domingo, maio 05, 2013

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Metropolitano de Moscovo: 308 quilómetros de pura beleza


Quando começou a ser construído, em 1931, o Metropolitano de Moscovo era visivelmente um impulso patriótico. Catorze anos depois da revolução, mais do que nunca era necessário provar o valor do recém-fundado Estado Soviético. Que melhor meio do que uma arquitectura exímia e grandiosa? Estaline concordou e daí nasceu um verdadeiro museu subterrâneo, em que cada uma das estações está ornamentada como um “palácio para o povo”.

O Metro de Moscovo transporta diariamente quase tantas pessoas quantas existem em Portugal, ocupando o segundo lugar na lista de metropolitanos mais movimentados do mundo, a seguir ao de Tóquio. Num dia de semana, 9,2 milhões de pessoas são compensadas pelas viagens agitadas e “apertadas” com o esplendor artístico das mais de 180 estações em que podem apear. Esculturas em mármore ou bronze, mosaicos ao estilo bizantino, vitrais coloridos, pinturas, relevos e frisos, cuidadosamente trabalhados pelos melhores arquitectos e artistas da época, transformam cada uma delas numa galeria de arte e fazem do Metro moscovita um ponto de paragem obrigatório para todos os que visitam a cidade.
Eficiência e alcance sem descuro da arquitectura

O complexo arquitectónico foi, naturalmente, sendo alargado ao longo dos anos, e a decoração e obras de arte das diferentes estações foram acompanhando de perto a evolução dos tempos. É por esse motivo que percorrê-lo é também passar em revista as últimas oito décadas da história e da cultura russas. Se no final dos anos 40 predominavam representações de Estaline, estas foram desaparecendo após a sua morte, em 1953, para virem a ser substituídas por bustos, mosaicos e até um painel de azulejos em tributo a Lenine, distribuídos por mais de dez estações. Um aspecto igualmente interessante é a profundidade de algumas zonas da linha Arbatskaya (actualmente Arbatsko-Pokrovskaya), que foram pensadas para servir de esconderijo durante a Guerra Fria, caso um conflito nuclear eclodisse.
Fosse qual fosse o contexto, o objectivo das criações foi sempre o de exaltar os heróis nacionais, as virtudes da classe trabalhadora, enfim, o de dignificar ao máximo o regime socialista. Hoje em dia existe até uma estação especialmente dedicada a Fyodor Dostoyevsky, a Dostoevskaya, com painéis a preto e branco alusivos aos protagonistas de algumas das suas obras, entre elas O Idiota, Os Demónios, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov.
Mas a arte e o bom gosto nem sempre ficam do lado de fora das carruagens. Se apanhar o metro na Sokolnicheskaya (linha vermelha), poderá ser surpreendido por exposições ambulantes de pintura, ilustração ou poesia italiana num dos seus veículos temáticos. Ou talvez lhe calhe uma réplica muito fiel daquele que foi o primeiro a circular no Metropolitano de Moscovo, em 1935.
 É questão de se aventurar…

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