domingo, outubro 06, 2013

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Postal de Viagem enviado por Nelson de Matos Ferreira - Cuba - Passatempo de Verão 2013


CUBA
(De 12 a 23 de Junho de 2013)
NOTA: A Pinto Lopes Viagens organizou uma excursão entitulada “ O MELHOR  CIRCUITO NACIONAL POR CUBA” na qual eu e minha mulher Margarida resolvemos participar. Já tínhamos tentado visitar este país nos dois últimos anos. No primeiro uma outra operadora turística, à última hora, resolveu não efetuar a viagem e no último ano quando tentei inscrever-me na Pinto Lopes já não havia lugares disponíveis. Como este país constava na minha agenda, foi com grande interesse e curiosidade que me preparei para esta viagem.
Como amante que sou da história, considero que a primeira fonte deste trabalho foi aquilo que aprendi através da leitura de livros referentes aos acontecimentos que vão da época precedente à independência até ao período que chega aos nossos dias. A outra fonte foi a busca peregrina que fiz através da web, principalmente a Wikipédia, para completar biografias, descrições das cidades, datas, locais e outros assuntos.

Desta vez é a valer
Se há um ir e voltar
Visitar a Ilha de Cuba
Era sonho a realizar

Foi à terceira tentativa
Pois não há duas sem três
Goradas as primeiras duas
Esta, penso, que é de vez

A muitos ouvi contar
“Estórias” sobre este país
Que resolvi visitar
P´ra avaliar o que se diz

“Uma pobreza franciscana”
“Degradação por todo o lado”
“Como é que foi possível
Chegar Cuba a este estado?”

E mais acrescentaram
Que tinham ouvido falar
Que só iríamos ver
O que lhes interessava mostrar

Nada há como ir ver
Perante tais afirmações
Ficamos assim sem dúvidas
E tiramos conclusões

1º  DIA – 12/06/2013 (quarta-feira)
MEALHADA/CANTANHEDE/LISBOA/MADRID/HAVANA


- Da área de serviço Mealhada/Cantanhede às 06H30 arrancámos para Lisboa. Tanto o guia Tiago Gonçalves, como o motorista Sr. Sá eram já nossos conhecidos de excursões que tínhamos feito anteriormente. O primeiro numa viagem que efetuámos a Israel e Jordânia e o segundo numa viagem que fizemos a Marrocos.
- Breve paragem técnica em Pombal e às 09H30 já estávamos em Lisboa. O grupo era constituído por 23 pessoas.
- Um pequeno avião da Air Europa levou-nos de Lisboa às 11H27 até a Madrid onde chegámos às 12H20 (horas portuguesas).
- Às 15H00 (hora portuguesa) um outro avião da mesma companhia aérea com cerca de 400 lugares levantou voo. Às 17H00 foi servido o almoço e às 22H15 um pequeno lanche.
- Às 00H35 (hora portuguesa) chegamos a Havana onde descemos no terminal nº 3. 
-Entretanto, atrasámos o nosso relógio 05H00 pelo que a hora local nesta altura era as 19H35. Estava a começar a anoitecer.
- Apresentou-se o guia cubano de nome Mário.
- Mário deu as boas vindas e informou que o nosso grupo se iria chamar “Família” e acrescentou que o motorista de nome Eduardo era a peça mais importante do grupo dado que é ele que nos iria conduzir no nosso percurso em Cuba.

O Tiago Gonçalves
É o coordenador oficial
Eduardo é o motorista
E o Mário o guia local

Cuba, é um país constituído por uma Ilha Grande muito comprida (+/-1.300 km), por uma ilha mais pequena (Isla de la Juventud) e por milhares de pequenas ilhas (cayos) e recifes. É banhada ao norte pelo Oceano Atlântico e ao sul pelo mar das Caraíbas. A sua área total é de 110.922 km2 e tem uma população de cerca de 11 milhões de pessoas. Havana é capital do país com cerca de 2,5 milhões de habitantes. Santiago de Cuba é a segunda maior cidade.
A Ilha Grande é formada principalmente por planícies onduladas, com colinas e montanhas. O clima é tropical, embora temperado.

Cuba foi descoberta por Cristóvão Colombo, em 1492. A ocupação da ilha foi um dos primeiros passos para a colonização do país. De início os trabalhos nas plantações contavam com mão-de-obra escrava indígena, que em determinado momento começou a ficar escassa, devido a vários fatores, como doenças, maus tratos e extermínio. Diego Velázquez, primeiro governador espanhol em Cuba, começou então a substituir os nativos por escravos africanos.
No último quarto do século XIX começaram a aparecer movimentos independentistas que desencadearam várias revoltas contra os espanhóis. Estas lutas estenderam-se até 1898, ano em que a marinha dos Estados Unidos, que apoiava os separatistas,  aniquilou na baía de Santiago a frota espanhola. Com esta derrota, em 10 de Dezembro de 1898 a Espanha teve de reconhecer a independência de Cuba.
Entre 1953 e 1959 ocorreu a Revolução Cubana, que removeu a ditadura de Fulgêncio Batista.
Politicamente, Cuba é um país socialista.
Cuba é vítima de um embargo, comercial e financeiro, de iniciativa dos Estados Unidos que foi instituído em 1962. Este embargo económico, na opinião de muitos economistas, ao contrário de alcançar o que se pretendia, acaba por fortalecer ainda mais o governo local, pois  transforma o próprio povo, que poderia ser um grande aliado contra o governo comunista, no principal inimigo da nação que impõe o bloqueio. É uma situação que permanece controversa e é formalmente condenada pelas Nações Unidas. Essa resolução da Assembleia Geral da ONU, no entanto, não tem força legal para ser imposta contra seus detractores.

- Informou que existe em Cuba duas moedas em circulação, o CUP e CUC, e que amanhã se debruçaria sobre este tema. A moeda que os turistas utilizam é o peso cubano convertível (CUC) que ronda +/- 1,30 Euros, que poderíamos adquiri-los nos hotéis ou nas “CADECA” (casa de câmbio) que proliferam pelas diversas cidades.
- Adiantou que 25 pesos cubanos (CUP) fazem 1 peso convertível (CUC) e este por sua vez tem a mesma cotação do dólar.
- O hotel onde ficamos em Havana é o “Ocidental Miramar” localizado no antigo bairro dos Milionários agora apelidado de bairro dos Embaixadores, por nele se encontrarem a maior parte das embaixadas acreditadas no país.
- Trata-se de um hotel de 4 estrelas, com um belo complexo de piscinas.
- O jantar foi servido no hotel em bufete.

2º DIA -13/06/2013 (quinta-feira) – HAVANA


- Despertar às 07H30 e saída do hotel às 09H00.
- Tal como prometera Mário começou por falar das duas moedas existentes em Cuba.

A moeda corrente é o CUP (peso cubano).Cuba era apoiada pela União Soviética e pelos países que gravitavam à sua volta. Em 1989 dá-se a queda do Muro de Berlim e consequentemente a desagregação do bloco de leste. Cuba deixou de receber apoios destes países e passou por uma grave crise económica e social. Deixou de haver quase de tudo.

