quarta-feira, junho 05, 2013

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Túmulo de Humayun, nova Deli, Índia: a inspiração da maravilha do mundo moderno

Se o Taj Mahal é uma prova de amor, o mesmo podemos dizer do Túmulo de Humayun, situado na área de Nizamuddin East, nova Deli. Este monumento foi mandado construir pela dedicada viúva do segundo imperador mongol da Índia, Humayun, em 1569, 14 anos depois da sua morte. Mas esta não é a única semelhança com o Taj. A grandiosidade, a simetria e o carácter inovador do Túmulo de Humayun foram o que esteve na base daquela que viria a ser considerada a obra-prima da arquitectura Mughal da Índia e uma das sete maravilhas do mundo moderno.
Enquanto era vivo, Humayun protagonizou inúmeras viagens pelo mundo islâmico, sobretudo pela Pérsia e pela Ásia Central, que lhe permitiram reunir uma série de novas ideias e conceitos para aplicar à arquitectura do seu império. Há quem diga que foi ele que planeou a estrutura e a decoração do seu próprio túmulo, mas, à falta de dados que o confirmem, é pelo menos certo que Haji Begam, a viúva, se assegurou que a construção respeitava os princípios que Humayun havia recolhido nas suas viagens.

Criação do arquitecto Mirak Mirza Ghiyath, o Túmulo de Humayun representou uma novidade tripla: para além de ser o primeiro claro exemplo de um estilo arquitectónico independente, o Mughal, foi o primeiro túmulo-jardim do subcontinente indiano e o primeiro monumento em arenito vermelho a assumir aquela dimensão. A sua cúpula dupla, feita de mármore branco, está a 42,5 metros de altura e é uma herança da arquitectura persa, ao passo que os chhatris em seu redor são uma lembrança da tradição indiana.

O reflexo terreno do paraíso islâmico

O jardim do túmulo está dividido em quatro partes por corredores pavimentados (os khiyabans), em cujo centro foram abertos canais de água. Trata-se de uma belíssima e refrescante construção que evoca os quatros rios que correm em direcção a Janna, o paraíso islâmico. Do mesmo modo, a fisionomia do canal perpendicular à fachada do túmulo é uma referência implícita ao Alcorão, na medida em que este desaparece sob o edifício e ressurge do outro lado, tal como os rios que correm debaixo do jardim do paraíso.
Uma curiosidade é o facto de o complexo ser cercado por três paredes apenas. Através do espaço vazio era outrora possível ver o rio Yamuna, mas o curso deste foi entretanto desviado, fazendo da falta da quarta parede um enigma para muitos turistas.

O Túmulo de Humayun acabaria por ficar conhecido como “Dormitório da Casa de Timur”, pois para lá foram levadas não só as esposas do imperador, como também Dara Shikoh, filho de Shah Jahan. No total, o complexo alberga cerca de 150 sepulturas, incluindo a do barbeiro favorito de Humayun. O Túmulo do Barbeiro (ou Nai-ka-Gumbad) data de 1590-91 e está localizado um pouco abaixo do túmulo do imperador.

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