quinta-feira, julho 04, 2013

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Castelo de Bran, Roménia: o Drácula não é (só) fruto da imaginação de Stoker




Entre a Transilvânia e a Valáquia, o vale encimado pelo Castelo de Bran é tão estreito quanto os seus corredores, passagens subterrâneas e secretas. Este seria o esconderijo ideal de um vampiro, capaz de se esquivar pelos labirintos do castelo sem jamais ser descoberto. Há quem acredite que era. Mas mesmo os mais cépticos em relação ao Drácula não desmentem que por detrás daquelas paredes se escondia um monstro…

O seu nome era Vlad Tepes, Vlad III ou, se levarmos em conta a assinatura que copiou do pai, Dracul, “o Demónio”. É que Vlad II pertencia à Ordem do Dragão e, em romeno, “drac” significa “dragão” ou “demónio”. Já “ulea” quer dizer “filho de” e Vlad III ficaria por sua vez conhecido como Draculea ou Drácula.

O facto de este ser o nome da emblemática personagem criada por Bram Stoker em 1897 não é uma coincidência. Foi em Vlad Tepes, no seu castelo e nos seus repetidos actos hediondos que, mesmo sem nunca ter colocado os pés na Transilvânia ou sequer na Roménia, o autor irlandês se inspirou para escrever Dracula. Vampiro não existem provas de que fosse. Mas assassinar pessoas de uma forma inimaginavelmente cruel era algo que lhe era natural.

Vlad Tepes foi governador da Valáquia entre os anos de 1456 e 1462 e, para ele, a maneira mais eficaz de manter os otomanos afastados dos seus territórios era dotá-los de um regime totalitário e intransigente. Tal pressupunha aniquilar todos os que se metessem no seu caminho, ou por conspirarem para a sua substituição, ou por semearem a desonestidade, a preguiça e a bruxaria. Quem não se enquadrasse na sua noção de bom cidadão, tal como os ladrões e os pedintes, tinha um triste fim: o empalamento.

Uma das histórias mais sórdidas é a de Mehmed II, um imperador otomano que tentou penetrar na Transilvânia decorria o ano de 1461, mas mudou de ideias ao avistar e sentir o odor asqueroso de dezenas de milhares de prisioneiros turcos empalados. A natureza bárbara dos crimes de Vlad Tepes fez com que ficasse para a história como “O Empalador”, mas, simultaneamente, valeu-lhe a gratidão de um povo que nele vê o grande adversário do Império Otomano.

De fortaleza da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, no século XIII, a residência da Rainha Maria da Roménia, no século passado, o Castelo de Bran é detentor de uma longa história. Hoje, além do mito em torno do Conde Drácula, a razão que leva massas de turistas a visitá-lo todos os anos é a requintada colecção de arte e de mobiliário lá deixado pela rainha.

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