Houve então necessidade de mudar de estratégia e o turismo foi a solução encontrada, para obter as necessárias divisas que o país necessitava. A ilha abriu as portas aos turistas estrangeiros, os únicos que poderiam trazer moeda forte. Foram criadas lojas destinadas só para turistas, onde não imperava o racionamento existente na altura e onde se poderia comprar de tudo em moeda estrangeira.
Como consequência passou a haver um mercado negro de câmbio, embora fosse proibido ao cubano comum possuir divisas. A despeito disso, um número cada vez maior de cubanos começou a acumular moeda estrangeira e a comprar, por intermediários (ex. um turista amigo), produtos nas lojas destinadas aos turistas.
Para controlar toda esta situação o governo criou o CUC (peso cubano conversível ou convertível) com paridade cambial em relação ao dólar americano. O peso conversível era para ser utilizado apenas por turistas que visitam a ilha, ficando as divisas nos locais autorizados.
Esta é a razão principal que deu origem à existência de duas moedas em circulação em Cuba, ou seja uma moeda para turistas e outra para os locais. Hoje tanto o CUP como o CUC podem ser utilizados por todos os cubanos, desde que os possuam.
Em Cuba pode-se pagar e comprar tudo em pesos convertíveis. O dólar americano é o menos desejado, apesar de cambiado em alguns bancos mas sujeitos a taxas extras. Os cartões de crédito e travellers cheques emitidos nos USA não são aceites. O Euro é aceite em todo o lado.
À saída, uma vez que os CUC não têm qualquer valor fora do país, podem-se cambiar os que sobraram pela moeda do país de origem.
Disse que este era um dos problemas com que se debate esta economia dupla, mas que existe uma equipa ministerial a tentar resolver o problema.

- Começámos por visitar a Praça da Revolução cuja construção foi feita ainda no regime de Fulgêncio Batista (1952/1958). Inicialmente foi batizada com o nome de “Plaza Cívica “passando mais tarde a “Plaza de la Revolución” após a vitória castrista em 1959. Trata-se de um lugar emblemático e de visita obrigatória não só pela sua importância histórica, mas também pelo simbolismo que carrega.
- Na parte cimeira da praça encontra-se o memorial a José Martí constituído pela estátua do próprio e por uma torre com 142 metros de altura.
- Quase em frente a esta estátua encontramos, nos edifícios do Ministérios do Interior e da Informática e Comunicações, duas esculturas em arame de bronze de Ernesto Che Guevara e de Camilo Cinfuegos de autoria do artista plástico Enrique Ávila.
Sobre os bustos do primeiro a célebre frase “Hasta la Victoria siempre” e do segundo  “Vas bien Fidel” em alusão à resposta dada ao líder histórico da Revolução, Fidel Castro, quando, no acto onde declarou que o quartel de Columbia seria transformado numa escola, lhe perguntou: Camilo, eu vou bem?”.
- É aqui que se realizam as festas populares e as grandes manifestações de apoio ao regime, onde Fidel Castro proferia os seus célebres discursos de horas.
- Foi também neste local que os papas João Paulo II e Bento XVI celebraram missas campais em 1998 e 2012, respetivamente.

Pela Praça da Revolução
Iniciámos o nosso percurso,
Onde Fidel falava às “massas”
Longas horas de discurso.

Foi também neste local
Que o Papa João Paulo II
Rezou missa campal,
Facto, que espantou o mundo


Os viajantes PLV, Nelson e Margarida, na Praça de Revolução em Havana


José Martí  (1853-1895) foi o grande mártir da independência de Cuba, sendo considerado um herói nacional. Foi o criador do Partido Revolucionário Cubano.
Iniciou sua participação política escrevendo e distribuindo jornais com conteúdo separatista no início da Guerra dos Dez Anos. Em 19 de Maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, foi atingido e veio a falecer, com 42 anos de idade. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, foi exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago.

Ernesto Guevara de la Sena conhecido por Che Guevara  nasceu na Argentina em  1928 e morreu na Bolívia em 1967.
Médico foi um dos ideólogos e comandantes que lideraram a Revolução Cubana  (1953-1959). Participou até 1965, na reorganização do estado cubano, foi presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria.
Convencido da necessidade de estender a luta armada revolucionária a todo o terceiro mundo, Che Guevara impulsionou a instalação de grupos guerrilheiros em vários países da América Latina. Entre 1965 e 1967, lutou no Congo e na Bolívia, onde foi capturado e assassinado, apenas com 39 anos de idade, pelo exército boliviano, diz-se que, em colaboração com a CIA.
A sua figura desperta grandes paixões e converteu-se num símbolo de importância mundial. Para muitos dos seus partidários, representa a rebeldia e a luta contra a injustiça social.

Camilo Cinfuegos (6 de Fevereiro de 1932- 28 de Outubro de 1959) ao lado de Fidel Castro, Che Guevara e Raúl Castro, foi um dos principais líderes da Revolução.
Morreu vítima de um acidente de avião, durante um voo de Camaguey para Havana. O pequeno avião de Camilo desapareceu no oceano, o que causou grande impacto em toda a população, que durante vários dias procurou algum vestígio do líder guerrilheiro, sem obter sucesso. Rapidamente, Cienfuegos se tornou um dos mártires da revolução. Prova disso é que todo dia 28 de Outubro, as crianças cubanas jogam flores ao mar, em sua homenagem.

- Seguiu-se visita à Fábrica de Rum Legionário no Município do Cerro em Havana.

Seguimos para a Fábrica de Rum
Onde foi bem explicada
A fabricação desta bebida
Por muitos apreciada

- Este município encontra-se num estado avançado de degradação. Aqui e ali, nota-se um esforço de recuperação de alguns edifícios, mas na sua grande maioria estão quase todos a precisar de obras de beneficiação.
- Mário continuou com a sua descrição: antes da revolução Havana tinha um milhão de habitantes, pouco depois quase triplicou. A revolução trouxe as pessoas da província para a capital. Toda a gente vinha para Havana, porque era aqui que havia de tudo, hospitais, escolas, universidades, empregos, etc. As casas, abandonadas pelos colonos, foram então ocupadas por essas famílias, que aleatoriamente e de acordo com as suas necessidades, abriam indiscriminadamente portas, janelas, etc., alterando na maioria desses edifícios a sua traça inicial.
- Paragem na Praça do Capitólio cujo edifício, que foi a sede do governo de Cuba após a Revolução em 1959, se encontra em obras de restauro, preparando-se, para receber o parlamento cubano que para aqui, segundo consta, se vai transferir.
- É um dos pontos turísticos mais importantes da cidade. O seu desenho foi inspirado no Capitólio dos Estados Unidos em Washington.
- Os edifícios apalacetados em frente ao Capitólio também estão muito deteriorados.
- Muito movimento, muitos táxis, carros antigos, charretes puxadas por cavalos, motos, motorizadas, etc.
Na Praça do Capitólio
Houve uma breve paragem
Seguiu-se o Mirador da Baía
Para admirar a paisagem

- Para chegar ao Mirador tivemos que atravessar um túnel que passa por debaixo da Baía com um comprimento de 733 metros e a uma profundidade de 14 a 16 metros. Foi construído pelos franceses nos anos 50. Diz-se que o seu custo foi pago com açúcar, dado que naquela época, devido à 2ª guerra mundial, era artigo escasso na Europa.
- No Mirador encontra-se o “Castillho de los Tres Reys” construído não só para detetar a aproximação de um qualquer inimigo, mas também para o repelir, uma vez que se encontrava  devidamente equipado com maquinaria bélica da época.
- Deste local avista-se uma maravilhosa paisagem sobre a baía e a cidade de Havana.

