segunda-feira, outubro 10, 2016

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Ilhas Galápagos - Equador, América do Sul

Não são as palmeiras nem as praias que atraem visitantes às Ilhas Galápagos, mas sim a oportunidade única de ver de perto as espécies que ajudaram a inspirar a teoria da evolução de Darwin.

As Galápagos são ilhas feias e até esquisitas, compostas por rocha vulcânica preta com uma fina cobertura de vegetação. Não existem muitas praias maravilhosas nem boas para nadar ou surfar, e certamente não oferecem pratos nem vinhos excecionais. Contudo, não precisam de entrar em concursos de beleza, pois possuem um bem tremendo: são verdadeiros laboratórios naturais, onde se pode observar a evolução em ação.

Aqui evoluíram espécies únicas, que Charles Darwin, o naturalista do século XIX, descreveu e divulgou, e as ilhas tornaram-se um dos melhores pontos de ecoturismo do mundo. O viajante que chega de barco ou de avião à ilha principal, Santa Cruz, a 800 km do continente, ainda consegue ver as famosas tartarugas a serem levantadas pelo centro de Investigação de Darwin, mesmo ao lado da cidade principal, Puerto Ayora.
A vida selvagem, facilmente observável em qualquer outro lugar, aqui é ainda mais espantosa. Os ferries partem uma ou duas vezes por semana de Santa Cruz para as outras grandes ilhas, San Cristobal, Floreana e Isabela, enquanto o percurso dos barcos privados englova ilhas mais pequenas. Também existe uma ligação aérea entre Santa Cruz, San Cristobal e Isabela.
A illha mais gratificante e a maior, é Isabela. Embora corresponda a metade da superfície total do arquipélago, está subdesenvolvida. A cidade principal, Puerto Villamil, tem pouco para oferecer aos turistas, mas para os aventureiros há muitas recompensas. A ilha tem 6 vulcões.
A alguns minutos do porto, tubarões-de-pontas brancas entram e saem dos canais marinhos. A raça de tartarugas gigantes, nativa da ilha, pode ser vista num Rearing Center. Mais ao vivo em liberdade e em massa, perto do vulcão Alcedo, uma caldeira de 7 Km. Contudo, as cabras selvagens prosperam nas costas quase estéreis do vulcão, desequilibrando o frágil ecossistema e o local foi interdito a visitantes casuais até que as cabras sejam irradicadas.
Todas as ilhas têm as suas próprias características: Bartolomé é um caleidoscópio de lava vermelha, azul e preta que orla as reluzentes praias; Espanola tem imitadores espantosamente mansos; Santa Cruz possui uma praia perfeita de areia branca, onde se pode banhar, fazer snorkeling e até nadar com iguanas e tartarugas-marinhas, que emprestam o seu nome à baía, Tortuga Bay; Santiago, apesar do interior atacado por por cabras vorazes, dispõem de praias com um vasto leque de criaturas marinhas; e Floreana é famosa pela tempestuosa vida e morte de três excêntricos alemães na década de 1930.

Isolamento virgem
Há cerca de 4,5 milhões de anos, todas estas ilhas emergiram da lava de um cone vulcânico a 800 Km da costa do atual Equador, formando 14 ilhas principais e vários pequenos picos. à medida que a rocha arrefecia, o vento trouxe sementes do continente, as aves vindas de longe pousaram e os animais chegaram em pedaços de madeira à deriva. Neste isolamento virgem, evoluíram em espécies separadas: as aves adaptaram-se aos próprios nichos, tartarugas gigantes, os únicos lagartos marinhos do mundo, um pinguim local e inúmeros leões-marinhos. Muitas espécies adaptaram-se à sua ilha - um corvo-marinho que não voa, só existe nas ilhas Isabela e Fernandina - porque as ilhas principais estão demasiado afastadas para que a viagem entre elas seja fácil.
Quando Darwin as viu, em setembro de 1835, três anos depois de terem sido reclamadas pelo Equador, a sua mente começou a alimentar uma nova visão acerca da vida na terra. Como é sabido, foi surpreendido pelas três espécies endémicas de tentilhão, incluindo uma que utiliza picos de catos para obter alimento. Aqui «parece que estamos um pouco mais próximos da grande verdade - aquele mistério de todos os mistérios - a primeira aparição de seres vivos neste planeta».
O resultado foi «A Origem das espécies», em 1859, com a premissa de que as espécies devem a sua existência aos processos naturais - transformação através dos tempos, à medida que «os mais aptos sobrevivem e se reproduzem - em vez da criação divina.

Fonte: O Atlas do viajante, Passeando nas galápagos.

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