domingo, setembro 15, 2013

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Château de Vaux-le-Vicomte, Maincy, França: o trailer do Palácio de Versalhes

Château de Vaux-le-Vicomte, Maincy
 “On 17 August at 6 in the evening, Fouquet was King of France; at 2 in the morning, he was nobody.” - Voltaire

Localizado na pequena comuna de Maincy, a sudeste de Paris, o Château Vaux-le-Vicomte e os seus jardins são conhecidos pela dimensão, sumptuosidade e beleza. Mas não só. Também o são por terem testemunhado a queda de um homem brilhante de nome Nicolas Fouquet, cujo êxito atraiu invejas e o fez vítima de um complot político que o conduziu, no final, à prisão perpétua. Mas não sem antes ter criado a obra-prima da arquitectura do século XVII.
Fouquet foi superintendente das Finanças durante o reinado de Luís XIV, tão bem-sucedido que, quando o primeiro-ministro francês faleceu em Março de 1661, era a mais evidente escolha para o lugar. Mas logo aí o rei revelou a antipatia que nutria por Fouquet, tendo pura e simplesmente abolido aquele cargo e assumido ele próprio as rédeas do Governo. Nessa altura, Fouquet já tinha demonstrado o seu valor, tanto política como pessoalmente: a propriedade que tinha comprado aos 26 anos, 20 anos antes, estava convertida numa luxuosa mansão rodeada por extensos jardins que eram falados um pouco por toda a França.

Do próprio castelo para as catacumbas de Pignerol

Vaux-le-Vicomte foi idealizado e concretizado pelo trio mais fabuloso da época. A arquitectura ficou a cargo de Louis le Vau e as pinturas de Charles le Brun, ao passo que os jardins foram da responsabilidade do arquitecto paisagista André le Nôtre. Juntos, estes artistas produziram, pela primeira vez na história, uma perfeita simbiose entre natureza e arquitectura e simultaneamente fundaram o estilo de jardim comummente chamado “à francesa”. Em Agosto de 1661, Fouquet deu uma das mais glamourosas festas de todos os tempos para inaugurar o complexo e Luís XIV, obviamente convidado, ficou de tal modo impressionado que decidiu levar o trio para Versalhes e incumbi-lo da construção do actualmente famoso palácio.
Porém, o que não lhe saía da cabeça era a enorme fortuna que teria sido necessária para edificar Vaux-le-Vicomte. Por essa altura, já lhe tinham chegado aos ouvidos rumores sobre o desvio de fundos do Estado, lançados por Jean-Baptiste Colbert, secretário privado do primeiro-ministro e eterno rival de Fouquet. Qualquer dúvida que existisse sobre a falta de integridade do ministro se dissipou com aquela festa.

Fouquet seria preso três semanas mais tarde em Nantes, nada mais nada menos do que pelo líder dos mosqueteiros, D’Artagnan. O seu julgamento, tornado o acontecimento do século, ditou que o ministro fosse unicamente expulso do reino, mas essa sentença não satisfez os homens de Luís XIV, que anularam a decisão dos juízes e o encarceraram para toda a vida em Pignerol. Fouquet acabaria por falecer a 23 de Março de 1680.
A partir daí, o castelo de Vaux-le-Vicomte passou de mãos em mãos, sendo descuidado ao ponto de perder o encanto de outrora. Só o recuperou quando Alfred Sommier se apoderou dele num leilão de 1875 e investiu grandes somas a restaurá-lo. Um trabalho que é, ainda hoje, continuado pelos seus descendentes Patrice e Cristina de Vogüé.

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