sexta-feira, janeiro 11, 2013

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Sinagoga Santa María la Blanca, Toledo, Espanha

Durante os seus dois primeiros séculos de vida, a Sinagoga Santa María la Blanca, a mais antiga de Toledo, foi um verdadeiro símbolo da tolerância religiosa que caracterizava a cidade. Erguido no final do século XII por um conjunto de arquitectos e pedreiros muçulmanos, o edifício tinha, não obstante, a finalidade de acolher os judeus que se refugiavam em Toledo. Mas, em 1391, o massacre de judeus que ali ocorreu veio virar a página na história da sinagoga.

Alguns anos mais tarde, a sinagoga foi convertida em igreja pela Ordem de Calatrava e adquiriu a designação actual, Santa María la Blanca. Para isso muito contribuíram os sermões puramente antijudaicos que San Vicente Ferrer dava do alto do seu púlpito em Santiago del Arrabal. Mas tal também não durou muito, tendo o edifício servido fins pouco religiosos nos séculos seguintes, tais como o alojamento e o treino de soldados e até o acolhimento de mulheres prevaricadoras (leia-se prostitutas) que tentavam deixar essa vida para trás.
Hoje, trata-se de uma atracção turística sem grande ligação à religião, admirada sobretudo pela sua arquitectura e pelos eventos culturais de que é palco.
Arquitectura, arqueologia e caridade reunidas num só lugar

Santa María la Blanca é a maior das oito sinagogas originais da cidade de Toledo. Construída no ano de 1180, foi restaurada em 1250, na sequência de um violento incêndio, e depois no século XIX, na qualidade de monumento artístico. De estilo mudéjar, a arquitectura impressiona acima de tudo graças às 32 pilastras e aos capitéis ornamentados, de uma beleza incrível.
Quase que é possível falar do valor arqueológico de Santa María la Blanca, tendo em conta que, em 1987, as escavações que ali se empreenderam puseram a descoberto um conjunto de pinturas murais do tipo naturalista.
E esta sinagoga também não deixa de ser um centro de comércio. Em instalações adjacentes, há quem venda recordações aos turistas, sobretudo bordados produzidos por freiras em reclusão. A diferença é que os lucros revertem a favor dos mosteiros mais pobres.

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