sexta-feira, agosto 09, 2013

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Praça Jemaa El Fna, Marrakech, Marrocos: em 10 séculos, uma mudança de 180 graus


A praça Jemaa El Fna, o centro vibrante de Marrakech, possui a forma de um L e é por muitos considerada labiríntica. Uma praça? Logo aí começam as invulgaridades. No entanto, isso não é nada comparado com o que lá se vê e acontece. Entre turistas a pedir fotografias com cobras aos ombros, vendedores de água com trajes bizarros, encantadores de serpentes, acrobatas, artistas que ingerem fogo, vidro ou água a ferver, cartomantes que prometem acertar no futuro como ali outros acertam no tiro ao alvo e até mesmo dentistas prontos a arrancar dentes on the spot… em Jemaa El Fna, tudo é possível.


Embora também se possa optar por actividades menos radicais, tais como fazer compras, comer ou assistir a espectáculos de música, dança ou oratória, há quem prefira apreciar o ambiente da praça sem se imiscuir nela ou quem fique assoberbado com tamanha vida e agitação e precise de um momento para si. Para isso, existem os terraços de inúmeros cafés e restaurantes, dos quais é possível contemplar o magnífico pôr-do-sol marroquino ao sabor de um chá de menta.

Não é todos os dias que uma praça é reconhecida pela UNESCO, mas Jemaa El Fna foi-o no ano de 2008, como Património Imaterial da Humanidade. Um título merecido, se tivermos em conta a sua longa e relevante história. Com efeito, esta praça detinha já um papel importante antes de 1000 a.C., sendo um dos pontos de entrega de ouro, escravos e especiarias na rota de caravanas do Sahara. Enquanto praça e mesmo símbolo de Marrakech, ela existe há tanto tempo quanto a própria cidade, nomeadamente desde o século XI. E, hoje em dia, Jemaa El Fna é toda a cultura marroquina concentrada num só lugar, uma mostra de arte, música e religião.

É difícil imaginar como é que uma praça actualmente tão associada à vida e à boa-disposição foi outrora um sinónimo de morte. O nome Jemaa El Fna, traduzido à letra, significa “Assembleia dos Mortos” e é testemunho de uma época em que este local se destinava a execuções públicas, pouco depois da fundação da cidade de Marrakech. Cristãos e criminosos eram ali assassinados e as suas cabeças penduradas nas paredes, para servirem de exemplo aos restantes.

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