domingo, abril 07, 2013

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Catedral de Colónia (Kölner Dom), Alemanha: onde o espírito dos Reis Magos persiste


Ao longo dos quase 800 anos de história, a Catedral de Colónia enfrentou provações tão diversas como o advento do Renascimento, as invasões napoleónicas e duas guerras mundiais. E, apesar de ter sido vítima de um desinteresse profundo por quatro séculos, é hoje o monumento gótico mais famoso de toda a Alemanha, reconhecido pela UNESCO. Tem uma tremenda área de 6900 m2 e as suas duas torres, com 157 metros de altura cada uma, faziam dela o edifício mais alto do mundo quando finalmente acabou de ser construída, em 1880.

No entanto, o visitante apenas fica com a verdadeira noção do quão colossal é a catedral quando atravessa a nave e chega ao transepto. Aí, adquire uma visão panorâmica e consegue observar a plenitude da nave, com os seus 144 metros de comprimento, 45 de largura e uns incríveis 43,5 de altura. O edifício é composto por cinco naves e sete capelas, contem o maior coro do país e as suas torres são visíveis de qualquer ponto da plana cidade de Colónia.

No seu lugar já existia, desde o século VIII, uma catedral carolíngia, mas em nada comparável à estrutura actual. Foi em 1164, quando o imperador Frederico I Barba-Roxa, saqueador de Milão, trouxe para Colónia os restos mortais dos três Reis Magos e a cidade se tornou um dos pontos de peregrinação predilectos da Europa, que surgiu a necessidade de edificar uma catedral à medida da sua importância. A 15 de Agosto de 1248, tinham início os trabalhos.

História conturbada, (re)construção perpetuada

Estes foram, contudo, interrompidos em 1530 por força de três circunstâncias: falta de dinheiro, falta de vontade e falta de uma tendência artística que os apoiasse. É que o Renascimento estava a invadir a Alemanha e o estilo gótico não despertava nas pessoas o interesse de antigamente. A catedral permaneceu, pois, inacabada durante séculos, tendo servido, até à retoma da construção em 1842, diversos fins profanos. A título de exemplo, a casa de orações foi um depósito de armas para as tropas napoleónicas e toda a catedral foi, depois disso, um armazém.
A obra prosseguiu até ao ano de 1880, aliando os esboços góticos datados do século XIII às mais avançadas técnicas de construção, até ao resultado que hoje conhecemos. Ou quase. A catedral não escapou à destruição da Segunda Guerra Mundial, sendo atingido por 14 bombas aéreas que lhe causaram uma série de danos maiores. Praticamente 70 anos após o conflito, a reconstrução ainda não está terminada, mas tal parece apenas aumentar o fascínio dos visitantes e coadunar-se com a história do edifício, de construção eternamente incompleta.
Relicário dos Três Reis, executada por Nikolaus von Verdun

A maior atracção da Catedral de Colónia é, hoje em dia, uma extraordinária peça em ouro, prata e esmalte que se esconde por detrás do altar-mor: o Relicário dos Três Reis. No estilo românico, foi executada por Nikolaus von Verdun entre 1190 e 1220 e, por guardar as relíquias dos Reis Magos, santos padroeiros desta cidade renana, faz desde então disparar o significado religioso do imponente edifício.

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