segunda-feira, julho 08, 2013

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Petra, Jordânia

“Match me such a marvel save in Eastern clime, a rose-red city half as old as time.”
- Dean Burgon, viajante e poeta vitoriano

Todos já ouvimos falar de Petra e da sua monumentalidade, uma das sete novas maravilhas do mundo, que durante tantos séculos se julgou perdida ou até uma invenção. Mas, se acreditarmos nas palavras de Lawrence da Arábia, ninguém pode afirmar conhecê-la verdadeiramente sem a presenciar. Será?

A verdade é que quem a conhece dos livros ou dos documentários pensará sempre nela como a “cidade rosa”, mas Petra está longe de ser monocromática. Aliás, esse nem sequer era o seu nome original. Quando ali chegaram, há mais de 2200 anos, e começaram a escavar a imensa fortaleza, os nabateus decidiram baptizá-la como Requem. Em semítico, o termo “requem” refere-se a uma tela com uma vasta gama de cores e, neste caso, pretendia-se que fosse uma alusão aos nove tons diferentes que o arenito extraído em Petra consegue apresentar.


Os que a conhecem unicamente de imagens também não têm a noção da absoluta precisão dos vários elementos decorativos do ex-líbris de Petra: el Khazneh, ou O Tesouro. Quem atravessa o Siq, está constantemente na expectativa de avistar aquela imponente fachada, mas, quando isso acontece, o que prende o olhar são as partes, não o todo. É que as colunas coríntias, os capitéis e os relevos da decoração, só ligeiramente desfigurados pelo tempo, dão conta da incrível vontade e paciência dos nabateus, que demoraram uma eternidade a esculpi-los na pedra.

Sem nunca se ter posto os pés em Petra, também se corre o risco de julgar que ela não é muito para além da fachada d’O Tesouro, difundida até à exaustão. Mas é. É uma infinidade de casas, pequenas, médias e enormes, templos de dezenas de metros de altura, tumbas reais, edifícios de culto, canais e reservatórios de água e até um Teatro Romano, com lotação para 3 mil pessoas. À entrada da cidade, beduínos montados em cavalos ou camelos aguardam pelos viajantes para lhes oferecerem visitas guiadas por estas maravilhas.

Foi preciso ganhar a confiança dos árabes para retirar Petra da categoria do “mito”

O facto de hoje todas estas incríveis subtilezas estarem acessíveis, devemo-lo à persistência de Johann Ludwig Burckhardt, um jovem explorador suíço. Durante três anos, Burckhardt esteve infiltrado na comunidade árabe tribal da região, aprendeu a sua língua e os seus costumes e até se converteu ao islamismo. Quando já nem o seu nome estava reconhecível – tinha sido mudado para Ibrahim Ibn Abd Allah –, Burckhardt tornou-se o primeiro ocidental a caminhar em Petra e comunicou-a ao mundo. Estávamos em Agosto de 1812.

Burckhardt faleceu com apenas 33 anos de idade, mas a sua (re)descoberta permanece bem viva não só para os turistas da Jordânia, mas também para historiadores, antropologistas, arqueólogos, geólogos e até arquitectos empenhados em decifrar o mistério que é Petra.

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