quinta-feira, maio 09, 2013

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Basílica de Notre-Dame, Montreal - Canadá


Quem já a viu diz que não fica aquém da Notre-Dame parisiense. A Basílica de Notre-Dame em Montreal, Canadá, cresceu de uma modesta capela de madeira na antiga povoação francesa de Ville-Marie (actualmente a parte velha da cidade) para um majestoso complexo que o Papa João Paulo II elevou, em 1982, ao estatuto de basílica menor. Uma honra a que só as igrejas notáveis do ponto de vista arquitectónico e com um papel decisivo na história e na vida religiosa de uma região têm direito.
Embora tenha sido expandida várias vezes desde o século XVII, a Basílica de Notre-Dame obteve o seu aspecto actual entre os anos de 1824 e 1829. O projecto esteve a cargo de James O’Donnell, arquitecto irlandês, protestante, que se inspirou nas tendências inglesas e norte-americanas para dar à basílica um estilo gótico revivalista. O’Donnell ficou tão assoberbado com a sua criação que acabou por se converter ao catolicismo no leito de morte, em 1830, um ano após a inauguração, sendo enterrado na nova cripta da igreja.
Uma das características que retiram a Basílica de Notre-Dame da categoria do vulgar é a forma rectangular tanto da fachada como das torres, elementos perfeitamente fundidos uns nos outros. A fachada ostenta três estátuas: uma da Virgem Maria, uma de São João Baptista e outra de São José, em representação de Montreal, do Québec e do Canadá, respectivamente. Já as torres, às quais o arquitecto John Ostell deu em 1843 os últimos retoques, têm nome próprio. A ocidental chama-se La Persévérance e alberga o maior sino da América do Norte, com 11 toneladas, que só lá foi possível colocar recorrendo a gruas de uma empresa ferroviária. La Tempérance é o nome da oriental, com dez sinos menores.



Sainte-Chapelle de Paris como fonte de inspiração

Entramos na basílica e temos a sensação de continuar a ver o céu. O belo cruzamento do azul do tecto com o dourado dos mil e um pormenores que o preenchem é algo que se repete um pouco por todo o edifício – cortesia do arquitecto Curé Victor Rousselot. Verdadeiramente encantado com a Sainte-Chapelle de Paris, este propôs ao seu colega Victor Bourgeau, com quem começou a remodelar a basílica em 1870, que se importassem alguns dos seus traços. O resultado foi esta decoração a essencialmente duas cores que, juntas, produzem um efeito encantador.

Por ocasião do seu centenário, em 1929, a Basílica de Notre-Dame foi presenteada com novos e lindíssimos vitrais vindos directamente de Limoges, na França. Estes são uma das suas grandes atracções, mas é difícil competir com o grande órgão Casavant, composto hoje por 7.000 tubos. A basílica sempre esteve, aliás, muito ligada ao mundo da música – e não apenas por Céline Dion se ter casado lá. É que, durante o Verão, ela é palco de concertos de orquestras de renome, como por exemplo a Orquestra Sinfónica de Montreal.

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