quinta-feira, novembro 14, 2013

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Al Bastakiya, Dubai, Emirados Árabes Unidos: o lado mais tradicional de um país sumptuoso

Al Bastakiya, Dubai, Emirados Árabes Unidos
 
Quem associa o Dubai pura e simplesmente a ambientes luxuosos, arranha-céus, vanguardismo e modernidade revela uma séria necessidade de visitar Al Bastakiya. Instalado na margem sul do rio Creek, este distrito histórico, pequeno em tamanho mas grande em significado, oferece aos viajantes um vislumbre do passado do emirado, das tradições e tendências arquitectónicas que o caracterizaram no início da sua existência. Um privilégio que, na actualidade, não obtemos nem dos media nem de uma passagem fugaz pelos Emirados Árabes Unidos.


Logo após a fundação daquele que consideramos o Dubai moderno, em 1833, a região começou a experienciar um crescimento impressionante do ponto de vista económico. Não é, portanto, de admirar que fosse o destino predilecto dos mais bem-sucedidos comerciantes da Pérsia, que ali desejavam viver de forma permanente. Assim nasceu Al Bastakiya, no ano de 1890… pela mão de mercadores vindos de Bastak, actual Irão, que haviam enriquecido grandemente no negócio dos têxteis ou das pedras preciosas.

Em Al Bastakiya, encontramos essencialmente antigas residências de comerciantes construídas em gesso ou em calcário, com pátios, portas de madeira cuidadosamente talhada e pormenores decorativos complexos, mas exímios. No entanto, a mais interessante e atraente particularidade destas construções são as barajeels, mais vulgarmente conhecidas como torres de vento, que, na altura, constituíam um rudimentar sistema de ar condicionado. Próprias da arquitectura do sul do Irão, estas torres foram a solução mais eficaz encontrada pelos arquitectos dos Emirados para refrescar os seus edifícios.

A salvação veio de Inglaterra

Por entre as estreitas e labirínticas ruas de Al Bastakiya vão surgindo não só estas casas e ruínas da antiga fortaleza da cidade, mas também uma mesquita mais moderna, de tom branco, e cafés, hotéis e galerias de arte abertas em anos mais recentes. Esta renovação do distrito ter-se-á ficado a dever, segundo as histórias mais floreadas, ao Príncipe Carlos de Inglaterra e à sua aclamada paixão pela arte e pela arquitectura islâmicas.

É que, num período de intensa reestruturação urbana e de aposta em grandes empreendimentos no Dubai, Carlos fez uma visita oficial ao emirado, durante a qual aconselhou que se preservasse o distrito de Al Bastakiya. Um motivo foi apontado: o imenso valor histórico e arquitectónico dos seus edifícios, que seria um crime demolir. Pouco tempo depois, a Municipalidade do Dubai lançava um programa de conservação e modernização de Al Bastakiya dirigido pelo arquitecto Rashad Bukhash. Coincidência ou não, Bukhash também tinha visto a sua antiga residência ser derrubada pelo rápido desenvolvimento dos Emirados Árabes Unidos e dedicou-se ao projecto com um afinco que outros arquitectos com certeza não demonstrariam.

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