sábado, maio 11, 2013

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Os Uros e as ilhas flutuantes do Lago Titicaca, Peru


 
A tradição já não é o que era. Para um povo que julgava que a mistura com os “humanos” tinha sido a sua perdição, que os seus poderes especiais se tinham por isso desvanecido, deve ser hoje em dia inacreditável viver em grande parte do turismo. Falamos dos Uros, uma tribo invulgar que fez e faz uso de hastes de totora, originárias do Lago Titicaca, para construir casas, barcos… e as próprias ilhas onde vivem, que ficam literalmente a flutuar nesse lago do Peru.
Na verdade, quem lá vive não são os Uros – que se extinguiram há quase 50 anos –, mas os seus descendentes, os Uro-Aymaras. E, se formos a admitir, a haste de totora também não é a escolha nem mais resistente nem mais segura do mundo. As ilhas têm de ser continuamente “recicladas”, isto é, reforçadas com novas hastes em cima, visto que, por força da água, a parte inferior fica deteriorada e começa a libertar um odor bem desagradável. Além disso, ao caminhar sobre uma destas ilhas, vai reparar no seu piso frágil e irregular e terá de ter cuidado para não o desfazer e mergulhar um pé no Titicaca. Mas percalços como estes não terão o seu quê de pitoresco?


Um povo sujeito a constantes provações


Os Uros não são actualmente mais do que 2 mil, mas as suas raízes são mais antigas do que as dos Incas. Aliás, se acreditarmos nas lendas da comunidade, ela surgiu até antes do sol, numa altura em que a Terra era um lugar gelado e sem luz. Diz-se que foi graças ao “sangue negro” dos seus elementos, que os protege do frio, que conseguiu sobreviver. Depois vieram os Incas e, séculos mais tarde, os colonizadores espanhóis. Por considerarem os Uros uma raça mais fraca, ambos quiseram subjugá-los à sua vontade… mas também eles foram vencidos, pelo menos no tempo.
O que torna os Uros tão distintos das civilizações modernas é, por exemplo, o facto de ser o avô a tomar todas as decisões importantes no seio de uma família e de os casamentos serem ainda algo combinado, por vezes desde a nascença. Esta tribo tem como primordial meio de subsistência a pesca, mas, quando o solo o permite, dedica-se igualmente à plantação de batatas. As mulheres usam sempre um chapéu-coco e saia até aos pés.
Os Uros atribuem a si mesmos o título de kot-suña, que quer dizer “povo do lago”. O Titicaca é deles – é essa a sua convicção –, mas tal não significa que, por uma quantia simbólica, não levem os turistas a dar um passeio pelo lago até uma ilha vizinha. Esta é uma boa oportunidade para ver de perto os barcos feitos de totora, que, na maior parte das vezes, têm uma proa com a forma ou a cara de um animal. Os Uros também vendem as suas fantásticas criações na área da tecelagem, mas avisamos desde já que, aqui, não será tão fácil negociar.

1 comentário:

  1. Em setembro tb andaremos por lá. Depois da vossa crónica ainda se nos aguçou mais o desejo da partida.
    See you "povo do lago".

    Obrigado.
    Sérgio
    www.osmeustrilhos.pt

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