sábado, outubro 01, 2016

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As Maravilhas de Angkor V - Terraço do Rei Leper

No centro deste terraço angkoriano, está instalada a estátua que é um dos maiores mistérios da região. Não há quem tenha certezas acerca da sua natureza, se humana, divina ou um pouco de ambas. Nem tampouco se sabe se o nome que a figura adoptou, Rei Leproso, tem alguma ligação à realidade do império khmer ou não. Mas o que é certo é que esta relíquia inspira académicos em todo o mundo e não deixa nenhum visitante de Angkor indiferente.


As versões mais antigas alternavam entre considerar a estátua representativa de um determinado deus hindu e de um soberano khmer, ora Yasovarman I, ora Jayavarman VII. As mais recentes, no entanto, apontam para uma combinação de Jayavarman VII com Buda e revelaram-se ideais para continuar a alimentar lendas em torno deste rei.

É que, de acordo com as histórias que se têm transmitido de geração em geração no Cambodja, Jayavarman VII sofria de lepra. E – coincidência das coincidências –, ao ser descoberta, a estátua deste terraço encontrava-se em tal estado de degradação que fazia inevitavelmente lembrar um leproso. É claro que os dois factos não estão relacionados, quanto mais não seja porque o aspecto da escultura se devia aos líquenes que a foram lentamente roendo ao longo dos séculos. Mas que dão uma boa história, lá isso dão…

A escultura que hoje podemos observar em Angkor não é mais do que uma réplica, sendo que a original está exposta no Museu Nacional de Phnom Penh.

Mais sinistro do que sagrado


O Terraço do Rei Leper está localizado a norte do famoso Terraço dos Elefantes (ver capítulo VI) e, ao que tudo indica, foi construído para fins funerários. Com efeito, esta imensa plataforma foi usada na cremação da família real.

As paredes à volta do terraço estão, tanto as interiores como as exteriores, cobertas de gravações de seres tenebrosos, tais como nagas e demónios. A mais impressionante é muito provavelmente a da frente (com 25 metros de largura e seis de altura), onde as nagas adquirem cinco, sete ou até nove cabeças e se fazem acompanhar por todo o tipo de criaturas marinhas. Surgem igualmente deuses nestas imagens, mas nem estes estão desprovidos de um ar diabólico.

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