sábado, junho 15, 2013

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Bharat Mata Mandir, Varanasi, Índia


“I am confident that this temple will serve as a common cultural platform for people from different faiths and sects, including the Harijans, and promote the cause of tolerance, unity, sense of cohesiveness, social integrity and love among the various groups. To inaugurate this temple of a great tirtha, I feel deeply overwhelmed and unable to express my feeling through words.”
Mahatma Gandhi na inauguração do templo Bharat Mata de Varanasi, em 1936

Um dos pontos mais interessantes da capital cultural da Índia, Varanasi, é Bharat Mata Mandir, um monumento ao nacionalismo, à secularização e, por incrível que pareça, à cartografia. Não o confunda com o templo Bharat Mata de oito andares, em Haridwar. Embora partilhem o mesmo nome e os seus fundadores o mesmo apelido – o de Haridwar foi inaugurado por Indira Gandhi, em 1983 –, a essência dos dois templos é bem distinta.

Bharat Mata, também apelidada de Índia Mãe, é a deusa que personifica o país e simboliza todos os valores que a história lhe incutiu. Surge vulgarmente sob a forma de uma mulher que veste um sari cor de açafrão, segura a bandeira nacional com uma das mãos e conta com a protecção de um leão. E, no Bharat Mata Mandir de Haridwar, ela é uma presença constante, sobretudo no primeiro andar do templo, que lhe é expressamente dedicado.

No Bharat Mata Mandir de Varanasi, porém, o caso é diferente. Lá, não encontramos nenhuma representação desta ou de qualquer outra divindade. Tampouco nos deparamos com vestígios de cerimónias, rituais ou simples práticas de índole religiosa. A verdade é que, se o templo situado em Haridwar deriva da intenção de unir Nação e Religião num só local, fazendo alusão, nos seus diversos andares, tanto a deuses como a homens e mulheres de carne e osso que se sacrificaram pela liberdade do país, o de Varanasi espelha um pensamento puramente secular.

Um templo em que o país é o Deus

Em Varanasi, os deuses viram o seu lugar ser tomado por um mapa tridimensional (e colossal) da Índia, que cobre o chão do templo e exibe, com uma perfeição e um detalhe irrepreensíveis, rios, montanhas, planícies e principais cidades do país. Totalmente esculpida em mármore, esta foi a obra de 20 artesãos que, durante seis anos, trabalharam sob a alçada de Babu Shiv Prasad Gupta, um nacionalista adepto do “gandhismo”, e de Shri Durga Prasad Khatri, um famoso especialista em antiguidades e numismática. Por ser do conhecimento geral que o mapa foi gerado à escala, respeitando as proporções reais da Índia em termos de longitude e de latitude, este tornou-se um dos símbolos do país e uma recordação da sua indivisibilidade antes da independência, que os mais patrióticos veneram com todas as forças.

O templo Bharat Mata de Varanasi assume a forma de um cone pentagonal, suportado por cinco pilares que, no topo, convergem num só ponto. Cada um desses pilares corresponde a um dos elementos básicos da natureza – terra, vento, fogo, água e céu – que, inevitavelmente, se fundem para dar origem ao mundo que conhecemos. Esta é uma das formas através das quais o templo exprime a unidade da nação indiana, igualmente patente na sua inauguração: a ela acorreram 25 mil pessoas, provenientes das mais diversas comunidades (hindu, budista, muçulmana, jainista, cristã, parse, budista e até dalit, a “impura”), tal como havia desejado Gandhi.

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