domingo, julho 28, 2013

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Parlamento de Budapeste, Hungria

Se alguma vez pegou num guia de Budapeste ou até mesmo da Hungria, há-de ter reparado: na capa, é raríssimo não aparecer o Parlamento. E tal não deixa de ter razão de ser. Com os seus 268 metros de comprimento e as suas 691 salas, este é o maior monumento do país e o terceiro maior parlamento do mundo. E a sua incrível beleza, perceptível do seu interior, à sua entrada ou de qualquer ponto do Danúbio, tornou-o, nos seus pouco mais de cem anos de existência, o grande símbolo da capital húngara.
Apesar de actualmente ser ultrapassado pelo da Roménia e pelo da Argentina, o Parlamento de Budapeste era de facto o maior do mundo quando acabou de ser construído, em 1902, provando o enorme poder económico da Hungria naquela época. Tudo resultou da decisão de lançar um concurso para comemorar o milénio da fundação do país (que chegaria em 1896). O arquitecto Imre Steindl fez-se vencedor ao inspirar-se nas Casas do Parlamento de Londres para produzir esta maravilha, que, embora tenha sido inaugurada pela Assembleia no ano do milénio, só ficaria verdadeiramente concluída seis anos depois.


Local de reunião da Assembleia Nacional… ou museu de arte contemporânea?
Um edifício tão majestoso merecia uma decoração de luxo, motivo pelo qual, para preencher o seu interior, foram convidados os melhores artistas contemporâneos da Hungria. Quem sobe a escadaria principal, por exemplo, depara-se com frescos de Károly Lotz no tecto e esculturas de György Kiss. Uma vez na sala Munkácsy, é possível contemplar aquela que é a obra mais valiosa de todo o complexo: Honfoglalás (Conquista da Pátria), da autoria deste pintor húngaro.
Para além de toda esta riqueza artística, o Parlamento de Budapeste guarda desde 2000 as jóias da coroa húngara, entre as quais a coroa que Santo Estevão usou quando ascendeu ao trono no ano 1000, o ceptro, o orbe imperial e uma espada do tempo do Renascimento. Não se faz segredo da conturbada história destas jóias, perdidas ou roubadas várias vezes. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, por exemplo, foram confiadas ao exército americano para impedir que caíssem nas mãos da União Soviética. Só em 1978, sob a presidência de Jimmy Carter, é que foram devolvidas à Hungria.
Uma característica do Parlamento de Budapeste é testemunha do modo como se refrescavam as divisões há cem anos atrás. Dois pavilhões, parcialmente embutidos na terra, faziam o papel do actual ar condicionado: eram enchidos de gelo e essa frescura passava de compartimento para compartimento através das condutas de ar.
A sua cúpula de 96 metros de altura é a “cereja” em cima de um belíssimo “bolo” neogótico, o mais chamativo elemento do lado de Peste do rio, estejamos onde estivermos.

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