sábado, junho 22, 2013

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Aarti, Varanasi, Índia: quando os efeitos de som e luz tomam conta do Ganges

Todos os fins de tarde, sem falta, as margens do rio Ganges enchem-se de luz, música e crentes determinados a libertarem-se dos seus pecados. São palco da vistosa cerimónia hindu Aarti, um espectáculo de fogo em honra da deusa Ganga, o próprio rio
O ritual tem lugar em cidades sagradas da Índia como Haridwar e Rishikesh, mas é em Varanasi que assume a sua maior complexidade. Habitantes e turistas começam a reunir-se junto ao ghat Dasaswamedh horas antes do início da cerimónia, na tentativa de obterem os melhores lugares e verem tudo de perto. Os que chegam mais em cima da hora já não terão essa sorte, a não ser que optem por assistir do Ganges, a bordo de um barco, ou de um dos muitos balcões que as lojas das redondezas disponibilizam especialmente para esta ocasião. Dizem, porém, que a sensação está longe de ser a mesma…
No centro das atenções está um grupo de jovens pandits que, do cimo de enormes blocos junto ao rio, executam uma coreografia com varas de incenso e fileiras de velas acesas. O ambiente fica perfumado e luminoso e contrasta de tal maneira com a escuridão da noite que seria, por si só, justificação suficiente para todo este ritual. 
Mas a coreografia dos pandits tem regras rígidas: as velas, por exemplo, devem ser giradas no sentido dos ponteiros do relógio. O objectivo é provar a Ganga que aquelas pessoas a têm sempre no pensamento e que é por ela tudo quanto fazem ao longo do dia.
Simultaneamente, os devotos descem os degraus do ghat e oferecem ao rio diyas, pequenas taças com velas e flores, que ficam a flutuar e dão origem a um verdadeiro espectáculo de luz. Se uns estão convictos de que esta é uma homenagem aos familiares já falecidos, outros acreditam que, com esta oferenda, recuperam a pureza e são perdoados dos seus erros. É desta segunda opinião que deriva o nome da cerimónia: em sânscrito, “aa” significa “em direcção a” e “rati” quer dizer “o bem”, “o certo”, “a virtude”.

No Aarti, luz e som complementam-se. Todo este culto é acompanhado por cânticos (igualmente chamados “aarti”), mantras, sinos e tambores manuseados por músicos experientes.

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