domingo, maio 05, 2013

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Postal de Viagem: Mistério Etrusco - enviado por Leonor Serra

#6# - Postal gentilmente enviado pela viajante Leonor Serra, vencedora do Passatempo "Viagens de Autor com Gonçalo Cadilhe" em Outubro 2012 e que foi contemplada com uma viagem à Etrúria para duas pessoas.


« Envio o texto da viagem a Itália e algumas fotografias tiradas por mim e pela minha mãe, Ana Machado, que me acompanhou na viagem.

Aqui fica a forma como vimos Itália e que muito gostámos. :)

Durante sete dias fiz parte de um grupo de 25 pessoas, incluindo a minha mãe que me acompanhou nesta viagem e o escritor Gonçalo Cadilhe, que se aventurou pela Itália Central em busca de lugares etruscos.

O autocarro da Pinto Lopes levou-nos desde o aeroporto até ao hotel em Roma e, à medida que íamos avançando, consegui ter um cheirinho do que Roma tem para oferecer. Depois de almoço, seguiu-se uma visita ao Museo Nazionale Etrusco di Villa Giulia onde tive o meu primeiro contacto com o mundo etrusco. Achei interessante como a anatomia das estátuas está tão bem definida, os músculos tão bem desenhados, mas as caras fazem quase lembrar-me o desenho de uma criança.
Pitigliano
Após nos despedirmos da guia que nos acompanhou pelo museu, seguiu-se uma emocionante viagem de eléctrico até à Plaza del Popolo: vinto e cinco pessoas a entrarem simultaneamente num pequeno eléctrico, fazer a picagem de todos os bilhetes (que já tinham a fotografia do novo Papa), de repente aparecer o bilhete de alguém que andava desaparecido, a minha mãe a tentar fazer a contagem das pessoas numa tentativa de ajudar o Gonçalo Cadilhe, e sairmos todos na paragem certa com a esperança de que ninguém tivesse ficado no museu.


Embora a estadia em Roma tenha sido curta, tive a oportunidade de ver a Plaza del Popolo lá em baixo a partir do cimo de um miradouro, bem como, uma panorâmica da cidade alaranjada de Roma.

O segundo dia começou com uma viagem de comboio até Orvieto, seguida de uma focaccia de porqueta ao almoço. Fiquei logo encantada com as ruas de Orvieto. Claro que ainda não sabia o que me esperava nos próximos dias e que o encanto podia ainda ser maior.
Bagno
Durante a tarde fomos acompanhados por duas guias. Fizemos uma primeira visita às grutas escavadas por debaixo da cidade que, para além de serem do tempo dos etruscos, também foram utilizadas nos tempos medievais e desempenharam também a função de refúgio na Segunda Guerra Mundial. Passámos ainda por uma gruta que era um autêntico pombal – paredes inteiras cheias de buracos que serviam de local de poiso para os pombos.

De seguida fomos à Duomo e, assim que a vi no meio da praça, fiquei de boca aberta! Como é possível que no meio da pequena Orvieto exista um momento tão imponente e belíssimo como aquele? As paredes no exterior com relevos que retratam passagens bíblicas são fantásticas. Para finalizar a tarde, visitámos a Necrópole localizada na zona baixa da cidade.
Montepulciano
Mas existem outras coisas igualmente boas em Orvieto como: uma prova de vinhos, azeite e tartufo e um jantar num restaurante com uma estrela Michelin. A minha alma sentiu-se reconfortada ao provar uma entrada chamada “ninho de andorinha”: uma folha de lasanha recheada com queijo pecorino e um fio de mel. Para compensar a ingestão destas delícias gastronómicas, antes do jantar houve uma descida e subida ao Pozzo di San Patrizio com um total de 500 degraus.