Foto tirada do Castelo dos Três Reis sobre a baía e a cidade de Havana
- Almoço no restaurante “El Rancho La Finca”, no bairro onde se encontra a embaixada Portuguesa. Esta refeição teve a companhia de um conjunto típico musical.
- Seguiu-se depois passeio por “La Havana Vieja”, a zona que mais gostei nesta cidade. Trata-se da sua parte mais antiga, declarada Património da Humanidade pela Unesco.
“La Habana Vieja” possui casas, palácios, bares, restaurantes, museus, muitas galerias de arte e igrejas com arquitetura em diversos estilos, representando os vários períodos e influências na cidade.

Percorremos Havana “Vieja”
Que apesar da sua idade
Mantem na sua beleza
O colar de “ joia da cidade”

- As quatro principais praças de Habana Vieja são:  Plaza de Armas, Plaza Vieja, Plaza de San Francisco de Assis e Plaza de la Catedral, que visitámos. Estão muito  próximas uma das outras.
- Visita à Bodeguita del Medio onde bebi uma cerveja e comprei um charuto.
Trata-se de um bar histórico que faz parte da boémia cubana. É pequeno e a maioria dos clientes bebe um copo de pé, junto ao balcão, ouvindo música cubana interpretada por um conjunto privativo. Era frequentado por gentes da alta que se reuniam ali para apreciar um “mojito”, e ficou ainda mais famoso depois da Heminway ter escrito “My Mojito in La Boguedita, My Daiquiri in El Floridita”.
Nas paredes de La Bodeguita há uma grande foto de Fidel Castro com Hemingway e várias outras fotos de personalidades que por aqui passaram. As paredes também estão “decoradas” por uma infinidade de mensagens deixadas por visitantes ilustres ou anónimos.

O “mojito e o daiquiri” são dois cocktails criados nos dois bares mais emblemáticos da capital cubana “La Bodeguita del Medio” e “El Floridita”.O Mojito é feito com rum, hortelã, açúcar, limão e soda o Daiquiri é feito com rum, frutas cítricas ( preferencialmente sumo de limão) e açúcar. As suas criações, nestes bares, são no entanto contestadas.
Ernest Hemingway foi um escritor norte-americano laureado com o Nobel de Literatura em 1954. Trabalhou como correspondente durante a Guerra Civil Espanhola, finda a qual se mudou para Cuba residindo durante algum tempo no Hotel Ambos Mundos em Havana. Permaneceu na ilha durante 20 anos. Em 1960 regressou aos Estados Unidos para um ano depois se suicidar.

3º DIA – 14/06/2013 (sexta-feira) – HAVANA/GUAMÁ/CINFUEGOS 

Adeus a “La Havana”
Adiante te tornaremos a ver
Vamos partir para leste
Para mais Cuba conhecer

- Saída de Havana às 08H55 em direção a Guamá que dista cerca de 160 Km da capital.
- Pelo caminho íamos vendo memoriais de locais onde tinham sido mortos cubanos pelas formas invasoras na chamada guerra da Baía dos Porcos.
- Mário fez um breve resumo do que foi esse acontecimento:

Em 1961 um grupo de exilados cubanos apoiados pelos Estados Unidos tentou a invasão de Cuba, tendo sido derrotados pelas forças de Fidel Castro. Ao longo de 72 horas, a luta desenvolvida em vários lugares teve como palco principal a Playa Girón, que foi o único local que foi ocupado pelos invasores.


- Guamá está situada na Península de Zapata. Trata-se de uma das zonas mais selvagens de Cuba, que inclui no seu interior um pequeno complexo turístico. O seu nome provém dum chefe taíno, tribo que habitava a região, que chefiou a resistência aos colonizadores espanhóis em 1530.
- Começámos por visitar viveiros de crocodilos, separados conforme as suas idades. De realçar a existência de” infantários” de bebés crocodilos, que à nascença têm que ser
separados para não serem comidos pelos adultos.
- Tudo muito bem arranjado e limpo. Tendas de artesanato, bar onde não falta conjunto típico. Há também uma recriação da feitura de carvão, muito usual na época.

Em Guamá os viveiros de crocodilos
Foi a primeira coisa a ver
E houve senhoras que temeram
Que eles as fossem morder


Viveiros de crocodilos em Guamá
- Seguidamente numa lancha a toda a velocidade navegámos através da “Laguna del Tesoro” (água doce), assim chamada porque se diz que os taínos lançaram à água todas as riquezas que possuíam para as esconder dos espanhóis, para chegar a uma ilhota onde foi feita a reconstituição de uma aldeia taína. É uma zona pantanosa com muitos mosquitos e por onde se caminha por passadiços de madeira.
- Trata-se de um lugar muito bem tratado e de grande beleza. Aqui estão retratadas, todas as atividades daquela população indígena em esculturas de autoria da artista cubana Rita Longa.
 Passámos por uma cabana com folclore e cantares locais. No final, encontrámos um bar onde se bebeu uma bebida e quem quis petiscou jacaré grelhado. Passámos por uma cabana com folclore e cantares locais. No final, encontrámos um bar onde se bebeu uma bebida e quem quis petiscou jacaré grelhado.

Escultura de um nativo taíno capturando um crocodilo



Cartaz publicitando o Bar Índio na Aldeia Taina

A reprodução da aldeia Taína
A todos deixou espantados
Imaginar como vivia aquele povo
Antes de ser exterminado

- Almoço no restaurante “Pio Cua”.
- Seguidamente seguimos para Cinfuegos através de uma estrada, que já tínhamos visto na Rússia, feitas de lajes de cimento um pouco desalinhadas que provocavam uma trepidação constante. Passámos por aldeias com casas muito degradadas e com ruas laterais de terra batida, que em tempos já tinham sido alcatroadas.
- Pelo caminho vamos vendo cartazes com “slogans” revolucionários por todo o lado.
- Chegada a Cinfuegos às 15H45.

Cinfuegos é uma cidade que foi fundada em 1819 pelos franceses que fugiram do Haiti na sequência de uma revolta dos escravos que levou à sua independência em 1804. A grande maioria foi para Cuba tendo escolhido as terras altas do Escambray para cultivar café.
Cidade costeira localizada na baía com o mesmo nome, apresentou-se-nos toda alegre e asseada
.

