sexta-feira, maio 24, 2013

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Louis Vuitton e literatura de viagem: um duo improvável?


Se uma fotografia vale mais que mil palavras, imagine uma ilustração. Há momentos tão fugazes que escapam à máquina fotográfica e aos quais só é possível outorgar um significado recorrendo ao nosso próprio traço. Aí, ajustam-se lugares, pessoas e emoções, e o resultado é a expressão de uma visão absolutamente singular do mundo que nos rodeia.

A conhecida marca francesa Louis Vuitton deu a quatro artistas a oportunidade de (re)visitar os seus locais de eleição e de transmitir ao público a interpretação que fazem destes. Foi assim que nasceu a nova colecção (e até mesmo novo conceito) de livros de viagem ilustrados, com as dicas e os roteiros dos guias convencionais, mas com a vantagem de conterem mais de 100 ilustrações exclusivas que revelam um olhar mais pessoal, genuíno e informal sobre um destino. Londres, Paris, Nova Iorque e Ilha de Páscoa foram, para já, os seleccionados.


Escolhidos a dedo, nos quatro cantos do mundo

 

O congolês Chéri Samba sempre teve uma queda para a crítica social. Depois de abrir o estúdio em Kinshasa, Samba apercebeu-se de que o interior deste não era suficiente para expor todas as suas obras e começou a pendurá-las na rua, à volta do edifício. As cores chamativas e os detalhes originais atraíam tanta gente que se tornava impossível circular na via pública. A polícia sentia-se tentada a intervir, mas, ao ver as suas falhas reflectidas nas obras do artista, perdia a coragem e a situação perpetuava-se. Para este projecto da Louis Vuitton, Samba escolheu Paris, cidade (e sociedade) que critica sem medo, pondo em evidência questões tão delicadas como a corrupção, a desigualdade e a sexualidade.

Já o americano Daniel Arsham prefere destinos mais exóticos e, como tal, fez da Ilha de Páscoa a sua musa inspiradora. Para o artista, este lugar é tão fascinante e absorvente quanto enigmático, dando a sensação de ser um “erro” geológico, um pedaço de terra que ali surgiu por acidente. Abusando do preto e do cinzento, cores que pretendem talvez evocar o isolamento da ilha – a localização mais próxima está a 5 horas de avião –, Arsham consegue impregnar as paisagens, os monumentos e o quotidiano das civilizações antigas de uma atmosfera futurista.

Depois de ter passado pela Vogue e pelo The New Yorker, o parisiense Jean-Philippe Delhomme aliou-se à Louis Vuitton para produzir um livro dedicado a Nova Iorque. O ilustrador e blogger transpôs na perfeição a diversidade cultural da cidade com cores vivas e uma pitada de ironia, que aspira ao humor e não ao insulto. Finalmente, Londres ficou a cargo da artista emergente Natso Seki, do Japão.

Quatro artistas oriundos de quatro continentes aceitaram mostrar o modo como vêem locais que não poderiam ser mais diferentes da sua terra natal. O produto final só podia ser interessante.

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