sábado, agosto 24, 2013

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Catedral de Zagreb, Croácia: um monumento (ainda) em projecção

 
É 100% certo que quem tem planeada uma visita a Zagreb incluiu a catedral no seu itinerário. É que, para além de ser um verdadeiro símbolo da capital croata, o edifício é tão alto que as suas duas torres são visíveis de praticamente qualquer ponto da cidade. É tido como o mais sublime exemplar gótico (do tipo sagrado) a sul dos Alpes.É comum ler-se que a Catedral de Zagreb é dedicada à Assunção da Virgem Maria e a dois reis, Santo Estêvão e São Ladislau. No entanto, ao contrário do que daqui se depreende, o Rei Estêvão não foi o primeiro santo patrono deste edifício. Foi inicialmente Ladislau que converteu a igreja já ali existente em catedral (ao que tudo indica, em 1094), por ocasião da fundação da diocese de Zagreb. Só no século XII é que se começou a construir de raiz uma catedral, que ficou finalizada no ano de 1217.

Mas esse edifício não durou muitos anos, tendo sido reduzido a pó durante a invasão tártara de 1242. A catedral que hoje subsiste (apesar das diversas reparações de que veio sendo objecto) foi encomendada na segunda metade do século XIII pelo bispo Timóteo e – essa sim – foi dedicada ao rei Estêvão I.

Na segunda metade do século XV, a Catedral de Zagreb atravessava um período de glória, pois, aderindo à sumptuosidade do gótico florido, o seu interior viu-se recheado das melhores e mais luxuosas obras de arte. Muitas dessas peças pertencem, actualmente, ao Tesouro da Catedral. E, já a chegar ao final do século, com as invasões turcas, o edifício foi “coroado” a última catedral do Ocidente, gozando durante muito tempo de elevada protecção. O bispo Thuz encarregou-se de construir uma fortificação em torno da catedral, constituída por enormes torres cilíndricas, que só foi concluída em 1517 pelo seu colega da diocese de Zagreb, o bispo Toma Bakac.

Em 1880, um terrível terramoto obrigou à reconstrução da catedral pela mão de Hermann Bollé, arquitecto austríaco que renovou radicalmente a fachada e o interior, convertendo-os ao estilo neogótico. Mas uma outra reconstrução foi necessária e encontra-se ainda hoje em curso, devido principalmente à fraca qualidade da pedra usada por Bollé, que, por motivos financeiros, veio das pedreiras mais próximas, Bizek e Vrapce.

Esta catedral é um edifício de três naves com um santuário poligonal e duas capelas laterais. Na sua decoração, são de realçar o tríptico do famoso pintor Albrecht Dürer (de 1495) que completa um dos altares e o conjunto de frescos que cobrem a sacristia gótica. Os frescos são um autêntico espelho das tendências de Roma da segunda metade do século XIII e, conservados, são os mais antigos de Zagreb e mesmo da parte continental da Croácia.

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