- Começámos por visitar o Teatro Tomás Terry , depois passámos para a Plaza Mayor, onde se encontra o Km zero e seguidamente passeámos pela sua bonita  boulevard, muito movimentada a fazer-nos lembrar as cidades do sul de Espanha.

Em Cinfuegos fomos ao teatro
Passeamos pela sua boulevard
Estivémos na Praça Mayor
Com um calor de rachar.
Plaza Mayor de Cinfuegos
- Às 17H15 já estávamos no Hotel Jágua. Distribuídos os quartos fomos de imediato para o Palácio de Valle, vizinho do nosso Hotel. Subimos ao seu terraço, donde se podia avistar uma bonita paisagem sobre a 3ª maior baía de Cuba a baía de Cinfuegos.
No terraço do Palácio de Valle
Admirámos, não só a Baía
Mas aquela construção
Que agora se já não fazia
Palácio de Valle
- Há saída do Palácio encontrámos um casal de portugueses do concelho do Bombar-ral, que estão emigrados no Canadá e que todos os anos vêm a esta cidade visitar um médico amigo cubano, que esteve na guerra de Angola.
-O jantar foi servido no Palácio de Valle com música, findo o qual fomos para a zona das piscinas.

4º DIA – 15/06/2013 (sábado) – CINFUEGOS/TRINIDAD/SANCTI SPIRITUS

- Às 08H50 abandonámos Cinfuegos, para rumar à cidade mais colonial de Cuba: Trinidad a 85 Km, onde chegámos às 10H15.
Trinidad tem cerca de 50 000 habitantes e possui um centro histórico muito impor-tante, donde sobressai a atmosfera colonial outrora existente. A sua bonita Plaza Mayor é dominada pela imponência da Igreja da Santíssima Trinidad.

A olaria “La Casa del Alfarero”

- Começámos por visitar uma olaria “ La Casa del Alfarero” do senhor Azariel Santander.
- O nosso guia Mário informou-nos que devido à qualidade dos seus produtos, reconhecidos internacionalmente, foi-lhe permitido pelo regime trabalhar por conta própria, quando o resto das casas comerciais foram todas nacionalizadas.


Começámos pela olaria
Fomos ao centro da cidade
Que a Unesco classificou
Património da Humanidade


- De seguida fomos visitar o Museu Municipal de Trinidad Palácio Cantero. Trata-se de um palácio que pertenceu outrora a um tal Senhor Justo Cantero. Depois da sua morte teve vários proprietários. Foi armazém de tabaco e por fim Escola de Artes e Ofícios. Em 1960 , com a nacionalização de instituições cívicas a propriedade passou para o go-  verno cubano, que o transformou no museu, que agora visitamos.
 - Avançámos seguidamente para a Praça Mayor e visitámos a Igreja da Santíssima Trindad, onde há um altar consagrado a Jesus Cristo da Paciência.

La Plaza Mayor de Trinidad

Na Igreja da Santíssima Trindade
Viemos encontrar
Um Jesus Cristo da Paciência
De que nunca tinha ouvido falar
Seguiu-se a prova da Canchanchara
Com acompanhento musical
E logo a seguir o almoço
Num restaurante estatal

- Fomos de seguida para o bar típico “La Canchanchara” onde ao som de música de um conjunto típico, bebemos uma canchanchara (bebida feita com mel, limão, gelo, água e aguardente).
- O almoço foi no restaurante estatal “Plaza Mayor” que como vem sendo habitual te-ve acompanhamento musical, donde sobressaiu uma flautista cubana.
- A seguir ao almoço deu-se uma volta pela feira de artesanato de Trinidad.
- Às 14H15 avançámos para o “Valle de los Ingenios” para visitar as ruínas da antiga fazenda Manaca Iznaga, donde sobressai não só uma torre de 7 andares que o Sr. Iznaga mandou construir para observar a sua fazenda e ver os seus escravos a trabalhar, mas também a casa de repouso que possuía na fazenda.
- Esta torre que tem 7 pisos tornou-se o símbolo da província.




A torre Iznaga e a sua casa de repouso na fazenda

Imaginei-me o Sr. Iznaga
Mas não passei do quarto andar
Quando observava as propriedades
E os seus escravos a trabalhar

- Vamos a caminho de Sancti Spiritus e podemos ver os campos cultivados: cana-de-açúcar, arrozais, milheirais e muitas árvores de fruto.
Nesta região fomos vendo
Tudo muito bem cultivado
Cana-de-açúcar, milho, arroz
Árvores de fruto e muito gado

- Chegámos a Sancti Spiritus às 16H00 da tarde. Ficámos instalados no Hotel Plaza mes-mo no centro da cidade e no largo principal. Distribuídos os quartos no hotel, que não tinha elevador, demos uma volta pela boulevard no centro da cidade e pelas zonas vizinhas.
Trata-se de uma cidade com cerca de 80.000 habitantes. Como é normal nestas cidades cubanas há uma zona moderna, chamada boulevard, com casas comerciais, bares, centros culturais e com muitas estátuas metálicas nas ruas. Trata-se de uma zona limpa e com movimento razoável. Demos uma volta pelas imediações e fomos à igreja local onde nesse momento estava a ser celebrada uma missa. Em frente ao Hotel há uma praça muito airosa com sombras de árvores e muitos bancos e onde passámos algum tempo até chegar a hora do jantar.
- Depois da refeição, novo passeio pela boulevard e observação da animação que havia no largo fronteiriço ao Hotel.
- Disseram-nos que todos os sábados se realizava festa idêntica.
Boulervard de Sancti Spiritus
- Como o meu quarto dava para o largo tive alguma dificuldade em adormecer devido à animação musical.

No Largo em frente ao Hotel
Houve música e dança a valer
Que se prolongou pela noite fora
E não nos deixou adormecer

5º DIA – 16/06/2013 (domingo) – SANCTI SPRITUS/CIEGO DE AVILA/CAMAGUEY

- Como hoje é domingo e houve “festança” até altas horas da madrugada o dia acor-dou com uma paz celestial. Da varanda do quarto do hotel não se via viva alma. Aqui e além um carro a passar.
- Saída às 08H50 partimos para Ciego de Ávila.
- Volvidos alguns quilómetros entrámos na “ carretera central” construída nos anos 1927/31 e que atravessa toda a Cuba passando pelas principais cidades. Tem cerca de 1.200 Km no seu total.
 - Através do percurso fomos vendo os canaviais ainda com pequena altura dado que o seu corte se realiza em Dezembro. Viram-se também pastagens com gado bovino e ca-prino. Segundo o guia é uma zona de coqueiros, mangueiras e ananases.
 - Chegada a Ciego de Avila às 10H40.

