quinta-feira, setembro 05, 2013

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Lalibela ou “Jerusalém da Etiópia”

“Custa-me escrever mais sobre estes monumentos, pois me parece que se continuar ninguém acreditará em mim.”
- Padre Francisco Álvares, primeiro europeu a ver as igrejas de Lalibela, na expedição portuguesa à Etiópia de 1520

Por que razão é que uma pequena cidade do norte da Etiópia, sem grande riqueza ou influência, goza de fama mundial? A resposta está no seu conjunto de igrejas monolíticas, cujas dimensões monumentais tornam quase impossível acreditar que foram integralmente esculpidas na rocha, com recurso a meros martelos e formões. É por isso que deram origem a inúmeras lendas e que estão classificadas como Património da Humanidade desde 1978, embora alguns considerem este título insuficiente e prefiram apelidá-las de “oitava maravilha do mundo”.


O nome desta cidade (inicialmente Roha) foi uma homenagem ao rei Lalibela, que governou a Etiópia entre os anos de 1181 e 1221 e foi o responsável pela edificação das consagradas igrejas. Reza a lenda que, recém-nascido, Lalibela foi atacado por um enxame, que não conseguiu, no entanto, causar-lhe qualquer ferimento. Na altura, este incidente foi interpretado como um sinal divino de que aquele bebé estava destinado a ser rei e foi o que levou a mãe a chamá-lo Lalibela, que, na língua agaw, significa “as abelhas reconhecem a sua soberania”.

Quem não ficou nada satisfeito com esta revelação foi evidentemente o seu irmão mais velho, Harbav, que mandou envenenar Lalibela. O futuro rei chegou a ascender ao céu, conduzido por anjos, e, lá, teve o privilégio de observar uma imensidão de magníficas construções, sem paralelo na Terra. Antes de o ressuscitar, Deus impôs uma condição: que, depois de coroado, ordenasse em Roha a construção de edifícios idênticos àqueles que tinha presenciado. Harbav, obedecendo também a Deus, abdicou do trono… e Lalibela cumpriu a promessa.

Não é apenas o tamanho destas igrejas que leva muitos a crerem que os trabalhadores, munidos das ferramentas mais simples, tiveram algum auxílio divino. É também a precisão matemática e a celeridade com que elas foram construídas (ou, melhor, esculpidas) ainda no século XII. Foram necessários somente 24 anos. E a lenda justifica-o, acrescentando que, durante a noite, os anjos desciam a Roha para dar continuidade ao trabalho dos homens.

A igreja Bet Giyorgis é provavelmente a mais surpreendente das onze igrejas de Lalibela. O seu telhado, com o formato de uma cruz (por oposição aos de todas as outras, rectangulares), está ao nível dos pés dos visitantes, na medida em que a igreja foi escavada debaixo de terra, com uma profundidade total de 12 metros. O facto de se localizar a 200 metros dos outros dois grupos de igrejas (e de ser a décima primeira, um número tão imperfeito) também encontra explicação na lenda. São Jorge, patrono da Etiópia, chegou a Lalibela e ficou indignado com o rei, por este ter erguido templos em honra de tantas personalidades da cristandade e nenhum lhe ser dedicado. Lalibela mandou então construir Bet Giyorgis para remediar o erro.

Sabia que…

… as igrejas de Lalibela estão ligadas entre si por túneis e labirintos subterrâneos?
… estes templos foram concebidos à imagem de Jerusalém?

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