sábado, fevereiro 15, 2014

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A missão impossível dos Cátaros do sul de França


É ou não possível alcançar a perfeição?

Quando a cruzada albigense se deparou, em Béziers, com uma massa de homens em que não se distinguiam os cristãos fiéis a Roma, dos cátaros, as instruções de Arnaud d’Amalric foram muito simples: “Matai-os a todos… Deus reconhecerá os seus”. Pouco terá importado o facto de terem assassinado 20 mil cristãos, quando lá existiam somente 222 hereges, protagonizando um dos maiores massacres da história da perseguição religiosa. Mas, afinal, quem eram os cátaros? Quem eram estes indivíduos “puros” e “perfeitos”, cujas crenças e atitudes radicais alimentaram tantos ódios e fizeram derramar tanto sangue?
O movimento cátaro, considerado uma das maiores heresias da época medieval e profundamente condenado e combatido pela Igreja Católica, desenvolveu-se sobretudo durante os séculos XII e XIII. Em França, além de “cátaros”, estes indivíduos eram chamados de “albigenses”, uma vez que era em Albi, no sul do país, que se concentrava o maior número destes hereges. Quanto à sua origem, consta ter sido o monge Henrique que, com os seus sermões, começou a dissuadir muitos cristãos de pagar os seus dízimos e de comparecer nas igrejas – embora não fosse cátaro nem essa fosse a sua intenção.

O termo “cátaro” provém do grego katharos, que significa “puro”, sendo justamente este estado de pureza absoluta que pretendiam atingir todos aqueles que aderiam ao movimento. Ascendia-se à categoria dos “perfeitos” (da qual faziam parte, por exemplo, os bispos) através de um rito denominado consolamentum, um dos poucos do catarismo, ao qual o comum dos crentes tinha acesso somente no final da vida. E, sejamos sinceros, esta não era uma vida fácil, marcada pela abstinência: das carnes e dos seus derivados (alimentos vistos como impuros), do casamento, dos prazeres sexuais e da procriação. Ninguém recebia bênção para tais práticas, com excepção dos “perfeitos”. E até o suicídio através do jejum era bem aceite, visto que, para os cátaros, a morte representava a desejada fusão entre matéria e espírito.

Em 1209, o Papa Inocêncio III, preocupado com a rápida difusão e a violência do movimento, compôs uma cruzada com o objectivo de aniquilar não só os fiéis, mas também os promotores do catarismo. A formação da Inquisição em 1233, motivada também por esta heresia em específico, foi o golpe decisivo. Os cátaros começaram a perder as sedes do seu movimento, completamente destruídas, e a reunir-se em cavernas, florestas e nas casas uns dos outros. Mas não conseguiram sobreviver à crueldade dos inimigos. A 24 de Agosto de 1331, era queimado o último cátaro da Europa, Guilhem Bélibaste, na região francesa de Aude.

Cátaros | 25 de abril a 3 de maio 2014 | Consulte aqui o itinerário desta viagem


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