quarta-feira, setembro 19, 2012

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Masada, Israel - palco de uma resistência heróica de proporções míticas

Imagem: Shutterstoc
Nas margens do Deserto da Judeia, num planalto com vista para o Mar Morto, encontra-se a ruína escavada de uma cidadela real. Esta, foi a última fortaleza defendida pelos Judeus Zelotes que recusaram submeter-se à ocupação romana. Quando já não conseguiram defender-se, Masada tornou-se o pano de fundo de um dos episódios mais dramáticos da História Judaica.
A fortaleza-palácio de Masada foi mandada construir por Herodes, o Grande, poucos anos antes de Cristo.Erguendo-se cerca de 400 metros acima do deserto à sua volta e cercada por profundos desfiladeiros, o planalto de Masada era naturalmente fortificado. A leste, a terra apresenta um forte declive até o Mar Morto. O caminho daquele lado era (e ainda é) chamado de “A Cobra”, devido às suas curvas estreitas e sinuosas. O outro acesso, no lado oeste, é um pouco mais transitável, mas igualmente difícil.
Apesar das condições adversas, o palácio possuía várias piscinas e estava preparado para suportar longos cercos. Isto foi conseguido graças às enormes cisternas e armazéns onde eram guardados os mantimentos.
Herodes projetou e construiu um intrincado sistema de aquedutos para drenar cada gota de chuva abastecendo as cisternas no meio do deserto, num clima árido onde raramente há chuva, e mesmo assim, muito escassa.
Na vertente virada para o Mar Morto situava-se o palácio de Herodes, construído em vários socalcos na rocha.
Em 66 DC, Masada tornou-se um refúgio para os judeus zelotes que resistiam ao domínio romano. Estes eram liderados por Elazar ben Ya’ir.
Após a conquista de Jerusalém e a destruição do Segundo Templo em 69 DC, juntaram-se mais judeus ao grupo que estoicamente resistiram aos esforços romanos para os desalojar e usaram Masada como a sua base para ataques, não só contra os romanos mas também contra facções judaicas inimigas. Com a água guardada nas cisternas e com um razoável stock de alimentos eles puderam resistir indefinidamente.
Em 72 DC o governador romano Flavius Silva decidiu eliminar de uma vez por todas este posto de resistência.
As 15.000 pessoas do acampamento romano, que incluíam a Décima Legião Romana e os prisioneiros de guerra judeus, prepararam-se para um longo cerco contra os 1.000 homens, mulheres e crianças na montanha.
Como não conseguiram romper a muralha pelo lado leste, construíram uma longa e ampla rampa de ataque contra o lado oeste, usando milhares de toneladas de pedras e terra. Depois, usando um aríete de ataque, quebraram a parede de pedra da fortaleza.
Os astutos defensores tinham construído outra parede que os romanos não conseguiram romper com o aríete, porque a parede era mole e recuava com os golpes. Foi então que os romanos destruíram esta parede com fogo e planearam entrar no dia seguinte.
Naquela noite, Elazar reuniu todos e falou-lhes. Vendo a sua perdição, os judeus decidiram que preferiam morrer a ser escravizados ou mortos pelos romanos.
Cada homem matou a própria esposa e filhos. A seguir, tiraram nomes à sorte e mataram-se entre si. Após cumprir a sua tarefa, o último homem ateou fogo ao palácio e lançou-se sobre a própria espada ao lado da família morta.
Quando de manhã os romanos entraram na fortaleza, encontraram somente cadáveres.
Duas mulheres e cinco crianças tinham sobrevivido ao suicídio em massa escondendo-se numa cisterna e foi assim que a história chegou aos ouvidos do historiador Josephus, que a registou.
Josephus é a única fonte importante de informação sobre Masada. Desde que o cerco foi identificado em 1838, as descobertas e escavações têm ocorrido regularmente.
O Parque Nacional de Masada foi aberto em 1966 e a Autoridade de Parques e Natureza de Israel mantém atividades de conservação e restauração. As escavações continuam a ser feitas.
Apesar da celeuma quanto à moralidade da sua decisão, Masada tornou-se num símbolo de coragem para um povo determinado a ser livre no seu próprio país. Na verdade, Masada foi palco de uma resistência heróica de proporções míticas.

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