quinta-feira, julho 18, 2013

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As Casas de Gaudí II - Casa Milà ou La Pedrera


Se Barcelona é a capital da Art Nouveau, recordista mundial em edifícios do estilo, a Casa Milà é deles o mais conhecido e bem conseguido. À primeira vista, o seu exterior é quase rude, fazendo mais lembrar uma “pedrera” do que uma obra-prima da arquitectura. Mas a verdade é que este edifício esconde milhões de subtilezas que o tornam único, fascinante a absolutamente inovador, mesmo um século depois de ter sido construído.
Foi a família Milà que teve direito ao último trabalho dito civil de Gaudí, que, após concluí-lo, em 1912, se dedicou exclusivamente à Sagrada Família até ao ano da sua morte. A senhora Milà havia herdado uma quantia exorbitante do antigo marido, um magnata de Reus, e aplicou-a na construção da casa. O objectivo era que esta servisse não só de residência privada à família, mas também para angariar inquilinos e gerar ainda mais fortuna. É que, no início do século, o Passeig de Gràcia, onde se situa a Casa Milà e uma data de outros edifícios de estilo modernista, estava a transformar-se no lugar predilecto dos novos-ricos, para passear e para viver.

Uma das características mais distintivas da Casa Milà é a inexistência de paredes planas, daí que a sua fachada, ondulada, seja muitas vezes alvo de comparações com o mar e as suas varandas de ferro forjado com as algas que o recheiam. A forma da fachada pretendia, inicialmente, ser uma homenagem à Virgem Maria, mas o senhor Milà e Gaudí entraram em conflito nesse aspecto. Usando como argumento o frágil ambiente político da época, Milà recusou totalmente a ideia, o que levou Gaudí a abandonar o projecto ainda com algumas chaminés por terminar.
Foi uma pena, tendo em conta que as concluídas são a parte mais cativante de toda a Casa Milà, com os seus formatos inesperados e, em muitos dos casos, aterradores. Não é por acaso que lhes chamam espantabruixes. Para vê-las, é necessário subir ao telhado do edifício, de onde se tem também uma espectacular vista sobre o bairro de Eixample e as outras obras arquitectónicas, que ficam, contudo, na sua sombra.


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