domingo, outubro 13, 2013

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O distrito judaico de Kazimierz, Cracóvia, Polónia

A história da cidade de Cracóvia está, desde o início, intimamente ligada à saga judaica. Ou não tivesse sido mencionada pela primeira vez na descrição do castigo de um homem judeu, Ibrahin-Ibn Yacub. Quando, no ano de 1335, Casimiro III o Grande decidiu elevar o bairro de Kazimierz ao estatuto de cidade independente, já Cracóvia contava com um sem-número de comunidades judaicas, fugidas da perseguição no resto da Europa.


Durante muitos séculos, a Polónia foi vista pelos judeus como um refúgio ideal, em grande parte devido à tolerância religiosa que a caracterizava. Crê-se, aliás, que o nome com que esse povo a baptizou, Polin ou “lugar onde se encontra paz”, remonte ao século XIV, uma altura em que a persecução judaica assumia os seus piores contornos noutros países europeus. O panorama só se alterou ligeiramente quando o rei John Olbracht expulsou os judeus de Cracóvia e estes foram obrigados a refugiar-se em Kazimierz, a “cidade judaica”.
Situado junto ao rio Vístula, o bairro de Kazimierz foi crescendo de uma forma extremamente particular, muito diferente da de Cracóvia, ainda que a sua comunidade mantivesse uma relação saudável e pacífica com a polaca. As ruas estreitas e os edifícios baixos criam um contraste com a realidade da antiga capital e o que resta das muralhas é uma lembrança do período independente de Kazimierz. As próprias denominações são-no: a rua que conduz à cidade velha de Cracóvia, por exemplo, é chamada ulica Cracowska, deixando claro que Kazimierz e Cracóvia se tratavam de duas cidades diferentes e autónomas.


Palco de acontecimentos hediondos do Holocausto


Kazimierz perdeu a sua independência em 1796, sendo integrado em Cracóvia, mas nem por isso deixou de se desenvolver. No início da Segunda Guerra Mundial, a comunidade era composta por 60 mil pessoas e constituía 23% da população cracoviana. E, em consequência da deslocação forçada dos judeus que viviam nas redondezas da cidade para aquele ghetto, Kazimierz atingia já os 70 mil habitantes quando foi encerrado pelos nazis.

Foi em Março de 1943 que Kazimierz desapareceu definitivamente enquanto lar da comunidade judaica. Os seus habitantes tiveram um fim dramático, uns levados para o campo de extermínio em Plaszow, outros assassinados em pleno ghetto.

Actualmente, no entanto, o distrito reergue-se como uma das principais atracções turísticas de Cracóvia e um número considerável de galerias de arte e de restaurantes procuram recuperar o antigo espírito judaico, tolerante e livre de Kazimierz.

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