Ciego de Ávila é uma cidade  com uma população de cerca de 106.000 habitantes.
É um grande centro comercial, de transporte e industrial de uma próspera re-gião pecuária e açucareira.
- Estacionámos no Parque Martí e começámos por visitar a Catedral de San Eugénio de la Palma Patrón para de seguida passearmos pela sua Boulevard, muito movimentada e com muitas casas comerciais.
- Prosseguimos a nossa viagem e chegamos a Camaguey cerca das 13H00. Os edifícios à entrada da cidade também  se encontram num estado de deterioração muito avançado.
Camaguey é a terceira cidade de Cuba com cerca de 300.000 habitantes. Ruas mui-to estreitas, muita confusão. É a cidade dos “portales” (arcadas) que servem para percorrer grandes distâncias sem ser molestado pela chuva/sol.
É a terra do ananás (piña).
Camaguey também é nome da maior província de Cuba.
- Almoço no restaurante “La Campana de Toledo” que como tem sido hábito teve um conjunto musical a acompanhar.
- Mário disse que nesta zona nota-se, na qualidade de vida dos locais, uma diferença para melhor, resultante do turismo.
- A seguir ao almoço passeio de Bici-táxi pelo centro histórico de Camaguey
Passando por Ciego de Ávila
Chegámos a Camaguey
Onde um passeio de bici-táxi
Foi “feito” que experimentei
Conduzidos pelo Yuri
Que além de pedalando
Ia dando informações
Por onde íamos passando
- O motorista do meu táxi era um rapaz de +/- 30 anos de nome Yuri que ia dando informações pelos locais por onde íamos passando. Breve paragem na Praça del Carmen para ver a igreja do mesmo nome e tirar umas fotos, junto das estátuas que estão na praça de autoria da artista cubana Marta Jimenez cujo “Estudio Taller” visitámos.

Margarida e o condutor do bici-taxi Yuri
- Continuação do percurso de bici-táxi passando pelas Praças Ignacio Agramonte, Praça do Teatro Principal e Praça dos Trabalhadores. Em todos estes locais houve uma pequena paragem para fotos.
- Notam-se obras de restauro em muitos locais por onde passámos.
- Às 16H00 já estávamos no Hotel, que ficava situado numa zona pedonal.
-Pelas 18H00 demos um passeio pela rua do hotel. Como era domingo o comércio estava fechado. As ruas limítrofes estavam todas em obras.
- Tivemos de regressar ao Hotel porque o tempo começou a ameaçar temporal.
- O jantar foi servido no 5º andar em buffet, findo o qual fomos até ao seu terraço admirar a paisagem noturna da cidade.

6º DIA – 17/06/2013 (segunda-feira) – CAMAGUEY/GUARDALAVACA

- Saída de Camaguey às 08H40.
- Pelo caminho vislumbram-se grandes planícies. A grande maioria da população desta zona  dedica-se à criação de gado e à agricultura.
Vamos para Guardalavaca
A segunda praia cubana
Que a seguir a Varadero
Também tem muita fama
-Chegada a Guardalavaca às 13H45. Ficámos alojados no Hotel Brisas em regime de “tudo incluído”.
No programa “tudo incluído”
Neste resort de categoria
Come-se e bebe-se à discrição
A qualquer hora do dia
- À entrada colocam-nos uma bracelete que significa estarmos registados naquele hotel.
- O resort tem muitos bares e restaurantes espalhados por diversos locais. Há também ginásios, salas de jogos, campos de ténis, salas de música, piscinas, palco onde se realizam os mais diversos espetáculos musicais, passagens de modelos, bailados, teatro, concursos diversos, etc. e outras diversas atividades.
- Na praia vai passando um empregado que vai perguntando aos banhistas se querem alguma bebida. Em caso afirmativo ele vai buscar sem que se tenha que pagar, pois está tudo incluído.
- As bebidas mais consumidas pelos banhistas são a cerveja, a “Piña Colada” e a “Cuba Livre”

“Piña Colada” é uma bebida que tem por ingredientes rum, leite de coco, sumo de ananás, canela e gelo, enquanto que a “Cuba Livre” tem rum, sumo de limão, gelo e cola.
- A seguir ao almoço servido em buffet e com toda a sorte de comidas e bebidas, demos um ligeiro passeio pela zona das piscinas.
- Seguiu-se uma ida até à praia do hotel onde tomámos banho. Água morna e com pouca ondulação.
- A praia tem também vigilantes e Cruz Vermelha Cubana.

A zona das piscinas no resort de Guardalavaca
- Ao jantar comi paelha com gambas grelhadas. Na esplanada da piscina, assisti a um programa de variedades, com um conjunto cubano seguido de uma representação teatral.

7º DIA – 18/06/2013 (terça-feira) – GUARDALAVACA

- Aqui tivemos todo o dia para usufruir deste pequeno paraíso.
- De manhã fomos até à praia. Havia muito vento, o Sol estava envergonhado, a atmosfera está abafadiça e o mar apresenta-se sem ondulação e com águas quentes.
- Depois de almoço houve sesta e para não variar fomos novamente para a praia.
- A seguir ao jantar fomos de novo para a zona das piscinas onde houve espetáculo musical e passagem de modelos.

8º DIA – 19/06/2013 (quarta-feira) – GUARDALAVACA/BAYAMO/COBRE/SANTIAGO

Adeus Guardalavaca
Gostei muito de ti
Vou partir para Santiago
Que está esperando por mim
- Às 08H55 partimos para Bayamo que dista cerca de 150 Km de Guardalavaca.
- Pelo caminho o nosso guia Mário falou-nos um pouco desta região e da histórica cidade que iríamos visitar.

Bayamo é uma cidade  capital da província de Granma, com uma população de cerca de 125.000 pessoas. Trata-se da segunda cidade que foi fundada em Cuba, depois de Baracoa. O primeiro cemitério de Cuba foi aqui construído.
Em tempos foi um centro espanhol de grande importância de comércio de escravos. Foi palco de grandes acontecimentos políticos.
Os fazendeiros cubanos estavam impedidos de comercializar os seus produtos directamente, uma vez que os espanhóis tinham o monopólio de tudo. Por isso, nesta
localidade  foram realizadas  reuniões conspirativas, através das lojas maçónicas inspiradas na revolução francesa, que deram origem à  guerra da independência (conhecida por guerra dos 10 anos). É considerada o berço da nacionalidade cubana. Aqui nasceram os símbolos da pátria: a primeira constituição, a bandeira nacional e o hino. Foi também nesta cidade que os independentistas formaram o primeiro governo para as zonas libertadas e escolheram o 1º Presidente da República Carlos Manuel de Céspedes.
Ficou marcada na história por em 1869 os seus habitantes em vez de a entregarem aos espanhóis que a cercavam, resolveram incendia-la. Por isso é uma cidade onde não se veem vestígios antigos.
A sua importância comercial está na indústria de refinação de açúcar.
Carlos Manuel de Céspedes (1819/1874) foi um fazendeiro de Bayamo que libertou seus escravos e em 1868 redigiu a declaração de independência de Cuba, dando inicio à chamada  Guerra dos Dez Anos.

