segunda-feira, novembro 04, 2013

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Postal de Viagem enviado por Luís Larangeiro - Por terras do Conde Drácula - Passatempo de Verão 2013

  
Por terras do Conde Drácula
Quando o grupo de quarenta e quatro pessoas se encontrou pela primeira vez no aeroporto de Bucareste, para iniciar, durante vários dias, uma das Viagem Pinto Lopes, na Roménia e Bulgária, uma pequena parte deste grupo não imaginaria que iriam viver uma cena mirabolante.
Tudo correu bem durante a estadia na capital da Roménia, com particular destaque para o colossal edifício do Parlamento, que demonstra bem a megalomania de Ceausescu, o seu impulsionador, e que hoje é um ícone de Bucareste e um belo edifício, fazendo esquecer quanto sofrimento causou ao seu povo, para ser o que é hoje.
Seguimos depois para Sighisoara uma cidade medieval no coração da Transilvânia e hoje Património da Humanidade classificada pela UNESCO. Não podemos deixar de referir esta pequena mas bela cidade, pela relação com a horrenda cena que iriamos viver daí a dias.
Palácio do Parlamento de Bucareste
Almoçamos na casa onde nasceu Vlad Tepes o Empalador. Vlad foi um cruel príncipe da Transilvânia, que na luta contra os turcos na defesa do seu reinado, empalava os inimigos capturados. A lenda diz que Vlad também era conhecido como Drakula e a casa-restaurante dispõe de duas salas com uma encenação tenebrosa, onde os turistas gostam de ser fotografados, junto do caixão onde Drakula está reclinado, num ambiente obscuro, de faiscantes luzes vermelhas e reposteiros pretos.  
Nos dias que se seguiram, rumamos mais para o norte, passando pelas maravilhosas paisagens das Montanhas dos Cárpatos, com destino às terras dos belos Mosteiros, cobertos de frescos bem conservados, não só nas paredes interiores como nas paredes de fora. As paredes voltadas ao norte estão mais danificadas… As chuvas e os ventos norte fizeram os seus estragos.
No primeiro mosteiro que visitamos – Mosteiro de Moldovita – não poderemos esquecer a Irmã Tatiana que no seu “espanholês” vibrava ao explicar as cenas reproduzidas nos frescos, para onde apontava com um moderno ponteiro infravermelho. Quer pelo seu entusiasmo, quer porque a temperatura rondava os 30º C, dentro do seu hábito negro, que a cobria dos pés à cabeça, a sua cara anafada transpirava.
A Irmã Tatiana explicando...
Depois de visitarmos três ou quatro dos mais belos mosteiros da região de Bucovina, todos protegidos pela UNESCO como Património da Humanidade, voltamos para sul em direção a Brazov, a segunde cidade da Roménia, cheia de belezas naturais e uma vida intensa na simpática Praça Sfatului. Deliciamos os ouvidos com um concerto de órgão na Igreja Negra e subimos de funicular ao Mt. Tâmpa, sobranceiro à cidade, onde se tem uma panorâmica espetacular.
O Mt. Tâmpa teve uma fortaleza defensiva de Brazov, que foi atacada e desmantelada por Vlad Tepes em 1458, tendo empalado 40 mercenários.
Praça Sfatului em Brazov,  vista do Mt. Tâmpa
Continuamos para Sul em direção a Sinaia, conhecida como a Pérola dos Cárpatos, situada na encosta das Montanhas Bucegi, com paisagens de rara beleza, onde o primeiro rei da Roménia Carol I, no Séc. XIX, criou o seu retiro de verão, o Castelo de Peles. De todos os castelos da Transilvânia, este tem uma mágica única, que nos deixa sem folego… Com as suas torres esguias, as grandes salas de receção em estilo mourisco, florentino ou francês, seus tetos sem fim em madeira esculpida e seu mobiliário trazido de todo o mundo, até às suas passagens secretas, para encontros proibidos.
Durante a era Ceausescu, os 160 quartos do castelo foram utilizados como retiro privado dos líderes comunistas e homens de estado do mundo inteiro. De Richard Nixon a Gerald Ford, de Moamar Kadhafi a Yasser Arafat, de todos o ditador Romeno foi o anfitrião e os entretinha no maravilhoso castelo, que foi o primeiro da europa a ter eletricidade, aquecimento central e aspiração central.
Ao entardecer do dia seguinte tínhamos como objetivo a visita o Castelo de Bran. Este mais misterioso, sombrio e aterrador. Ficava lá no alto, voltado para a planície e de costas para a montanha, mesmo na fronteira da Wallacia com a Transilvânia.
Cerca de 1212 os cavaleiros da Ordem Teutónica construíram a primeira fortificação em madeira que foi mais tarde destruído durante a invasão mongol da Europa. Em Novembro de 1377, Luis I da Hungria concedia aos saxões de Brazov o privilégio de construírem o castelo em pedra, que começou a ser usado na defesa contra o Império Otomano e mais tarde, um posto aduaneiro na passagem da montanha entre a Wallacia e Transilvânia.
O príncipe Vlad Tepes, o “Empalador” utilizou em várias ocasiões este castelo, com fins militares durante o seu reinado no Séc. XV, e teve mesmo que se fechar nas escuras masmorras do castelo enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia.
Foi durante este período que se encerrou voluntariamente nas escuras masmorras para enganar os otomanos, e quando teve necessidade de se alimentar, transformou-se em vampiro. Durante as sombrias noites sem lua, saía do silencioso castelo, por entre as suas esguias tores, para atacar e sorver o sangue dos aldeões de Bran.

A guia romena junto da passagem secreta
Consta mesmo que numa noite escura e tenebrosa de inverno, se apaixonou por uma bela camponesa. A meio da noite, na passagem dum dia para o outro, aproximou-se da jovem que dormia tranquila e suavemente, beijou-lhe o pescoço, sorveu algum do seu sangue, injetou o seu no pescoço da donzela, que ao bater da meia-noite se transformou em vampira, e o seguiu para o resto da vida.
Todas estas histórias estavam a ser contadas pela nossa jovem guia, simpática e atraente romena, que usava um vestido negro, cujo decote salientava o seu pescoço longo e rosado, quando entramos numa pequena e acanhada sala do primeiro andar, com uma saída secreta e escura que conduzia ao terceiro andar.
A passagem Secreta
O espaço era tão exíguo que apenas quatro dos participantes do grupo se encontravam presentes e assistiram à horripilante cena. A pequena porta da saída secreta abriu-se e surgiu um cavalheiro de cartola, olhos avermelhados por baixo dos óculos escuros, que num ápice agarrou o braço da guia romena, tapou-lhe a boca e a levou pela estreita passagem. (1)
Conde Drakula
A sua semelhança com Drakula era notável.

Ficamos todos petrificados perante a cena … Foi então que a Cristina, a mais jovem do grupo, se lembrou que tinha uma cabeça de alho (2) na saca e num ato de arrojo e ousadia que só os jovens têm, subiu pela estreita e escura escada, com o alho na mão bem estendida, conseguindo que o cavalheiro que começava a transformar-se em vampiro, largasse a guia e fugisse do cheiro do alho, com os olhos esgazeados.
A guia recompôs-se, e como boa profissional, continuou a explicar ao grupo, que entretanto passou a outra sala mais ampla e não se apercebeu desta cena. Apenas a sua palidez da guia e duas pequenas marca vermelhas se notavam no seu pescoço. 

1)    Mais tarde soubemos que o Drakula estava apaixonado pela guia, e já tinha tentado mais do que uma vez, raptá-la para a transformar em vampira.

Autor
Luis Larangeiro
09.10.2013


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