segunda-feira, agosto 05, 2013

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Cidade Proibida, Pequim, China

Até ao bem recente ano de 1924, a Cidade Proibida, situada no coração da capital chinesa, não era um museu, nem muito menos a atracção turística mundialmente conhecida e admirada que é hoje. Era, sim, a impenetrável residência do imperador da China. Durante mais de cinco séculos, este palácio escondeu os segredos e as relíquias de 24 soberanos Ming e Qing e os que ousassem lá entrar sem a sua autorização expressa tinham um fim certo: a execução.

A Cidade Proibida (ou Palácio Museu, como é hoje designada) é o maior complexo imperial em todo o mundo, totalizando uma área de 74 hectares e contendo quase 9 mil salas. A construção durou 14 anos (entre 1407 e 1420, quando o imperador Yongle, da dinastia Ming, se encontrava no poder) e reza a lenda que envolveu um milhão de trabalhadores. Diz-se igualmente que foi necessário recorrer a medidas especiais para transportar os gigantescos blocos de pedra desde o distrito de Fangshan até ao centro de Pequim: a cada 50 metros escavou-se um poço e, como era pleno Inverno, a água congelava na estrada e criava um caminho de gelo que permitia o deslize dos blocos, arrastados por pessoas ou cavalos.

O amarelo é a cor predominante da Cidade Proibida, surgindo nas telhas, na decoração interior e exterior dos edifícios e até no pavimento, amarelecido através de um processo especial. É que, na tradição chinesa, esta cor era associada à família imperial e fazia então sentido que assim fosse. Mas as telhas da chamada Wenyuange, a biblioteca do complexo, fogem à regra e são pretas, por se conotar o negro com água e se julgar que este salvaria os livros num potencial incêndio. Teria esta decisão algo a ver com o facto de o fogo ter já destruído três jóias da Cidade Proibida?

A obra de arte que gerou uma crise política

No lugar onde actualmente se encontram os Três Grandes Salões, vistos como o mais importante monumento da Cidade Proibida, erguiam-se inicialmente outros três. Mas tinham decorrido só cem dias desde a sua inauguração quando um deles foi atingido por um relâmpago e o incêndio se alastrou para os restantes, reduzindo-os a cinzas. Além de atormentar Yongle durante anos a fio, este incidente, interpretado pela população como um castigo divino pela súbita mudança da capital de Nanjing para Beijing, fez com que o imperador tivesse de enfrentar uma crise política e protestos cada vez mais agressivos.

De tão magnífica e simetricamente perfeita, a Cidade Proibida viria a determinar a estrutura dos edifícios que se lhe seguiram na dinastia Ming, ao longo de 300 anos, e foi inclusivamente listada como Património da Humanidade pela UNESCO em 1987.

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