terça-feira, novembro 26, 2013

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Monte Saint-Michel, França: a “Maravilha do Ocidente” nas marés mais profundas da Europa

Monte Saint-Michel, França

Se não fosse o visionarismo do ser humano, que viu numa temível ilhota granítica sem ligação a terra firme a oportunidade de criar algo maravilhoso, hoje o adorado Monte Saint-Michel não passaria disso mesmo. Mas, contrariamente, é uma deliciosa conjugação de natureza e história, de religião e crime, de prosperidade e decadência… e está no top de monumentos mais visitados em toda a França, sendo frequentemente apelidado de “Maravilha do Ocidente”. Se já atestou a sua beleza, atreve-se a afirmar que conhece bem a sua história?


Quando ainda não existia uma abadia no cimo do promontório nem a fama estava no horizonte, o Monte Saint-Michel (então Monte Tombe) era encarado pelos locais com algum medo e altas doses de superstição. Efectivamente, as marés incertas e as areias movediças em seu redor faziam daquele um lugar proibido, de dificílimo acesso, e simultaneamente aterrador, do qual nada de bom alguma vez viria. De acordo com a lenda, apenas no momento em que o arcanjo Miguel se mostrou em sonhos a Aubert, bispo de Avranches, e lhe ordenou a construção da agora célebre abadia é que a história do monte sofreu uma reviravolta.

Do século VIII ao século XIII, os edifícios do Monte Saint-Michel foram evoluindo em estilo e em dimensão, tornando-o cada vez mais célebre enquanto centro monástico e de peregrinação. A afluência assumiu tais proporções que, nos séculos XIV e XV, foram adicionadas ao complexo mais uma série de estruturas, sendo também edificada a muralha que defendia e outorgava ao monte um prestígio acrescido. Pelo seu carácter de cidadela impenetrável, repleta de labirintos e esconderijos de mil e um segredos, o Monte Saint-Michel veio quebrar todo e qualquer cânone da Idade Média sobre como deveria ser constituída uma abadia.

Uma verdadeira mescla de estilos e influências

O interior da igreja, datada do século XIII, é o melhor reflexo das eras culturais e artísticas que este complexo atravessou. Senão vejamos: enquanto o corpo das naves é puramente românico, o coro, retrabalhado entre 1446 e 1521, espelha já tendências do gótico flamejante e, finalmente, o transepto foi reconstruído no século XIX, exibindo características mais modernas.

Todo o esplendor que pairava sobre o Monte Saint-Michel foi abalado a partir do século XV por algumas mudanças de mentalidade na comunidade monástica. É que os monges, outrora símbolo da pureza e de espírito e uma autoridade moral, começavam a voltar-se para os bens materiais e a perder consequentemente grande parte da sua credibilidade. A centenária obra arquitectónica foi sendo danificada e parcialmente demolida até ao século XIX, altura em que fizeram dela uma prisão. A sua conexão à espiritualidade só regressou mais recentemente, em 1969, quando um conjunto de religiosos decidiu habitar uma parte da ilha, não acessível aos turistas.

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