. É um cenário, no mínimo, mágico.

Meses de trabalho reduzidos a pó

Mas a grande atracção da Semana Santa em Antigua não são as estátuas ou os cucuruchos, nem tão pouco é o incenso. São, sim, os extensos tapetes que cobrem as ruas da cidade, feitos de flores e serradura tingida com cores vivíssimas e, em alguns casos, também frutas, vegetais e areia. As alfombras de aserrín, como lhes chamam, medem até um quilómetro de comprimento e ocupam os crentes durante semanas ou meses, embora sejam dispostos nas ruas somente 24 horas antes do início da festividade. É lícito afirmar que este trabalho tem uma vertente de penitência, uma vez que, depois de toda a dedicação e atenção ao detalhe, os tapetes são destruídos em poucos minutos com a passagem da procissão.

A tradição das alfombras remonta à época colonial, mais concretamente ao século XVI, altura em que eram elaboradas para “almofadar” os muitos paralelos das ruas de Antigua, facilitando o acto de caminhar na cidade. Antigua é um dos muitos poucos locais na América Latina onde este costume permanece vivo, sendo que, nos dias de hoje, os tapetes se enchem de motivos romanos, maias e coloniais.

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