sexta-feira, julho 19, 2013

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Bernina-Express, Itália e Suíça: não é o destino que importa, é a viagem

Custa decerto conceber como e porque é que um comboio é eleito Património da Humanidade pela UNESCO. Mas foi o caso do Bernina-Express, o comboio panorâmico dos Alpes, em 2008. Esta foi, a nível mundial, a terceira linha ferroviária a receber esta designação e nós damos-lhe, agora, três razões para isso ter acontecido.
1. As deslumbrantes paisagens dos Alpes
A travessia dos Alpes a bordo do Bernina-Express junta o melhor de dois mundos: lá em cima, as montanhas cobertas de neve, os glaciares, o frio que tão bem define aquela região; já em Itália, o contraste é total, com palmeiras que abrem portas ao tempo ameno do sul. A magia da viagem reside na transição, quando uma e outra realidade se entrelaçam na vista panorâmica.
A viagem começa em Chur, a mais antiga das cidades suíças, tanto que foi um importante centro de comércio para celtas, romanos, ostrogodos e francos. A partir daí, o Bernina-Express atravessa quase 200 pontes, 55 túneis, viadutos estonteantes, galerias escavadas na rocha, castelos, lagos e glaciares de uma beleza incrível… até chegar a Tirano, a histórica cidade italiana. Quem fizer o percurso inverso também não perderá, evidentemente, nenhuma destas maravilhas.
2. Uma construção irrepreensível
Para realizar um dos circuitos ferroviários mais íngremes do mundo, o Bernina-Express só podia, de facto, ter sido resultado de projectos ambiciosos e sem precedentes. E a verdade é que, para além de enfrentar facilmente condições adversas (por vezes a mais de 2 mil metros de altitude), o Bernina-Express perfaz subidas com gradiente de inclinação até 70%, sem sequer dispor de um sistema de cremalheira.
As duas principais ferrovias deste conjunto são a de Albula, com 67 quilómetros, e a de Bernina, com 61. A primeira foi concluída no ano de 1903 e, desde então, considerada uma obra-prima do mundo ferroviário. A segunda, aberta sete anos depois, serviu sempre, nos Alpes, como o melhor exemplo de segurança e de harmonia com o meio natural envolvente para os empreendimentos que se lhe seguiram, quer os concretizados, quer os que ficaram pelo papel.
 
3. O contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região alpina
A partir da segunda metade do século XIX, o turismo (principalmente o de Inverno) começou a florescer na actualmente famosa cidade de St. Moritz, situação que obrigou ao estabelecimento de serviços de transporte mais cómodos e regulares. Quando se reparou, o Bernina-Express tinha arrancado diversas povoações dos Alpes Centrais do seu até então compreensível isolamento e fazia paragens numa St. Moritz “apinhada” de classe e de pessoas famosas, palco de Olimpíadas de Inverno, com restaurantes (re)conhecidos no mundo inteiro.

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