quarta-feira, outubro 16, 2013

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A herança romana de Mérida, Espanha


Aqueduto dos Milagres, Mérida
Ninguém poderia prever, na altura em que foi fundada (25 a.C.), a importância que Mérida viria a assumir no universo romano. Mandada edificar pelo imperador Augusto especificamente para acolher veteranos de guerra, a antiga Emérita Augusta foi alvo de um desenvolvimento jamais testemunhado naquele local, depressa se tornando capital da província da Lusitânia.
Prova da natureza autónoma e influente de Mérida é a abundância de edifícios públicos que, à medida que vão sendo descobertos nas várias escavações arqueológicas, são quase imediatamente incluídos na lista de Património da Humanidade da UNESCO. Fazem actualmente parte desta o teatro e o anfiteatro romanos, um circo com cerca de 400 metros de comprimento, uma extensa ponte sobre o Guadiana e o sistema de fornecimento de água, muitíssimo avançado para a época. Em comum têm o excelente estado de conservação.
Ponte Romana, Mérida
Em particular o teatro e o anfiteatro têm vindo a ser considerados os mais bem preservados de toda a Península Ibérica. Praticamente adjacentes, estes dois complexos foram projectados por Agripa, genro de Augusto, que cumpria ordens expressas do imperador.

O teatro de Mérida


Construído entre os anos 16 e 15 a.C., o teatro romano de Mérida nada fica a dever aos grandes teatros do império. Pelo contrário. Neste caso, foi prestada uma atenção redobrada à questão da acústica, tendo o edifício sido instalado na inclinação da colina de San Albín precisamente para que esta fosse exemplar.
Este era um teatro com capacidade para cerca de cinco mil pessoas, distribuídas evidentemente segundo a sua condição social. Os lugares em torno da orquestra, por exemplo, eram destinados aos altos dignatários e os jardins serviam como um verdadeiro foyer onde, nos intervalos de cada peça, os nobres passeavam os seus sumptuosos trajes e trocavam comentários. Para lhes aceder, os espectadores atravessavam um pórtico que foi reconstruído, em anos recentes, fazendo uso de elementos decorativos encontrados durante as escavações.
A fachada de estilo clássico do teatro vinha a calhar quando se tratava de tragédias, na medida em que lhes servia de pano de fundo.

 O anfiteatro de Mérida


O anfiteatro de Mérida foi erigido sensivelmente na mesma altura que o teatro, diferenciando-se deste sobretudo pela capacidade extremamente superior e pelo tipo de actividades que acolhia. Com assento para 14 mil pessoas, o anfiteatro era palco de corridas de carroças e, em mais raras ocasiões, de batalhas navais ou naumaquias, visto que oferecia a possibilidade de se transformar num imenso reservatório de água.
Anfiteatro de Mérida
Uma característica interessante deste complexo é o muro cuidadosamente decorado que se ergue em redor da pista. Tinha, na altura, o objectivo de proteger os espectadores da primeira fila, na maioria das vezes altos dignatários, durante os espectáculos que envolviam feras.

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