A Guerra dos 10 anos: Céspedes, em 10 de outubro de 1868, anunciou na pequena povoação de Yara ( Grito de Yara), a independência de Cuba, dando início à Guerra dos Dez Anos, que foi a primeira grande tentativa de alcançar a independência e de libertar todos os escravos. Por isso ele é chamado o “Pai da Pátria”.
Em Abril de  1869, foi escolhido presidente da República.
Inicialmente apanhadas de surpresa as forças espanholas vacilaram, mas no fim conseguiram suster os revoltosos.
Céspedes foi deposto em 1873, refugiando-se nas montanhas foi morto em 1874 pelas tropas espanholas que o localizaram.
A guerra acabou em 1878.
La Bayamesa  é o hino nacional de Cuba, aqui escrito. Foi inspirado na Marselhesa. Em 1867, o cubano Perucho Figueredo compôs a música do hino, e mais tarde, em  1868, quando as tropas independentistas tomaram a cidade de Bayamo  escreveu a letra.
Bayamo tem tradição musical. Céspedes foi um amante da música. Diz-se que foi ele que compôs a primeira canção romântica de Cuba. Aqui nasceu o cantor Pablo Mila-nez e num “pueblo” próximo nasceu o cantor Carlos Puebla autor da canção “Hasta siempre Commandante”.
- Passagem pela “Casa de la Trova” onde assistimos a um pequeno concerto musical.

Paragem em Bayamo
O berço da nacionalidade
Foi aqui que começou
A luta pela liberdade
Aqui foram criados
Os símbolos da nação
A bandeira, o hino nacional
E redigida a Constituição

- Estivemos na “Plaza de la Revolución” onde está uma estátua de Carlos Manuel de Céspedes e mesmo ao lado há um monumento a Perucho  Figueiredo autor do hino nacional cubano. Contígua a esta praça encontra-se a “Plaza del Himno”, assim chamada por ter sido naquele local que foi tocado pela primeira vez “La Bayamesa”.
- Toda a história de Cuba está concentrada nas regiões de Bayamo e Santiago.
Vista parcial de Bayamo, Em frente à Igreja fica a Praça do Hino

 - Depois do almoço o guia Mário sentiu-se mal disposto e teve que ir a uma clínica, tendo pouco tempo depois regressado com a notícia de que lhe tinham feito alguns exames e que estava tudo normal. Que se tinha tratado de uma pequena indisposição. Tudo se recompôs e prosseguimos viagem.
- Saímos às 15H00 de Bayamo. Estamos a 130 Km de Santiago. Todas as escolas que são vistas do autocarro e muitas casas particulares têm à entrada o busto de Martí.
- Pelo caminho como vai sendo hábito há muitos cartazes publicitários revolucionários.
- Passagem pelo Santuário de “La Virgen de la Caridad del Cobre”, padroeira de Cuba, que visitámos.

- Localizado a 18 quilómetros de Santiago, nas montanhas da Sierra Maestra e na região das antigas minas de cobre hoje desactivadas. Construído em 1927 é um local onde todos os cubanos devem ir, pelo menos uma vez na vida. A Virgem é mestiça e dizem que por isso mesmo representa uma mistura de religião católica e africana.
A festa anual tem lugar no mês de Setembro.
Nossa Senhora da Caridade foi uma imagem encontrada por 3 pescadores que foram numa barcaça à procura de sal. Houve um forte temporal que provocou o naufrágio do pequeno bote e quando acreditaram estarem perdidos viram um pequeno busto no meio das águas agarrado a um pequena peça de madeira com a seguinte inscrição “Eu sou a Virgem da Caridade”, Entretanto, a tempestade amainou e os pescadores conseguiram salvar-se. Levaram então a imagem para a sua aldeia e entregaram-na ao padre que erigiu uma pequena ermida no cimo de um monte. A partir daí houve lendas acerca desta situação, que se tratava de uma imagem de um altar de um navio espanhol que tinha naufragado etc. etc. A roupa não estava molhada… Diz-se que realizou muitos milagres, que devolveram a visão aos cegos, que pôs a andar paralíticos, que curou muitas doentes, etc., etc.

- Segundo o guia, em 1954 Hemingway entregou ao Santuário a medalha que ganhou no prémio Novel. Entretanto a medalha em 1970 foi roubada. Mais tarde foi recupe-rada e foi parar ao museu de numismática em Havana. Parece que agora regressou de novo, encontrando-se no arciprestado de Santiago.
- Em Março de 2012 o Papa Bento XVI esteve no Santuário.
- Prosseguimos a viagem para Santiago e o nosso guia Mário lá ia continuando com as suas informações:
- A primeira capital do país foi Santiago até 1556, altura em que mudou para Havana por causa do porto de mar;
- Santiago tem cerca de 1.000.000 de habitantes. Cidade industrializada, tem indústrias metalomecânicas, refinarias, fábricas de cimento e de alfaias agrícolas, etc;
- Por esta cidade passaram espanhóis, franceses, ingleses, chineses, africanos etc.;
- O carnaval de Santiago em 26 de Julho é o mais famoso de Cuba;
- Santiago é uma terra quente porque está rodeada de montanhas que impedem a circulação do ar;
- Em Cuba a revolução nunca fechou igrejas, não destruiu imagens, nem perseguiu padres como aconteceu na União Soviética, contudo alguns padres espanhóis foram embora e foram dizer mal;
-Sempre houve baptismos, porque padrinhos e madrinhas faziam parte do conceito de família, etc., etc., etc….
- Chegada a Santiago às 18H00. Ficámos instalados no Hotel Mélia inaugurado em Outubro de 1991, por ocasião da abertura dos jogos pan-americanos.
- Depois do jantar em Bufete, demos uma volta pela zona das piscinas do hotel. Houve trovoada e chuva.

9º DIA – 20/06/2013 (quinta-feira) – SANTIAGO

- O hotel onde estivemos instalados é 50% do Estado e 50% da cadeia Meliá.
- Às 09H00 começámos a visita a Santiago pela Praça António Maceo com obras de restauro.
 - A tropa estava a limpar a zona. A uma nossa pergunta, um militar disse que pertencia às Forças Armadas Revolucionárias.


A tropa limpando a Praça António Maceo
António Maceo nasceu em Santiago e participou desde o seu início na guerra dos 10 anos. Entrou em inúmeros combates e o seu corpo tinha mais de vinte cicatrizes.  Era considerado um lutador por excelência, um grande líder militar com uma grande personalidade e capacidade política.
Maceo morreu em combate em 7 de dezembro de 1896 e esse dia foi escolhido pelo povo cubano para fazer uma homenagem a todos os que caíram na luta para alcançar a independência.
 
- Seguiu-se viagem ao antigo quartel Moncada hoje transformado no Museu 26 de Julho, que abrange a história de Cuba desde o ano de 1950.
- Contrariamente ao que estava previsto não podemos visitar o museu, porque estavam a realizar um evento.
- Este quartel foi a escolha que Fidel Castro fez para iniciar a revolução.

