domingo, dezembro 09, 2012

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A origem do carnaval - O culto a Dioniso, a possível origem mítica da festa


Dionisio de Caravaggio
Dioniso era filho de Zeus e de Semele ( filha de Cadmos e de Harmonia). Quando Zeus se uniu a Semele, esta pediu-lhe para ele lhe aparecer com todos os seus poderes. Querendo ser-lhe agradável, Zeus concordou, mas Semele, não suportando o fulgor dos raios empunhados pelo amante, morreu fulminada. Perante isto, Zeus tirou imediatamente o nascituro, ainda no sexto mês de gestação, das entranhas da sua mãe e enxertou-o numa de suas próprias coxas, de onde ele viria a nascer no devido tempo.

O recém-nascido foi entregue a Hermes, que o levou a Atamas, rei de Orcómeno, e à sua mulher Inó para ser criado pelo casal. O Deus recomendou que vestissem o menino com roupas femininas para o preservar da ciumenta Hera, ansiosa por eliminar o fruto dos amores extra conjugais do marido. Hera, entretanto, não se deixou enganar e enlouqueceu Inó e Atamas. Diante disso, Zeus levou Dioniso para uma região distante, chamada Nisa deixando-o ao cuidado de ninfas.Chegando à idade adulta, Dioniso descobriu a videira e a utilidade dos seus frutos, mas a persistente Hera fé-lo enlouquecer.
Na sua demência o Deus percorreu o Egito e a Síria, e subindo pela costa da Ásia Menor chegou à Frigia, onde Cibele o acolheu, purificou-o e iniciou-o no seu culto. Curado da sua loucura, rumou para a Trácia, cujo rei, Licurgo, o maltratou e o quis prender. Dioniso entretanto, livrou-se e foi refugiar-se junto à nereide Tétis, que o escondeu no mar Licurgo conseguiu capturar as bacantes do cortejo do deus, mas elas foram salvas e o rei enlouqueceu. Nesse estado, ele cortou uma das pernas e uma das pernas do seu filho pensando que se tratasse de videiras, consagradas ao culto a Dioniso. Voltando à lucidez, Licurgo percebeu que as suas terras tinham ficado estéreis. Os seus súbditos mandaram interrogar um oráculo e a resposta foi que o rancor de Dioniso somente passaria se o rei fosse morto. Os habitantes da região esquartejaram-no amarrando-lhe os pés e as mãos em quatros cavalos.De Trácia, Dioniso retornou à Ásia e rumou à índia, que conquistou à frente de um exército de adoradores, entre os quais estavam as Bacantes, Silenos e os Sátiros. De volta à Grécia o Deus passou pela Beócia, pátria da sua mãe. Em Tebas, onde Peteu sucedera a Cadmos no trono, Dioniso introduziu os Bacanais, festas celebradas principalmente pelas mulheres com gritos frenéticos. Penteu tentou proibir esses ritos estranhos, mas foi punido juntamente com a sua mãe Agave, tia de Dioniso, que o esquartejou com as próprias mãos, impelida pelo delírio contagioso das devotas de Dioniso. Por onde Dioniso passava repetiam-se essas cenas de desvario mítico. Em Argos o Deus enlouqueceu as filhas do rei Preto e as demais mulheres da região, que na sua alucinação colectiva chegavam a devorar os próprios filhos ainda bebés. Da Beócia Dioniso quis seguir para Naxo, embarcando numa nau de navegantes que tomaram a direcção da Ásia Menor com a intenção de vender o seu passageiro como escravo. Percebendo essa intenção o Deus transformou os remos da nau em serpentes, encheu a nau de hera e fez soar incontáveis flautas invisíveis. Em seguida, cercou a nau com guirlandas de videira, fazendo-a parar, aterrorizando de tal forma os navegantes que estes se lançaram ao mar, transformando-se em golfinhos. A partir de então, o poder de Dioniso passou a ser reconhecido universalmente e o Deus subiu ao céu, deixando o seu culto disseminado por toda a terra. Dioniso, também chamado Baco, era considerado o Deus das videiras, do vinho e do delírio místico. O culto dionisíaco penetrou na Itália e disseminou-se de tal forma que no século III a.C. o Senado romano, preocupado com a sua licenciosidade, proibiu a celebração dos Bacanais. Apesar dessa reacção a influência dionisíaca sobreviveu até a época imperial, favorecida pela crescente dissolução moral.

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