segunda-feira, novembro 26, 2012

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Bazaruto – Um paraíso Impoluto

Vista aérea da Ilha de Bazaruto
Bazaruto é o exemplo perfeito de que uma ilha não é só um pedaço de terra rodeado de água por todos os lados. Maior ou menor, montanhosa ou nem por isso, com vegetação exuberante ou não, uma ilha é sempre um território muito especial, onde nos sentimos aconchegados cada vez que contemplamos o imenso horizonte.
A ilha de Bazaruto, em Moçambique, fica a apenas 15 minutos de voo do aeroporto de Vilanculos, Ao longo do percurso, o viajante abandona a África cor de terra quente para receber indescritíveis tons de azul e verde, vestidos pelo Índico consoante a profundidade das suas águas, dos corais que esconde ou dos bancos de areia que deixa descobrir, o maior e mais conhecido é Pansy.
Ilha de Pansy
Esse mar impoluto é percorrido por raias, tubarões-baleia, tartarugas e golfinhos, que anunciam um paraíso pleno de prazeres secretos, longe do turismo de massas e do cimento armado, praias desertas e noites de silêncio estrelado, tendo por abrigo um céu maior que o mundo.
A sensação ao chegar é quase de incredibilidade perante tamanha beleza.
Ilha de Santa Carolina (Paradise Island)


Bazaruto insere-se num arquipélago com mais quatro ilhas – Santa Carolina, Benguerra, Magaruque e Bangue. Classificado como Parque Nacional, usufrui de protecção especial pelas organizações World Wildlife Fund, Endangered Wildlife Trust e pelo Governo moçambicano, que apenas permite a construção de dois resorts por ilha e cobra uma taxa de entrada de 10 dólares.
Em Bazaruto, as receitas são distribuídas pelo Fundo Nacional de Turismo, pelo Parque Natural e pela comunidade, sendo geridas, neste último caso, pela Thomba Yidho, a assembleia comunitária dirigida pelos chefes de cada aldeia, eleitos democraticamente.

Resulta deste estatuto que Bazaruto, apesar constituir um dos lugares mais cobiçados pelos amantes da natureza e da boa vida, mantenha a beleza da sua paisagem natural intacta, ao longo dos seus 40 quilómetros de comprimento, e permita aos habitantes nativos preservar a sua cultura ancestral. São pouco mais de seis centenas (não chegam a 2500 em todo o arquipélago), provavelmente descendentes da tribo de pescadores Matsonga. Ainda hoje vivem do que conseguem retirar do mar, atravessando-o com redes, mesmo junto à praia, ou em pequenos dohws (embarcações típicas, movidas à vela e a vara) em busca de pesca mais grossa, como o marlim e o serra.

Habitam em pequenas palhotas, mais ou menos próximas do mar, formando aldeias conhecidas pelo nome do chefe que lhes dita as leis. Vivem em outros tempo e ritmo. É tão provável que um dia, ao passar por perto, tentem comunicar consigo, como nem repararem na sua presença, permanecendo imóveis e absortos nos seus pensamentos. Na realidade, já assistem à chegada e à partida de forasteiros desde o tempo em que os árabes se serviam destas paragens para transaccionar marfim, pérolas e presas de rinoceronte.

A rainha do Sabá escolhia aqui pessoalmente as esferas preciosas que o mar deixava crescer, e Lourenço Marques (o mesmo que explorou a região de Maputo) refugiou-se neste local com a sua noiva indiana, influenciado pelos encantos da ilha, onde abundam lagoas com crocodilos e praias desérticas banhadas por águas mornas a que bandos de flamingos emprestam tons de rosa.
Observação de baleias: Uma das muitas actividades oferecidas aos viajantes em Setembro.

Não há como não adorar Bazaruto. É uma ilha quase deserta e silenciosa, onde apenas a Natureza se faz ouvir, através do Índico a desmaiar na areia e dos trinados de centenas de aves canoras. Imagine-se num paraíso, deitado na piscina a ler um livro e a sentir a natureza à sua volta. Esta paz não se descreve, sente-se e o som desta calma embrenha-se no viajante para sempre. Não estranhe se de repente ouvir mesmo junto à praia o som de um pequeno cardume em reboliço na água quente, Bazaruto é mesmo assim.
Os dois resorts onde poderá ficar alojado (responsáveis pela organização de actividades complementares aos simples banhos de sol e mar) fazem jus ao paraíso que os acolhe.

O mais antigo, o Bazaruto Lodge, opera desde há 13 anos na ponta Norte e valoriza sobretudo a simplicidade. Toda a estrutura – pouco mais de uma dezena de bungalows em madeira e colmo colocados estrategicamente sobre as areias brancas da ilha – se enquadra na perfeição na paisagem natural. Não dispõem de televisão, telefone, rádio ou outras mordomias menos condicentes com o ambiente selvagem da ilha, para que o viajante se liberte dos hábitos diários e desfrute num ápice do melhor que a ilha tem para oferecer: as maravilhas da natureza selvagem. Até a gastronomia é simples, mas delicada e saborosa, à base de marisco e peixe fresco.

O Indigo Bay, por seu lado, segue uma política de implantação ecológica, mas substancialmente mais luxuosa e sofisticada. É constituído por cerca de vinte quartos em habitações normais e outros tantos bungalows debruçados sobre o mar. Dispostos entre a praia e um relvado colorido por magníficas buganvílias, estão equipados com ar condicionado, TV cabo, telefone, cofres, minibar e uma ampla varanda com vista diária para o pôr-do-sol.
Passeios a cavalo e safaris no mar ao encontro de baleias, golfinhos e dugongos (estes só no Indigo), mergulho, snorkelling, passeios de jipe, aulas de pesca e mergulho, piqueniques nas dunas, em Pansy ou em Santa Carolina (Paradise Island), na iminência de um pôr-de-sol inesquecível, ou mesmo encontros com crocodilos, junto das lagoas, são algumas das possibilidades de diversão em Bazaruto.
Aqui não são necessários bares ou discotecas para que, à noitinha, todos os viajantes exibam um sorriso da mais completa satisfação. Com a certeza de que um dia hão-de voltar.

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