Na manhã seguinte apanhámos o comboio para Arezzo, cidade palco dos cenários do filme “A Vida é Bela”. E sim, a vida pode ser bela em Arezzo principalmente quando vista do terraço do hotel Continentale onde ficámos alojados ou ao observar os frescos de Piero della Francesca na igreja de S. Francisco. Nesta noite tivemos um verdadeiro banquete de antipastis, primos e secondos: bruschettas com tartufo, tomate, feijões, uma selecção de enchidos, polenta com cogumelos porcini, massa com javali e carnes assadas.
No quarto dia, uma viagem numa linha de comboio panorâmica conduziu-nos desde San Sepulcro a Perugia, onde ficámos alojados nos dois seguintes dias. Para além de poder vislumbrar os campos verdes do vale do rio Tibre, tive ainda a oportunidade de viajar dentro da cabine do maquinista – uma perspectiva diferente.
Sovana
Adorei Perugia: o sol radiante, a praça cheia de pessoas, as esplanadas, a roda gigante lá ao fundo, a vivacidade, as ruas escavadas no interior da cidade, as vielas, as janelas das casas. Do cimo desta antiga capital etrusca, mais uma cidade localizada no topo de um monte, perdem-se de vista os campos úmbricos. Ah, e fusilli de alcachofras – uma outra agradável maravilha.

No dia seguinte, saímos de Perugia por volta das 8h30 em direcção a Montepulciano sendo acompanhados pelos verdíssimos campos da Toscana. Montepulciano é uma cidade linda, pequena, construída ao comprido no cimo de um monte. Uma subida ao terraço do Palazzo comunale permitiu ter uma vista sobre os telhados Toscanos e as casas de pedra.

Mas Pienza, a cidade que visitámos em seguida e que permite estar no centro do mundo quando se está na Piazza Pio II, ainda o é mais encantadora. Para além de ter a Via del Bacio, a Via dell’ Amore e a Tana del goloso, o sol estava quente e fiquei a olhar os campos sem conseguir parar. Os ciprestes muito bem alinhados, os montes, os vários tons de verde, o azul do céu, as casas de pedra cor-de-laranja. Lembro-me que à noite fechei os olhos e continuei a ver estas paisagens. Cada rua, cada viela, merece ser fotografada. E o queijo pecorino seco é igualmente uma boa recordação desta cidade.

Durante a tarde visitámos o Mosteiro Sant'Antimo e Bagno Vignoni situada acima do val d’Orcia. Esta última cidade, com apenas duas pequenas ruas, é constituída pelas termas de origem etrusca. Um carreiro de água quente sai da cidade e desce a encosta do monte; até há quem aproveite para molhar os pés. O nosso sexto dia etrusco ficou marcado pelas visitas a Sovana e Pitigliano. Sovana, uma cidade pequena e encantadora: uma só rua cheia de vasos e flores, as janelas muito bem cuidadas, uma velhota junto à porta com um lenço na cabeça e o seu gato. Seguindo por essa rua sempre em frente chega-se à catedral. Depois de almoço seguimos para Pitigliano. À medida que nos fomos aproximando da cidade, preparamo-nos para a vista que íamos ter: um monte com as casas de pedra que saem das rochas como se fossem o seu prolongamento; apesar de tortas e da paisagem irregular que criam, tudo parece estar em harmonia.

Terminámos o dia em Viterbo com uma visita ao Palácio dos Papas e ao quarteirão medieval, embora toda a Viterbo me pareça um grande quarteirão medieval. Ao jantar fomos brindados com um risotto.

Ao sétimo dia, não descansámos, seguimos de manhã cedo para Tarquinia para visitar a Necrópole dei Monterozzi. Vimos vários túmulos onde os estruscos colocavam os mortos e alguns dos seus pertencentes. Alguns eram mais espectaculares que outros, as pinturas mais ou menos vivas, os motivos variados desde caça, dança, animais, um banquete… e, entre alguns dos mais famosos túmulos etruscos, o das Leoas. Os cavalos alados no Museu de Tarquinia, marcaram o final da nossa ingressão pelo mundo etrusco.
O mistério etrusco não foi desvendado e ficou, sem dúvida, um lugar dentro de mim. Tal como o meu novo fascínio por Itália e o desejo de nunca desvendar este mistério para que possa sempre continuar a usufruir do seu encanto.»

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