Quartel Moncada em Santiago. Ainda se podem ver as paredes crivadas de balas
Assalto ao Quartel Moncada: Foi em 1953 e Fidel escolheu o dia 26 de Julho, por ser o dia de carnaval em Santiago. Muita gente, muitos forasteiros, turistas e os hotéis superlotados. Seria pois o cenário ideal paras os assaltantes se confundirem, metidos no meio da multidão.
O objectivo principal era capturar armamento e munições. Dois dias antes, os assaltantes reuniram-se numa fazenda próxima da cidade, mas havia um problema ! -É que só um deles é que conhecia bem Santiago, os outros eram quase todos da região de Pinar del Rio, no outro extremo da ilha. Por isso, houve alguma descoor-denação quer no ataque quer na fuga.
O assalto ao quartel foi formado por 3 grupos, num total de 153 homens, comanda-dos por Fidel, Raul e Abel Santamaria. Este último morreu no assalto. Segundo o guia, nesta operação, foram abatidos 8 assaltantes. As tropas de Batista dominaram a situação e perseguiram os revoltosos tendo capturado a maioria. Interrogados e torturados muitos deles foram mortos. Depois reuniram todos os cadáveres num to-tal de 80 e colocaram-nos na parada. Chamaram os jornalistas e a televisão e disse-ram, que tinham sido todos mortos no assalto.
Fidel e Raul foram presos dias depois, julgados foram condenados a 15 anos de prisão. Como eram de famílias com alguma influência, como gozavam de grande apoio popular e com a intervenção do arcebispo de Santiago foram libertados e enviados para o exilio (México).

Fidel Castro nasceu em 13 de agosto de 1926. Começou por receber educação nos Colégios Jesuítas de Dolores em Santiago de Cuba e depois no Colégio de Belén em Havana. Licenciou-se em direito e em 1952 candidata-se ao Parlamento pelo Partido
do Povo Cubano (Ortodoxo), mas as eleições são anuladas na sequência do golpe mi-litar de Fulgêncio Batista.
Forma um grupo de resistentes, o qual comanda no assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba, em 26 de Julho de 1953, fundando depois o Movimento Revolucio-nário 26 de Julho (M-26-7). Amnistiado em 1955, exila-se no México, de onde parte, em 2 de Dezembro de 1956, a bordo do iate Granma com dezenas de combatentes, para se instalar na Sierra Maestra e aí formar o Exército Rebelde Cubano, o qual le-vará à vitória em 1 de Janeiro de 1959. Líder e secretário-geral do partido desde sua fundação, Fidel gravemente doente foi substituído por seu irmão, Raúl Castro, reti-rando-se oficialmente em 19 de Fevereiro de 2008.

Raúl Castro é o segundo Presidente do Conselho de Estado da República de Cuba, desde 28 de Fevereiro de 2008. É irmão do ex-presidente cubano Fidel Castro.
Tal como Fidel, Raúl ingressou nos mesmos colégios jesuítas e estudou Ciências Sociais. Ao contrário de Fidel, Raúl era um socialista convicto tendo-se inscrito na Juventude Socialista, próxima do Partido Comunista Cubano, de tipo soviético.
Em 1953, Raúl foi um dos integrantes do Movimento Revolucionário 26 de Julho, que atacou o Quartel Moncada. Durante seu posterior exílio no México, participou nos preparativos da expedição Granma, desembarcando em Cuba em Dezembro de 1956.
Raúl foi também primeiro vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros, ministro e general máximo das Forças Armadas Revolucionárias. Foi ele que conheceu  "Che" Guevara, no México e o apresentou a Fidel.

Fulgêncio Batista  (1901 /1973) foi presidente do país de 1940 a 1944 e novamente de 1952 a 1959, através de um golpe militar. Foi deposto por Fidel Castro em 1959 e obteve exílio, primeiramente na Ilha da Madeira e depois em Espanha, morrendo de ataque cardíaco perto de Marbella. Está sepultado num cemitério de Madrid.
Granma era assim que se chamava o iate construído em 1943, que Fidel Castro comprou, em péssimo estado. Com capacidade para 25 pessoas, embarcaram 82 para uma travessia de dois mil quilômetros (do México a Cuba).O objetivo era infiltrarem-se na Sierra Maestra e a partir de aí iniciarem uma guerra de guerrilha. A expedição ao chegar à costa cubana foi intercetada por um navio de guerra e seguidamente bombardeada pela aviação. Neste ataque os que sobreviveram, cerca de uma vintena entre eles todo o estado-maior e o Che ferido com uma bala no ombro, avançaram durante a noite rumo à Sierra Maestra.
Esta vintena de revolucionários, agrupada em torno do líder Fidel, impulsionou uma guerrilha que em 25 meses derrotou as forças de Fulgêncio Baptista.

- Para substituir a visita a Moncada optou-se por visitar o Cemitério de Santa Ifigénia, onde estão sepultadas muitas figuras nacionais como José Martí, Carlos Manuel de Céspedes, o artista Compay Segundo e muitos dos assaltantes ao quartel Moncada que estão num pequeno panteão próprio ou em túmulos familiares. Neste último caso estão hasteadas duas bandeiras, uma de Cuba e outra do movimento 26 de Julho.
- De seguida fomos para o Parque Céspedes de visita obrigatória. Nele podemos apreciar o edifício do Ayuntamiento de cuja varanda Fidel Castro proclamou, diante de milhares de pessoas, a vitória da revolução em 1 de Janeiro de 1959. Na mesma praça pudémos visitar a casa mais antiga de Cuba, em cujo primeiro andar viveu Diego Velasquez. O piso térreo era usado para escritórios e onde havia uma fundição de ouro. Hoje o edifício está transformado no Museu do Ambiente Histórico Cubano.
Diego Velázquez foi governador em Cuba. Veio na segunda viagem de Cristóvão Colombo. Fundou as cidades de Baracoa, Bayamo, Santiago e Havana. Incentivou a colonização.
- Seguidamente entrámos na Metropolitan Catedral e fomos até ao “Balcón de Veláz-quez”, donde se pode ver uma bonita paisagem sobre a Baía.

