domingo, julho 14, 2013

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Casemates de Pétrusse e Bock, Luxemburgo: a cidade-fortaleza que era o “Gibraltar do Norte”


Os 23 quilómetros de galerias subterrâneas sombrias e intrigantes que existem no Luxemburgo, antigas fortificações, são a melhor lembrança de um tempo em que esta cidade era cobiçada por todas as potências europeias. Este sistema de defesa, concebido e sucessivamente ampliado pelos mais conceituados engenheiros do continente ao longo de nove séculos, é o maior do mundo no seu género e entrou para a lista de Património da Humanidade da UNESCO em 1994.
Divididas em essencialmente dois grupos, as Casemates de Pétrusse e as Casemates du Bock, as galerias chegam a atingir, em certos locais, 40 metros de profundidade e são uma das maiores atracções do Luxemburgo, recebendo anualmente mais de 100 mil visitantes. Em funcionamento até 1867, a fortaleza foi tão bem conseguida que passou pelas mãos das mais variadas nações, que por ela lutavam entre si, ficando conhecida, no seu tempo, como “Gibraltar do Norte”.

Existentes desde a época medieval, as Casemates de Pétrusse foram alvo da primeira renovação no século XVII, mais precisamente em 1644, por iniciativa dos espanhóis. Mas estes quase nem tiveram oportunidade de colher os frutos do seu trabalho, porque quarenta anos mais tarde, em 1684, elas estavam já na posse dos franceses, que armaram um cerco à cidade. A mando de Luís XIV, o engenheiro militar Vauban empreendeu um alargamento das fortificações nesse mesmo ano. E, finalmente, no século XVIII foi a vez dos austríacos. Estes foram responsáveis por um dos pontos mais famosos destas Casemates, a Escada Austríaca, com 132 degraus.
As Casemates du Bock também foram escavadas pelos austríacos no século XVIII, por volta de 1745 ou 1746, numa colina onde anteriormente se erguia o Castelo de Lucilinburhuc (de cujo nome varia “Luxemburgo”, cidade e país), construído pelo conde Sigefroid em 963. A fortaleza, com uma área de 1500 m2, era suficientemente ampla para albergar 1500 soldados, as respectivas munições e cerca de 50 canhões.
Com a assinatura do Tratado de Londres de 1867, no qual ficariam definidas a independência e a neutralidade perpétuas do grão-ducado, as fortificações deixaram de fazer sentido e foram sendo progressivamente demolidas. É difícil imaginar que, no lugar da cidade calma e encantadora que hoje vemos, esteve outrora uma fortificação de cerca de 180 hectares, da qual ainda há vestígios debaixo dos nossos pés.

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