Metropolitan Catedral (Catedral de Santiago)

Mário, o nosso guia, dando informações
- Passeio pelas ruas pedonais de Santiago muito movimentadas e com muitas tendas de artigos artesanais.
O nosso Cristiano Ronaldo
Está também nestes lugares
Em ímanes e porta-chaves
E nos mais diversos colares.
- De seguida fomos para “El Morro” onde foi servido o almoço num restaurante, onde há pouco tempo almoçou o “Beatle” Paul Mac Cartney. Como de costume houve um conjunto típico que acompanhou a refeição.
Na parede um quadro mostra o prato e os talheres que Paul utilizou na refeição

O almoço de peixe e carne
Teve música a acompanhar
Desta vez sem o Paul McCartney
Que já aqui esteve a almoçar

- A seguir ao almoço visitámos o “Castilho del Morro ou Castillo de San Pedro de la Ro-ca”, transformado agora em museu. Está classificado como Património Mundial da Hu-manidade. Este castelo fica a 15 quilómetros de Santiago e foi construído, para combater e impedir a entrada de piratas na baía.
O Castelo del Morro
Feito para controlar a Baía
Servia para impor respeito
E afastar a pirataria 
Pelo fim da tarde
Está um tempo acinzentado
As nuvens estão carregadas
E o ar um pouco abafado

10º DIA – 21/06/2013 (sexta-feira) - SANTIAGO/HAVANA

- Despertar às 06H00. Saída do hotel às 07H50 para o aeroporto António Maceo.
Adeus Santiago até à vista,
Mui nobre cidade histórica!
Não deixes de ser rebelde,
Já que foste, és e serás sempre heroica

- Despedimo-nos de Eduardo aquele que foi o nosso motorista durante 10 dias.
- Saída de Santiago às 10H05 e chegada às 11H15 ao terminal 3 de Havana.
O “voo doméstico” até Havana
Decorreu com normalidade
Foi o meu batismo
Nesta modalidade
- Nova passagem pela fábrica de rum “Legionário” no município do Cerro, pois alguns colegas de excursão queriam comprar rum e charutos.
- Almoço no restaurante “Dos Gardenias “ perto da embaixada de Portugal.
- Chegada ao hotel às 16H00. Distribuídos os quartos demos um passeio pelos arrabal-des do Hotel e fomos até às galerias Comodoro, onde existem muitas lojas comerciais, lojas de souvenirs, cafés, bares, supermercado, etc.
- Depois do jantar fomos até à esplanada das piscinas.

11º DIA – 22/06/2013 (sábado) – HAVANA

- De manhã visitámos a igreja de Jesus de Miramar e fomos (eu, a Margarida, a Alentejana e D. Isabel) novamente às galerias Comodoro.
Última manhã em Havana
Fomos à Igreja Jesus de Miramar
Passeámos pelas galerias Comodoro
E o tempo já se está a esgotar.
- Às 12H00 saímos do Hotel, passámos pela Praça de Armas onde havia muita animação, muita música, muita gente, fantoches, etc. Fomos almoçar ao Restaurante Europa, na calle Obispo lagosta grelhada.
Almoço de lagosta grelhada
Foi a nossa refeição
Que serviu de trampolim
Para o Museu da Revolução
- Depois do almoço visita ao antigo Palácio Presidencial, hoje transformado em Museu da Revolução.
Museu da Revolução: destroços de avião abatido às forças invasoras na Baía dos Porcos
O Museu da Revolução conta toda a história da revolução cubana. Podemos ver os mais variados objetos históricos, documentos, fotografias, recortes de jornais e mui-tas outras coisas que relatam como tudo aconteceu. De realçar que existe muita do-cumentação relativa à participação de tropas cubanas na guerra de Angola.
Este museu foi o Palácio Presidencial, onde em 1957, houve uma tentativa, sem su-cesso, perpetrada por estudantes, para assassinar o então presidente Fulgêncio Baptista. Vimos as paredes crivadas de balas dessa ocorrência.
Visitámos os aposentos de Batista e a sala de reuniões do conselho de ministros.
Na parte exterior está o autocarro que os estudantes utilizaram para fazer esse assalto, também ele crivado de balas. Nesta zona também se podem ver tanques de guerra utilizados na Baía dos Porcos, bem como destroços de aviões abatidos pelas forças castristas. Está também exposto o iate Granma, o tal que levou do México 82 assaltantes para darem início às guerrilhas na Sierra Maestra.
- Seguiu-se visita ao mercado de artesanato de S. José para fazer as últimas compras e gastar os últimos pesos.
 - Passamos depois pelo “El Floridita” que é um bar que fazia parte da rota de Hemin-gway, que até lá tem uma estátua. Quem quis bebeu um “daiquiri”.

A estátua de Heminguay, num canto do Bar
- Às 16H16 saída de Havana para o Aeroporto Principal (terminal nº 1).
- Segundo o comandante do avião 08H40 é a previsão da duração voo de Havana até  Madrid.
- Levantámos voo às 21H30 (hora cubana).

12º DIA – 23/06/2013 (domingo) - …/MADRID/LISBOA/MEALHADA.CANTANHEDE

- O dia começou em viagem, no avião.
- Alguma trepidação. Chegada a Madrid às 06H10 (hora cubana).
- Saída de Madrid às 15H20 (hora espanhola) e chegada a Lisboa às 15H30 (hora portuguesa).
- Entretanto, uma das minhas malas não apareceu.
Não me apareceu uma mala!
Não me causou admiração!
Tinha que calhar a alguém
E, nisto, sou eu campeão!
-Chegada à área da Mealhada às 18H45.

Nota: Durante o circuito fomos encontrando à beira das estradas “placards” e frases, relacionados com a história recente do país, dos quais registei alguns(as):
“EL mundo deveria ser una família”

“Dignificar a palavra cumplir”

“Todo el tiempo es corto para hacer”

“El dia en que no hay comida es un dia perdido”

“Sin perder un dia”

“Unidos por un socialismo prospero e sustentable”

“Unidos, vigilantes e combativos venceremos”

“Del esfuerzo, la victoria”

“La batalla económica constitui la tarea principal”

“Si,si se puede la victoria está con nosotros”.

“Juntos seguiremos luchando por um mundo mejor”.








FINAL


Explicar o que se viu em Cuba,
É um trabalho complicado,
A quem não saiba a sua história,
Ou a quem nunca a tenha visitado

Fiquei com uma ideia
Do país que visitei
Vi coisas menos boas,
Mas outras que gostei

Não gostei dos transportes públicos,
Da degradação que há por muito lado,
Da “pedinchice” aos turistas
Que registei com desagrado

Gostei de ver as “banheiras”
Relíquias do automobilismo
Que os americanos deixaram
Quando chegou o comunismo

A quantidade destes carros
Deixou-me boquiaberto
Sem dúvida, o maior museu do mundo
D´ automóveis a céu aberto

Gostei de ver nesta gente
A boa educação e simpatia
Sempre com um sorriso fácil,
Com muita música e alegria

Gostei da arquitetura colonial
Que se está a degradar
Cuba seria muito mais bonita
Se houvesse “verba” p´ra a restaurar

O país é interessante
É viagem a aconselhar
Aos amigos e não só,
A quem gosta de viajar

Foi a melhor viagem que fiz?!
Não! Nem de longe nem de perto!
A melhor será a PRÓXIMA!
Destino? Ainda não está certo!

Ah! Já me estava a esquecer
De ícones que fazem parte do cartaz!
O “Che” que está por todo o lado
E o “Quizás, quizás, quizás”.


Cantanhede 12 de Julho de 2013
Nelson de Matos Ferreira


1 comentário:

  1. Gostei muito!Tem um texto muito bem estruturado e com umas excelentes fotos. Fiquei com muita vontade de viditar Cuba.
    Merece ser o Vencedor do Passatempo!

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